Covid-19: Quebra de 50% em março e 90% em abril e maio nos componentes automóveis

  • Lusa
  • 24 Março 2020

A indústria portuguesa de componentes automóveis prevê uma quebra de 50% na atividade em março, sendo que poderá chegar aos 90% em abril e maio. Recuperação só deverá acontecer em novembro.

A indústria portuguesa de componentes automóveis deverá registar “quebras abruptas” na atividade de 50% em março e de 90% em abril e maio, só começando a recuperar em novembro do impacto da pandemia, prevê esta terça-feira a associação setorial.

Só a partir de novembro a indústria portuguesa de componentes para o automóvel começará a recuperar, sem contudo chegar aos números de 2019”, antecipa a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), apontando para uma descida de 30% no volume de negócios na totalidade do ano 2020, para 8,5 mil milhões de euros, contra os 12 mil milhões de euros do ano anterior.

Em comunicado, a AFIA nota que estes números seguem-se à evolução positiva de 7,8% que as exportações de componentes automóveis tinham registado em janeiro e evidenciam o “severo impacto” perspetivado a curto prazo no setor, em resultado da pandemia de covid-19 e do consequente abrandamento da economia e redução da procura de automóveis.

Os grandes cortes na produção de automóveis – na União Europeia as fábricas automóveis estão paradas – obrigam os fornecedores a considerar mudanças drásticas”, refere, explicando que “esta situação é um culminar de fortes pressões sobre as empresas em geral, e em particular para as portuguesas, caracterizada por uma redução de encomendas”.

Destacando o setor dos componentes para automóveis como “um dos que mais contribui para a economia nacional”, sendo responsável por 6% do Produto Interno Bruto (PIB), 8% do emprego da indústria transformadora e 16% das exportações nacionais de bens transacionáveis, a AFIA volta a reclamar do Governo “medidas urgentes, flexíveis e eficazes” dirigidas “às necessidades específicas e à importância estratégica desta indústria”.

Assim, reitera a necessidade de criação de “uma linha de crédito específica para as empresas do setor” e de alteração do regime de ‘lay-off’ (suspensão temporária dos contratos de trabalho), de modo a “permitir o acesso imediato a este regime às empresas que tenham tido uma quebra de faturação superior a 40% nos últimos 30 dias, mas medidos depois do final do período pedido para o ‘lay-off ‘e comparando com a média mensal dos últimos dois meses anteriores a esse mesmo período”.

Adicionalmente, diz, deve “resultar claro deste regime a possibilidade de ‘lay-off’ parcial”.

As medidas reclamadas pela AFIA passam ainda pela alteração do regime de férias, “de modo a permitir desde já a sua marcação”, e a criação de medidas de proteção dos postos de trabalho.

Estas medidas permitirão às empresas não só atenuar esta crise, mas também manter a sua competitividade após este período, logo que se verifique a retoma gradual da economia”, sustenta a associação, garantindo que o setor está disponível “para dialogar com o Governo e encontrar modelos de desenvolvimento integrados, sob pena de redução drástica dos investimentos e encerramento de empresas ou unidades de produção, com consequências graves na economia e sociedade”.

A indústria portuguesa de componentes para a indústria automóvel agrega 240 empresas com sede ou laboração em Portugal, que empregam diretamente 59.000 pessoas e faturam 12 mil milhões de euros por ano, com uma quota de exportação superior a 80%.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 360 mil pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 17.000 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6.077 mortos em 63.927 casos. Segundo as autoridades italianas, 7.024 dos infetados já estão curados.

Em Portugal, há 23 mortes e 2.060 infeções confirmadas, segundo o balanço feito segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde. Dos infetados, 201 estão internados, 47 dos quais em unidades de cuidados intensivos.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00h00 de quinta-feira e até às 23h59 de 2 de abril. Além disso, o Governo declarou no dia 17 o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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