Vírus afunda atividade económica da Zona Euro para níveis nunca vistos

É o primeiro indicador de relevo a mostrar o impacto das medidas de contenção da pandemia: o índice dos gestores de compras na Zona Euro afundou de 51,6 para 31,4 pontos em março, um mínimo histórico.

A atividade económica na Zona Euro afundou para níveis recorde em março, um resultado das medidas de contenção da pandemia do coronavírus que estão a ser adotadas na generalidade dos países. O índice dos gestores de compras elaborado pela IHS Markit recuou de 51,6 em fevereiro para 31,4 em março, a leitura mais baixa desde o início da série nos anos 90, segundo o Financial Times (acesso pago).

Este indicador económico é observado de perto pelos investidores e sugere, assim, que o bloco caminha em direção a uma profunda recessão, numa altura em que muitas fábricas e empresas de serviços estão paradas ou sob fortes limitações nas operações por causa da pandemia. “A atividade económica na Zona Euro colapsou em março de uma forma mesmo muito superior à que foi vista no pico da crise financeira global”, considerou Chris Williamson, economista chefe para o segmento empresarial da IHS Markit.

A queda expressiva do índice dos gestores de compras (PMI Index) é o primeiro impacto visível da pandemia num indicador económico de relevo, sinalizando uma queda anualizada de 8% no Produto Interno Bruto (PIB) da Zona Euro, estima a empresa. Concretamente no setor dos serviços, o índice recuou de 52,6 para 28,4 em março, sendo que leituras abaixo de 50 pontos indicam que a maioria das empresas reportou uma deterioração comparativamente com o mês anterior.

Quedas acentuadas da atividade económica registaram-se nas duas maiores economias da Zona Euro. O PMI composto recuou de 50,7 para 37,2 na Alemanha, enquanto em França deslizou de 52 para 30,2 pontos. A queda foi maior no setor dos serviços, mas também foi registada pelo setor industrial, de acordo com o Financial Times.

“O PMI afundou em março, e claro que afundou. Apenas um otimista tolo iria esperar o contrário face ao choque na oferta e na procura que a economia está enfrentar”, considerou Bert Colijn, economista sénior para a Zona Euro do banco holandês ING. Para Colijn, a leitura real para o mês de março deverá ser ainda pior, na medida em que entraram em vigor na Zona Euro restrições às empresas ainda mais apertadas do que as observadas na altura em que o inquérito da IHS Markit foi levado a cabo.

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