Bancos receberam mais de 300 mil pedidos de moratórias. Valem mais de 10% do total do crédito

O secretário-geral da APB, Norberto Rosa, adiantou no Parlamento que os bancos nacionais já receberam mais de 300 mil pedidos de moratórias, correspondentes a 25 mil milhões de euros em créditos.

Os bancos nacionais já registaram mais de 300 mil pedidos de moratórias por parte de famílias e empresas com dificuldade em fazer face aos compromissos financeiros devido aos efeitos da pandemia. O número foi adiantado pelo secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Norberto Rosa, numa audição no Parlamento que decorreu esta sexta-feira para discutir o travão às comissões bancárias. Sobre este tema, o responsável da APB revelou total discordância face às iniciativas do Parlamento, pedindo um recuo nas propostas apresentadas pelos partidos.

“Os bancos nacionais já registaram mais de 300 mil pedidos de moratórias que correspondem a créditos superiores a 25 mil milhões de euros”, disse Norberto Rosa, durante a intervenção inicial perante os deputados da Comissão de Orçamento e Finanças, acrescentando que este valor corresponde a “mais de 10% do total do crédito concedido”.

"Os bancos têm dito ‘presente’ nesta crise e têm demonstrado, desde o inicio, que estão absolutamente empenhados no apoio às famílias e empresas.”

Norberto Rosa

Secretário-geral da APB

Este é o primeiro balanço público por parte da associação que representa os bancos no que diz respeito aos pedidos de moratórias que têm sido feitos junto da banca desde que essa possibilidade começou a ser disponibilizada desde março, quando estalou a pandemia em Portugal. O Governo anunciou no final de março a constituição de uma moratória de seis meses nos créditos à habitação e também para os empréstimos de empresas. Mais tarde, a APB anunciou a constituição de uma moratória privada que, inclui também o crédito ao consumo e as segundas habitações.

As moratórias para o crédito foram, aliás um dos aspetos salientados por Norberto Rosa em termos do papel de apoio que a banca tem prestado no seguimento das consequências económicas negativas impostas pela pandemia. Referiu-se ainda a outros apoios como, por exemplo, a isenção de comissões em diversos serviços, quer a famílias quer a empresas.

“Os bancos têm dito ‘presente’ nesta crise e têm demonstrado, desde o inicio, que estão absolutamente empenhados no apoio às famílias e empresas, e assim continuarão na fase que se segue, agora, de recuperação da economia”, frisou Norberto Rosa, pedindo aos deputados que levem em consideração “a pertinência e a oportunidade do avanço destes projetos de lei”, referindo-se às propostas sobre comissões bancárias, algumas delas aprovadas na generalidade no Parlamento no final de fevereiro. Nomeadamente, a limitação das comissões nas transferências MB Way, mas também o fim das comissões no processamento das prestações do crédito.

Pandemia reforça necessidade de rever travão às comissões

O secretário-geral da APB socorre-se precisamente do atual contexto difícil ditado pela pandemia para pedir aos deputados que revejam as decisões tomadas no final de fevereiro no Parlamento, alertando para os efeitos que também a banca pode sofrer.

“Tendo em consideração as consequências sociais, económicas e financeiras provocadas pela pandemia de Covid–19, será fundamental que a apreciação destas iniciativas legislativas seja agora feita à luz de um enquadramento que é radicalmente distinto daquele que existia quando as mesmas foram apresentadas”, desafiou Norberto Rosa.

“Organismos nacionais e internacionais antecipam uma das piores recessões da história, que seguramente terá impactos muito negativos (designadamente a nível de imparidades e do consumo de capital) também no setor bancário”, alertou o responsável da APB, salientando que “rentabilidade dos bancos, que já se encontra em níveis inferiores ao custo de capital, será fortemente afetada“.

Para além da “pressão adicional sobre a rentabilidade dos bancos“, Norberto Rosa diz que o travão às comissões pode “no limite, comprometer a estabilidade financeira“.

(Notícia atualizada às 13h40)

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