Marcelo admite estado de emergência no Natal para travar “terceira vaga” em janeiro

O Presidente da República admite que Portugal poderá continuar em estado de emergência durante todo o mês de dezembro, incluindo no Natal, para travar uma terceira vaga da pandemia em janeiro de 2021.

O Presidente da República avisou os portugueses de que poderá ser necessário o país continuar em estado de emergência durante todo o mês de dezembro, incluindo no Natal, para travar uma terceira vaga em janeiro de 2021.

Numa declaração ao país, Marcelo Rebelo de Sousa avisou: “É provável que uma nova subida de casos, uma terceira vaga, possa ocorrer entre janeiro ou fevereiro. E será tanto maior quanto o número de casos um mês antes.” Assim, apelou à manutenção do distanciamento social: “Não facilitem os portugueses em dezembro.”

A comunicação ao país foi transmitida pela RTP, na qual o chefe de Estado começou por confirmar ter decretado a renovação do estado de emergência das 00h00 de dia 24 de novembro às 23h59 de 8 de dezembro, como aprovado esta sexta-feira pelo Parlamento. Mas deixou claro que, no que depender do Presidente da República, o estado de emergência é para manter enquanto “for necessário” para o combate à pandemia.

Dito isto, falando na “ponderação, em devido tempo, de uma segunda renovação” entre 9 e 23 de dezembro, “ou mais renovações posteriores”, o Presidente da República endureceu o discurso: “Que ninguém se iluda. Não hesitarei um segundo em propô-las, para que o Governo disponha de bases suficientes para aprovar o que tem de ser aprovado.”

Marcelo transmite seis mensagens aos portugueses

Foram meia dúzia de mensagens que o Presidente da República quis deixar aos portugueses esta sexta-feira, a poucas horas do início de mais um fim de semana em que milhões de portugueses nos concelhos de maior incidência da Covid-19 vão ser forçados ao recolhimento domiciliário a partir das 13h00.

  1. “Apesar de sinais de ligeira descida do indicador de propagação do vírus, e de desaceleração do crescimento nos concelhos em que se interveio há mais tempo, sobe o número de mortes, o número de cuidados intensivos, o número de internados em geral, e poderá atingir valores máximos entre o final de novembro e o início de dezembro”, começou por dizer Marcelo Rebelo de Sousa.
  2. “Confirmam os especialistas que as medidas demoram cada vez mais a produzir os efeitos visados, e quanto mais tarde forem tomadas menos eficazes serão, e mais tempo terão de durar”, frisou o chefe de Estado de seguida.
  3. O Presidente da República reconheceu também, uma vez mais, a possibilidade de serem tomadas medidas específicas para grupos de concelhos com diferentes graus de incidência da Covid-19: “Dispomos agora de dados mais específicos sobre os casos que permitem juntar às medidas comuns ou globais, medidas ajustadas à situação de grupos de concelhos com graus diversos de gravidade na sua incidência, isto é, na gravidade da pandemia”, sublinhou.
  4. “É provável que nova subida de casos, ou mais simplesmente uma terceira vaga possa ocorrer entre janeiro e fevereiro, e será tanto maior quanto maior for o número de casos um mês antes. Ou seja, importa tentar conter fortemente em dezembro o processo pandémico, mesmo que ele, dias antes, aparentasse ter passado o pico da chamada segunda vaga”, avisou Marcelo Rebelo de Sousa.
  5. De seguida, o Presidente falou sobre as sucessivas renovações do estado de emergência que agora anteviu: “Se tudo isto impuser a ponderação em devido tempo de segunda renovação do estado de emergência, de 9 a 23 de dezembro, ou mesmo mais renovações posteriores, que ninguém se iluda: não hesitarei um segundo em propô-las, para que o Governo disponha de base suficiente para aprovar o que tem de ser aprovado”, garantiu.
  6. E a sexta mensagem foi sobre o setor da saúde: “No pensamento de responsáveis políticos, como no de todos os portugueses, encontra-se presente a brutal pressão que existe sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e mesmo o sistema nacional de saúde em geral. Pressão essa que vai aumentar nos próximos dias e semanas, e que cumpre evitar que culmine em situações críticas generalizadas, o que implica a exigência de tentar conter o curso da pandemia em dezembro, e certamente também nos primeiros meses de 2021.”

Rutura do SNS seria algo “dramático para os doentes Covid e não-Covid”

O Presidente da República lembrou, de seguida, que “a vacina, que tem de ser para todos os que a desejarem, não cobrirá esses, e outros que a ela adiram mais tarde, em menos de alguns meses”. Isto é, que ainda levará algum tempo até que a população seja vacinada de forma massificada.

Até lá, a pandemia tem de ser controlada, porque a rutura do SNS seria algo “dramático” para todos aqueles que necessitam de cuidados de saúde: “Atingir situações críticas generalizadas nas nossas estruturas de saúde será dramático para os doentes Covid e muitos, muitos mais, doentes não-Covid”, alertou.

“Portugueses, com base no que acabo de vos dizer, o que temos a dar como certo é que o estado de emergência dure o que for necessário ao combate à pandemia. Sempre com o controlo e o conteúdo democráticos decorrentes da Constituição. E que se atue para quebrar a curva ainda ascendente de casos”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Tempo houve ainda para um recado. “Que não se facilite. Não facilitem os decisores políticos, não facilitem os portugueses, em dezembro — do início ao fim de dezembro –, para não ter de se sofrer um agravamento pesado ao virar de 2021″, atirou.

Ainda não é tempo de “julgar responsáveis”. “Não faltarão eleições para isso”

O chefe de Estado terminou com um apelo à união de todo os cidadãos: “Que não se dividam, irreparavelmente, entre os defensores da vida e da saúde e os defensores da economia, da sociedade e da cultura; entre os defensores da dureza sanitária e os defensores da abertura económica.”

Numa altura em que já houve notícias de protestos contra as restrições impostas para controlar a pandemia em algumas zonas do país, Marcelo Rebelo de Sousa apelou ainda à rejeição da violência: “Que recusem a violência na discussão democrática”, disse.

“E que partidos e parceiros sociais continuem a fazer a convergência possível. Há mais que tempo para se ajuizar de atos e autores, para demarcar campos e para apurar e julgar responsáveis. Não faltarão eleições para isso. Este tempo ainda é outro. Tempo de convergir no possível, mesmo que discordando”, avisou.

(Notícia atualizada pela última vez às 20h52)

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