Antigo administrador da Sonangol critica atuação das autoridades portuguesas. Foi “abusiva e injustificada”

Sarju Raikundali diz que enviou ao o Ministério Público e ao Tribunal de Instrução Criminal "documentação demonstrativa da origem legal de todos os rendimentos".

O antigo administrador financeiro da Sonangol, Sarju Raikundali, acusa as autoridades portuguesas de terem tomado uma ação “abusiva, excessiva e injustificada” no caso ‘Luanda Leaks’, por terem congelado as contas bancárias, numa carta aberta enviada ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e à ministra da Justiça, a que o ECO teve acesso.

Sarju Raikundali defende que é “patente a má-fé subjacente à forma como o Procurador-Geral da República de Angola está a conduzir” o processo, e que as “falsidades” que veiculou foram “suficientes para convencer a Procuradoria Geral da República Portuguesa a executar o plano traçado por Angola”.

Sarju Raikundula é um dos portugueses indicados por Isabel dos Santos para a administração da Sonangol e foi um dos visados no pedido do Supremo Tribunal de Justiça angolano a Portugal para que fossem constituídos como arguidos. É suspeito de ter ordenado uma transferência para uma empresa com ligações a Isabel dos Santos já depois da sua exoneração.

O PGR angolano alegou que o antigo administrador teria “abandonado” Angola após ocorrência dos alegados factos em novembro de 2017, mas Raikundali garante que tinha “trocado diversas comunicações com a própria Sonangol EP” e que “havia efetuado várias deslocações a Angola”.

O ex-administrador, que esteve no cargo durante o período em que Isabel dos Santos liderou a petrolífera, refere que enviou “requerimentos sucessivos ao Ministério Público e ao Tribunal de Instrução Criminal”, onde incluiu também “documentação demonstrativa da origem legal de todos os rendimentos” que obteve desde o ano de 2012, mas nunca recebeu resposta.

Perante o congelamento das contas, o ex-administrador diz não ter “qualquer meio de suportar as despesas essenciais” à sua subsistência, dos filhos e da mãe, todos a seu cargo. Aponta ainda que se vê impedido de estar em quarentena junto da família, por não ter fundos para se deslocar. “A atuação da Justiça Portuguesa foi de tal violência que até uma conta bancária aberta para poupança dos meus três filhos menores (com 8, 10 e 14 anos) foi, e continua, bloqueada (tinha um saldo de € 1.700,00 que são deles)!”, escreve o gestor

Raikundali garante que face esta atuação da Justiça Portuguesa, que diz ser de “esmagamento e estrangulamento financeiro pessoal”, vai usar todos os mecanismos legais para responsabilizar quem “violou os Direitos Fundamentais”.

Torno agora público este meu protesto, perante a impotência de um simples cidadão perante a desumanidade com que tenho sido tratado, para alertar as mais altas figuras do Estado e a opinião pública para as injustiças de que estou a ser vítima”, conclui na carta que foi enviada também com conhecimento da Conselheira Procuradora-Geral da República e do Juiz Conselheiro Presidente do Conselho Superior da Magistratura.

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