Compras com cartões contactless disparam 115% no primeiro mês da pandemia

Quebra de quase 50% das compras e levantamentos com cartões contrasta com o disparo da utilização dos cartões com tecnologia contactless.

Com a chegada da pandemia a Portugal, em março, muito mudou na forma de os portugueses movimentarem o seu dinheiro, com o contactless e as compras online a ganharem espaço. Dados disponibilizados pelo Banco de Portugal apontam para que as compras com recurso a cartões com tecnologia contactless tenham disparado 115% no mês de março, mantendo a tendência do mês anterior. E fazendo contraponto com uma quebra de quase 50% observada na utilização dos cartões para fazer compras e levantamentos.

Os dados da entidade liderada por Carlos Costa mostram uma quebra considerável nas compras e levantamentos com cartões bancários a partir do momento em que encerraram as escolas. Entre 19 de março e 20 de abril, os montantes envolvidos neste tipo de operações caiu 46%, em termos homólogos. Em termos práticos, nesse período, a redução nos movimentos com cartões foi na ordem dos 56 milhões de euros por dia, em média. Já no que diz respeito aos levantamentos, a quebra diária cifra-se nos 34 milhões de euros, em média.

Enquanto se observou uma redução da utilização generalizada dos cartões bancários na gestão financeira do dia a dia-a-dia dos portugueses, a utilização dos cartões bancários que dispõem de tecnologia contactless e as compras online mantiveram uma progressão positiva, apesar de a um ritmo um pouco mais lento.

Se em fevereiro, as compras efetuadas com cartões contactless tinham subido 143%, em termos homólogos, no mês em que foi reportado o primeiro caso de contágio por Covid-19 em Portugal, o aumento foi na ordem dos 115%.

Esse incremento coincidiu com o período em que foi incentivada de uma forma generalizada a utilização dos cartões com tecnologia contactless como forma de contenção dos contactos físicos e a prevenção dos contágios pelo novo coronavírus. Para isso, foi estendido de 20 para 50 euros do montante máximo permitido para as compras com este tipo de cartões.

Tendo em conta as circunstâncias de confinamento ditadas pela pandemia, também as compras online, apesar de a um ritmo menos intenso face ao que se vinha a observar também aumentaram. A subida face a março de 2019 foi de 18% nos montantes desembolsados em compras online no passado mês de março. Em fevereiro, o crescimento tinha sido de 44%.

Compras no retalho escapam a quebra

A generalidade dos setores de atividade sofreu com a situação de saúde publica que o país vive. O setor de comércio a retalho foi o único a escapar à quebra de compras registada em março. Esse setor registou uma variação homóloga positiva (cerca de 0,1%) no montante das operações.

Os restantes setores variaram entre uma redução de 7% no comércio por grosso e de 56% no setor do alojamento. Mas o setor mais afetado em termos absolutos foi o da restauração, com uma redução de 229 milhões de euros face ao transacionado no período homólogo, dá conta ainda o Banco de Portugal. Em termos percentuais, os valores movimentados relacionados com este setor caíram 55%, em março, face ao mesmo período do ano passado.

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