Indicadores compósitos da OCDE com maior queda mensal de sempre

  • Lusa
  • 8 Abril 2020

Indicadores compósitos avançados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico sofreram em março a maior queda mensal de sempre na maioria das grandes economias mundiais.

Os indicadores compósitos avançados da OCDE, que antecipam inflexões no ciclo económico, sofreram em março a maior queda mensal de sempre na maioria das grandes economias mundiais.

Esta queda deve-se ao choque causado pela pandemia do Covid-19 e o impacto imediato que as medidas de confinamento tiveram para a produção, o consumo e a confiança, explicou esta quarta-feira num comunicado a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

Os indicadores, que se baseiam sobretudo na medição da confiança dos consumidores e em questionários às empresas, não servem para antecipar qual pode ser a magnitude da recessão que se espera, rodeada de uma “considerável incerteza”, em primeiro lugar porque não se sabe quanto durará o confinamento. Estes dados, contudo, põem em evidência a rapidez da inversão com que as economias começaram a atual fase de contração.

Sobretudo tendo em conta que algumas – como é o caso da Alemanha e dos Estados Unidos – estavam num estado de algum crescimento.

A descida mensal do indicador para o conjunto da OCDE foi de 80 centésimas para 98,8 pontos, ou seja, um valor nitidamente abaixo dos 100 pontos, que marca a média de longo prazo.

O decréscimo foi particularmente brusco em Espanha (-1,13 pontos para 97,83), dentro de um grupo em que os indicadores se afundaram e no qual também estão integradas grandes economias como a da Alemanha (-1,93 pontos para 97,47), Reino Unido (-1,84 pontos para 98,23), Canadá (-1,63 pontos para 97,80) e Itália (-1,37 pontos para 98,10).

Algo mais moderadas foram as quedas dos Estados Unidos (-0,59 pontos a 98,94), França (-0,54 pontos para 98,81) ou Japão (-0,49 pontos para 98,39).

No que respeita às grandes economias emergentes, as maiores descidas foram na Rússia (-1,59 pontos para 97,55) e no Brasil (-0,99 pontos para 100,77, num nível ainda acima dos 100 pontos).

Na China – onde começou a epidemia do Covid-19 em finais de 2019 – a queda limitou-se a 0,30 pontos em março para 98,78 ppntos, apesar de já ter registado uma perda de 0,33 pontos em fevereiro, que punha em evidência a paragem de boa parte da sa atividade desde inícios de 2020.

Uma das poucas exceções da descida histórica registada em março foi a Índia, cujo indicador caiu só nove centésimas para 99,5 pontos, nível próximo dos 100 pontos que marca a média de longo prazo.

Um dos responsáveis destes indicadores da OCDE insistiu à Efe que estas descidas não se podem comparar entre si e não antecipam quais serão as contrações do Produto Interno Bruto (PIB) em cada um dos países, mas apenas a clareza com que se manifesta a mudança de ciclo.

Em qualquer caso, o responsável sublinha que março foi um descalabro mensal para a maior parte dos países.

Em finais de março, a OCDE tinha calculado que cada mês de confinamento representava uma descida de dois pontos percentuais ddo Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 e dava como certa uma recessão.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Indicadores compósitos da OCDE com maior queda mensal de sempre

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião