Carlos Moreira da Silva deixa liderança da BA Glass. Paulo Azevedo é o novo chairman

A mudança na liderança da companhia já foi aprovada pelos acionistas, na mesma altura em que foram dados a conhecer resultados históricos alcançados em 2019.

A BA Glass tem um novo chairman: Carlos Moreira da Silva, empresário e acionista de referência da BA, sai ao fim de 22 anos na gestão da companhia e para aquela função foi escolhido Paulo Azevedo, que também é presidente do conselho de administração da Sonae, revelou ao ECO uma fonte oficial da empresa.

Moreira da Silva controla direta e indiretamente 45% do capital da BA Glass, enquanto a família Silva Domingues outros 45%, e estava na gestão da BA Glass há 22 anos, dos quais os últimos como chairman, quando passou a gestão para Sandra Santos como presidente executiva. “Nos últimos dois anos, o conselho de administração empenhou-se no planeamento de uma mudança geracional que trouxesse para a administração o talento, a energia e as ideias frescas que a empresa precisa e merece para passar a um novo nível de crescimento e excecional desempenho”, refere a mensagem de Moreira da Silva aos acionistas.

A mudança na liderança já foi transmitida aos acionistas. Paulo Azevedo já era administrador não executivo da companhia, e passa agora a chairman, enquanto a presidente executiva continua a ser Sandra Santos. E esta mudança dá-se na mesma altura em que foram atingidos resultados históricos alcançados no ano passado. “Em 2019, continuámos a beneficiar de ventos favoráveis conduzidos pela preferência dos consumidores por vidro como melhor material de packaging para a saúde e proteção do planeta na maior parte dos mercados”, explica o relatório.

A BA Glass está presente em sete países, produz mais de oito biliões de garrafas por ano, em 11 cores, distribuídos por mais de 80 países e tem um total de doze fábricas e 3.800 funcionários. “As vendas consolidadas atingiram os 923 milhões de euros, um aumento de 8,1% face ao ano passado num perímetro industrial semelhante, apesar de se ter sentido algum impacto do abrandamento das grandes economias europeias no fim do ano”, aponta.

Com vendas próximas de mil milhões de euros, a BA Glass alcançou lucros de 148 milhões de euros no ano passado, mais 50,1% do que em 2018. O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi superior a 300 milhões.

Face a estes resultados, Carlos Moreira da Silva decidiu distribuir 8,7 milhões de euros dos lucros a trabalhadores em todas as subsidiárias no mundo (excluindo os gestores de topo deste prémio).

Uma história de 22 anos na BA

Carlos Moreira da Silva era um quadro superior da Sonae, muito próximo de Belmiro de Azevedo, quando lhe é apresentado o desafio da, então, Barbosa & Almeida. O próprio gestor conta, no livro dos 100 anos da companhia industrial, como chegou à empresa.

  • “Estava na Sonae há quase dez anos e em maio de 1998 comuniquei ao Eng.º Belmiro de Azevedo que ia sair, quando completasse os 10 anos, em setembro. Ele não aceitou com muita alegria, mas no final de Setembro fui, num domingo de manhã, a casa dele, em Marco de Canaveses, entregar-lhe os últimos papéis. E ele disse-me: – Isso não me interessa. Tenho aqui um dossiê para comprar uma empresa. E se aceitar ir para lá, eu gostava de iniciar um processo diferente da ligação ao grupo, com uma relação mais de investimento financeiro, sem entrar numa relação corporativa (de que eu era crítico). Eu queria sair mesmo, insisti. Ele disse-me: não pode negar estudar o dossier feito pelo BPI, tem no BPI à sua disposição uma pessoa que o pode esclarecer e tem de dar resposta até às 10 horas da noite, porque eu compro ou não amanhã. Eu disse: eu tenho de ir para Lisboa, para a TVI (onde era então administrador). Responde-me: telefona-me quando lá chegar! À noite, disse-lhe então: sim, senhor, desde que eu possa comprar ações. Resposta: – Isso arranja-se (e foi extremamente generoso!), pode endividar-se a comprar ações que eu dou a garantia. – Foi assim que, no final de setembro, vim falar com a minha antecessora e acordamos a transição. Porque achava o Eng.º Belmiro que eu devia vir para aqui? Tratava-se de um setor industrial a precisar de concentração na Península Ibérica, eu já tinha experiência desse tipo de processos através da Sonae Indústria, pelo que me disse: “acho que isto está feito à sua medida!”. E para aqui vim”.

(Notícia corrigida às 20h30 com informação sobre os lucros em 2019, que foram de 148 milhões de euros e não 48 milhões).

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