S&P corta rating da TAP devido ao coronavírus. Passa para o sexto nível de lixo

Agência de notação financeira reviu em baixa a avaliação de seis companhias aéreas, apontando para o impacto que a pandemia vai ter no setor.

A Standard & Poor’s cortou o rating da TAP e de cinco outras companhias aéreas. A revisão em baixa, anunciada esta quarta-feira, coloca a avaliação da empresa portuguesa em “B-“, um nível abaixo da anterior notação de “B”. Fica assim no sexto degrau de investimento especulativo, ou seja nível de “lixo”.

“O nosso downgrande da TAP Air Portugal, a transportadora aérea de Portugal, reflete a fraca geração de cash flow da companhia e a deterioração da liquidez”, explica a S&P num relatório divulgado esta quarta-feira. “Projetamos uma escassez material de fontes de liquidez nos próximos 12 meses”, alerta.

As estimativas da agência indicam que a empresa teria 250 a 300 milhões de euros em dinheiro em caixa a 31 de março para fazer face às necessidades financeiras. O montante compara com 60 milhões em amortizações de dívida e leasing, aos quais acrescem 300 a 350 milhões em rendas.

A pressão financeira é agravada pela forte redução nas receitas já que a esmagadora maioria dos voos estão suspensos. Apesar de 90% dos trabalhadores estarem em lay-off, a S&P considera que não será suficiente. “Vemos estas medidas como insuficientes para compensar a significativa queda nas receitas e antecipamos um fluxo financeiro negativo este ano”, diz.

O Governo está a trabalhar com a administração da TAP numa operação de capitalização da companhia que é detida em 50% pelo Estado, em 45% pela Atlantic Gateway e por 5% nas mãos de trabalhadores. A expectativa do Executivo é que esta tarefa esteja concluída em meados de junho.

Vemos uma probabilidade moderadamente elevada de a TAP Air Portugal receber apoio do Governo português“, diz a Standard & Poor’s, que deixa um aviso: ou a ajuda chega nos próximos três meses ou poderá cortar o rating novamente.

“Mantivemos o rating da TAP Air Portugal sob vigilância com implicações negativas para indicar que poderemos baixar mais a notação nos próximos 90 dias. Se nos parecer que a TAP não vai receber apoio público suficiente ou atempado, ou eventualmente procurar outras formas alternativas para melhorar a liquidez (o que consideraríamos preocupante), um downgrade de vários níveis é possível”, alerta.

(Notícia atualizada às 16h30)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

S&P corta rating da TAP devido ao coronavírus. Passa para o sexto nível de lixo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião