BCE mais otimista sobre economia do euro este ano. Antecipa recessão de 8%

Apesar de ter revisto em alta a projeção para o PIB em 2020, a recuperação poderá ser mais moderada e o BCE reviu em baixa as estimativas para 2021 e 2022.

O Banco Central Europeu (BCE) está mais otimista quando ao impacto inicial da pandemia na economia da Zona Euro, mas espera uma recuperação mais moderada. O cenário é de grande incerteza e esta evolução estará associada aos desenvolvimentos de saúde pública, segundo explicou esta quinta-feira a presidente Christine Lagarde, na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Governadores.

A autoridade monetária europeia reviu em alta as projeções para o PIB da Zona Euro para -8% (contra a anterior estimativa de 8,7%), anunciou. Já para 2021 e 2022, a revisão foi em baixa, sendo agora esperado um crescimento de 5% (menos 0,2 pontos) e 3,2 (menos 0,1 pontos), respetivamente. Esta evolução é esperada após um tombo de 11,4% da economia dos países da moeda única no segundo trimestre do ano (com Portugal entre os mais penalizados).

Lagarde explicou que, desde a última reunião em julho, a Zona Euro mostrou “uma forte recuperação na atividade económica em linha com as anteriores expectativas, apesar de o nível de atividade se manter muito abaixo dos anteriores ao coronavírus”. A indústria continua a melhorar, enquanto os serviços desaceleraram pelo que “a força da recuperação continua rodeada de significativa incerteza”.

O equilíbrio de riscos para o outlook económico da Zona Euro mantém-se, assim, negativo. “Esta avaliação reflete amplamente as, ainda incertas, implicações económicas e financeiras da pandemia”, explicou. Face a este cenário, “amplos estímulos monetários continuam a ser necessários para apoiar a recuperação económica e para salvaguardar a estabilidade dos preços a médio prazo”.

No encontro, o Conselho de Governadores decidiu não fazer quaisquer mudanças no programa de emergência pandémica (PEPP, na sigla em inglês) que tem uma dotação total de 1,35 biliões de euros. “Face às atuais circunstâncias, é muito provável que todo o envelope do PEPP seja usado para desenvolver as economias“, disse Lagarde. Questionada sobre um eventual reforço do programa de compra de dívida (que já foi alvo de um aumento), a presidente do BCE garantiu que “o Conselho de Governadores não discutiu um alargamento do PEPP“.

Além desta rede de segurança que permitiu aos países fazerem face ao aumento das necessidades de financiamento, também a União Europeia já tem em curso um plano conjunto com 1,8 biliões de euros para apoiar a recuperação. De forma inédita, a União Europeia vai emitir dívida para financiar parte do capital e Lagarde confirmou que estes títulos podem ser comprados pelo BCE. “É mais uma forma de ajudarmos”, concluiu.

(Notícia atualizada às 15h10)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

BCE mais otimista sobre economia do euro este ano. Antecipa recessão de 8%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião