WhatsApp trava boatos em plena pandemia. Agora é mais difícil partilhar informação falsa com muita gente

O WhatsApp passou a detetar "mensagens encaminhadas muitas vezes", as quais só poderão ser partilhadas com uma pessoa de cada vez. A medida é um travão aos boatos na plataforma em plena pandemia.

O WhatsApp implementou um travão para impedir que mensagens “virais” sejam encaminhadas para uma quantidade elevada de pessoas em simultâneo. A medida surge numa altura em que a plataforma é pressionada para que previna a propagação de informação falsa sobre a pandemia do coronavírus na plataforma.

Em linhas gerais, o WhatsApp vai passar a detetar “mensagens encaminhadas muitas vezes” — isto é, mensagens enviadas numa cadeia de cinco ou mais pessoas –, casos em que o encaminhamento passa a estar limitado a um destinatário de cada vez. A decisão coloca um travão efetivo à velocidade com que a informação é partilhada na plataforma.

Nem todas as “mensagens encaminhadas muitas vezes” são, necessariamente, informação falsa. Mas, em sentido contrário, as mensagens com informação falsa são frequentemente encaminhadas pelos utilizadores para várias pessoas em simultâneo. Desta forma, o WhatsApp coloca uma barreira à criação de mensagens em cadeia, um reconhecimento implícito dos problemas que a informação falsa pode provocar na sociedade, sobretudo no contexto atual.

“Para tornar o WhatsApp ainda mais pessoal, criamos o conceito de mensagens encaminhadas muitas vezes e adicionamos uma etiqueta de setas duplas para indicar que essas mensagens não foram criadas pelo contacto que as enviou. Geralmente, as mensagens encaminhadas muitas vezes podem conter informações falsas e não são tão pessoais quanto as mensagens típicas enviadas pelos seus contactos no WhatsApp. Agora, atualizamos o limite de encaminhamento para que essas mensagens só possam ser encaminhadas para uma conversa de cada vez”, anunciou o WhatsApp num comunicado.

Como explicou o The Verge, durante muito tempo, os utilizadores do WhatsApp podiam facilmente enviar uma única mensagem para um máximo de 256 pessoas de uma só vez. Com a massificação da aplicação, que tem mais de dois mil milhões de utilizadores em todo o mundo, as autoridades ficaram impossibilitadas de identificar pessoas que estariam a usar a plataforma para espalhar mensagens de ódio ou incitação da violência. Foi em 2018 que o WhatsApp começou a limitar esta funcionalidade, num contexto de eleições, apertando agora a medida ainda mais na tentativa de controlar este flagelo.

No mesmo comunicado, o WhatsApp argumenta que encaminhar mensagens não é, necessariamente, uma prática abominável. “Então, encaminhar mensagens é algo mau? Claro que não! Sabemos que muitos utilizadores encaminham informações úteis, vídeos divertidos, pensamentos ou orações que têm um significado especial e pessoal para os seus contactos. Nas últimas semanas, muitas pessoas em todo o mundo também têm usado o WhatsApp para organizar homenagens aos profissionais de saúde que estão a trabalhar na linha da frente no combate à pandemia”, acrescenta.

Porém, a plataforma, detida pelo Facebook, admite ter vindo a verificar “um aumento significativo na quantidade de mensagens encaminhadas que, de acordo com os utilizadores, podem contribuir para a disseminação de boatos e informações falsas”. “Acreditamos que é importante desacelerar a disseminação de mensagens encaminhadas para que o WhatsApp continue a ser um espaço seguro para conversas pessoais”, conclui a empresa.

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