Jerónimo Martins derrapa 14% após corte no dividendo. É a maior queda em 12 anos

Retalhista regista a maior desvalorização bolsista desde setembro de 2008, com os investidores a reagirem negativamente ao corte de dividendo anunciado na quarta-feira. Ações em mínimos de um ano.

A Jerónimo Martins está a ter um dia negro na bolsa nacional. As suas ações recuam mais de 14%, depois de a retalhista ter divulgado que os lucros no primeiro trimestre caíram quase para metade e de ter, também, cortado em 40% o dividendo a distribuir pelos acionistas face aos efeitos da pandemia. É necessário recuar 12 anos, até à queda da Lehman Brothers, para assistir a uma queda maior dos títulos da dona do Pingo Doce.

As ações da retalhista desvalorizam 14,68%, para os 13,40 euros, estendendo as perdas de mais de 12% logo no arranque da sessão. A queda registada nesta sessão é a maior em quase 12 anos. Será necessário recuar até ao dia 18 de setembro de 2008, para assistir a uma queda maior das ações (-15,34%) da empresa liderada por Pedro Soares dos Santos.

A quebra registada nesta sessão coloca o valor das ações da dona do Pingo Doce com o preço mais baixo desde maio do ano passado. Ou seja, há um ano.

Ações da Jerónimo Martins com maior tombo desde 2008

Os investidores reagem de forma negativa aos resultados do primeiro trimestre da retalhista e às nuvens que ensombram o grupo devido à pandemia que, por isso, pretende cortar os dividendos a distribuir pelos acionistas.

Na quarta-feira, após o fecho da bolsa, anunciou que os seus lucros caíram para quase metade no primeiro trimestre, para 35 milhões de euros, face aos efeitos da pandemia que se começaram a fazer sentir na sua atividade ainda na primeira quinzena de março.

Em resultado disso, a Jerónimo Martins anunciou um corte de 40% no valor do dividendo que pretende propor aos acionistas na assembleia geral de 25 de junho. A empresa tenciona pagar 130,1 milhões de euros, menos 86,7 milhões de euros face à anterior remuneração acionista prevista de 216,8 milhões de euros.

A Jerónimo Martins suspendeu ainda o arranque de projetos de construção de novas lojas devido à pandemia de Covid-19 e diz que custos para garantir segurança das atividades foram de 15,5 milhões de euros só no mês de março.

Já após a divulgação destes dados, o Barclays reviu em baixa o preço-alvo que atribui às ações da Jerónimo Martins: passou dos 14 para os 13,7 euros.

Por sua vez, o Goldman Sachs divulgou uma nota de research em que alerta que a Jerónimo Martins tem tido uma prestação abaixo dos pares europeus desde o pico de fevereiro (-6% contra +2% do setor na Europa). Agora com a queda do EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), o corte no dividendo e os receios podem causar uma queda maior daqui em diante, avisa ainda o banco de investimento norte-americano.

(Notícia atualizada pela última vez às 12h25)

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