Covid-19: Mundo emite menos um milhão de toneladas de CO2 por dia

  • Lusa
  • 16 Março 2020

A procura global de petróleo deve contrair-se este ano pela primeira vez desde 2009, devido à Covid-19, sendo que estão em causa menos 90.000 barris de petróleo por dia em relação ao ano passado.

O mundo está a emitir menos um milhão de toneladas de dióxido de carbono por dia com a quebra no consumo de petróleo devido à pandemia de Covid-19, indicam dados compilados pela Lusa com base em relatórios internacionais.

A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou esta semana um relatório segundo o qual a procura global de petróleo deve contrair-se este ano pela primeira vez desde 2009, devido à Covid-19, sendo que estão em causa menos 90.000 barris de petróleo por dia em relação ao ano passado, não ultrapassando os 99,9 milhões de barris por dia.

O novo coronavírus, que provoca a doença Covid-19, levou a AIE a traçar ainda um cenário pessimista para o ano, de menos 730.000 barris por dia, e um otimista de mais 480.000 barris por dia.

Transpondo a quebra no consumo de petróleo para as emissões de dióxido de carbono (CO2) no primeiro trimestre, houve uma redução de emissões calculada em 9,6 milhões de toneladas, o equivalente a menos 1,4 vezes as emissões de Portugal em 2017.

Se à redução na procura de petróleo se juntar o abrandamento do consumo de carvão, com base em números divulgados pelo portal especializado “Carbon Brief”, as estimativas indicam que as emissões mundiais de CO2 podem reduzir-se este ano em cerca de 7%, um valor próximo do que o planeta devia atingir em 2020 com os esforços dos países para cumprir o Acordo de Paris sobre alterações climáticas.

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente indica que para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus celsius acima da média da era pré-industrial é preciso reduzir em 7,6% por ano as emissões de gases com efeito de estufa, um número que este ano pode ser atingido devido à Covid-19.

O presidente da associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, disse à Lusa que a redução no consumo de petróleo é ainda assim muito baixa e lembrou que “é precisa uma redução de 7,6%” em cada ano.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que a economia tenha o crescimento mais fraco desde a crise de 2009 devido ao novo coronavírus.

A quebra deve-se essencialmente à contração da China. Um balanço publicado no “Carbon Brief”, atualizado a 04 de março, indica que a paralisação de grandes regiões da China reduziu em 25% as emissões de CO2 do país.

Devido à Covid-19, que surgiu em dezembro de 2019 na China, nestes primeiros meses do ano o consumo de carvão nas fábricas caiu 36%, e a produção de carvão caiu 29%, tendo a capacidade de refinar petróleo sido reduzida em 34%.

Ao todo, diz-se na página, as medidas da China para conter o coronavírus levaram a uma redução de entre 15% e 40% da produção nos principais setores industriais.

“É provável que isso tenha impedido um quarto ou mais das emissões de CO2 do país nas últimas quatro semanas”, diz o portal, acrescentando que em 2019 a China emitiu cerca de 800 milhões de toneladas de CO2, pelo que o vírus poderá ter impedido a libertação de 200 milhões de toneladas até ao momento.

Extrapolando para o ano inteiro, com a redução na produção de carvão da China mais a redução na venda de barris de petróleo, a quebra das emissões de CO2 será acima de 6%.

Francisco Ferreira salienta que para que sejam atingidos os números de redução de emissões para este ano era preciso que o cenário se mantivesse. “Somando a redução mundial do consumo de petróleo e o cenário na quebra de produção na China e quebras à escala mundial ficamos efetivamente próximos da meta da ONU para a temperatura não ultrapassar 1,5 graus”, notou o responsável, acrescentando que “estas são mudanças conjunturais e não estruturais e com impactes que em áreas como o emprego não são também as desejáveis”.

Dados publicados pela NASA há menos de duas semanas revelam que a mudança de padrões de comportamento e da atividade industrial na China reduziram os níveis de dióxido de azoto e que com a queda nas atividades industriais que utilizam carvão e petróleo também houve uma queda nas emissões de CO2.

A associação ambientalista Quercus alerta que essa quebra de emissões não é a longo prazo, e diz, em comunicado, que “ou se aproveita a crise para mudar comportamentos, ou mais tarde a recuperação económica poderá, provavelmente, ser ainda mais prejudicial”. Para já, acrescenta, em termos ambientais tem um malefício, o consumo exponencial de materiais em plástico descartável, como luvas e máscaras.

A aviação, responsável por cerca de 2% das emissões globais de CO2, é um dos lados mais visíveis das consequências do coronavírus, com milhares de ligações anuladas e milhares de aviões em terra. Só em Portugal, a TAP anunciou o cancelamento de 2.500 voos e em Frankfurt, a transportadora alemã Lufthansa anunciou a suspensão de 23.000 voos até 24 de abril.

O Presidente dos Estados Unidos anunciou a suspensão das ligações aéreas com a Europa. O impacto da Covid-19 está estimado entre 63 e 100 mil milhões de dólares, segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos.

Na crise financeira de 2008/9 também houve uma grande queda, mas depois da crise vieram as medidas dos governos para estimular as economias e voltaram em força as emissões de CO2. A evolução positiva da China pode indicar que a “crise” da Covid-19 será mais curta do que a crise de 2008/2009, e que as emissões vão voltar aos níveis habituais.

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