PS confia na “solidariedade” da UE para responder à crise

  • Lusa
  • 26 Maio 2020

À saída de uma reunião com o Governo, a última de dois dias de encontros entre António Costa e os partidos, o socialista José Luís Carneiro mostrou-se confiante na reposta europeia contra a crise.

O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, manifestou-se confiante na solidariedade da União Europeia para financiar os programas nacionais de investimento e de apoios sociais para resposta à crise provocada pela pandemia de Covid-19.

Esta posição foi transmitida no final de uma reunião com o primeiro-ministro, António Costa, em São Bento, sobre o Orçamento Suplementar e sobre o programa de estabilização económico e social, diplomas que o Governo apresentará em junho na Assembleia da República.

Ladeado pela presidente do Grupo Parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, e pela líder da JS, Maria Begonha, José Luís Carneiro elogiou a “abertura” do Governo às propostas apresentadas por diferentes partidos e por parceiros sociais para a resposta à crise.

Neste contexto, o secretário-geral adjunto do PS destacou depois que o Governo se prepara para avançar com programas para apoiar as micro, pequenas e médias empresas no plano da economia, mas também os cidadãos em situação de maior carência ou precariedade.

José Luís Carneiro referiu ainda que o Governo tenciona aumentar o investimento públicos em setores como as infraestruturas escolares, a habitação ou no Serviço Nacional de Saúde.

Questionado sobre a fatura que Portugal terá de pagar em termos de défice no final deste ano, o “número dois” da direção do PS defendeu que, perante as crises de saúde pública e económica e social, “é absolutamente indispensável que, a par dos instrumentos orçamentais nacionais, Portugal possa contar com a solidariedade da União Europeia”.

“A União Europeia já se pronunciou em dois momentos, o primeiro dos quais no âmbito do Eurogrupo, dando conta de que estariam disponíveis cerca de 540 mil milhões de euros com proveniência do Banco Europeu de Investimento (BEI), da própria Comissão Europeia e do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Depois, há dias, tivemos uma boa notícia de que, quer a França e a Alemanha, quer um conjunto de outros Estados-membros, defendem uma proposta para a qual Portugal também contribuiu”, respondeu.

José Luís Carneiro assinalou que essa proposta prevê cerca de 500 mil milhões de euros para “investimento nas condições de recuperação económica e social”.

“Em face da conjugação de todos estes instrumentos de natureza financeira, é possível encarar estas dificuldades pelas quais o país vai passar nos próximos meses com a expectativa e com a esperança lúcida de que se conseguirá ultrapassá-las”, sustentou.

Perante os jornalistas, o secretário-geral adjunto do PS apontou que, após o programa de estabilização, o país entrará então numa terceira fase de recuperação económica e social.

“Saímos desta reunião com a convicção de que, por um lado, há uma abertura do Governo para as propostas que os partidos têm vindo a fazer – um sinal de inequívoca vontade de cooperação com as forças políticas e sociais – e, por outro lado, existe uma leitura muito realista sobre os esforços que vamos ter de fazer e sobre o modo como teremos de ultrapassar as dificuldades”, disse.

Neste ponto, José Luís Carneiro fez então questão de salientar que, durante a reunião de hoje, tanto a presidente do Grupo Parlamentar do PS, como a líder da JS, apresentaram ao primeiro-ministro várias propostas, que em breve serão anunciadas por este partido.

Confrontado com afirmações momentos antes feitas pelo deputado do Chega André Ventura de que o Governo se prepara para acabar com o regime de lay-off simplificado, José Luís Carneiro não confirmou essa intenção do executivo. “É um assunto que competirá ao Governo anunciar, mas devo dizer que saí da reunião com outra convicção. Vamos aguardar pela decisão do Governo”, respondeu.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

PS confia na “solidariedade” da UE para responder à crise

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião