Fundação Oriente injeta 4,75 milhões no BPG. Mete 30 milhões no banco em três anos

Fundação Oriente prossegue limpeza do banco antes de fechar venda ao grupo árabe IBB Bahrein Holdings. Vai injetar mais 4,75 milhões depois dos 26 milhões injetados desde 2018.

Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente.

A Fundação Oriente prepara-se para injetar mais 4,75 milhões de euros no Banco Português de Gestão (BPG), dando continuidade à limpeza do balanço da instituição financeira antes da conclusão da venda ao grupo árabe IBB Bahrein Holdings.

O aumento de capital, que deverá ser aprovado na assembleia geral da próxima semana, tem como objetivo reforçar o capital do BPG perante as imparidades para crédito num banco com elevado nível de crédito malparado: terminou 2019 com um rácio de non performing loans (NPL) de 37,5% do total de crédito bruto, que totalizava os 87,9 milhões de euros no final do ano passado.

O BPG é atualmente liderado por Carlos Monjardino e detido em 93,4% pela Fundação Oriente. Além da fundação, o banco tem ainda como acionistas a Fundação Stanley Ho (0,62%) e a STDP (2,88%), entre outros investidores detentores de 3,1% do capital.

Desde 2018, os acionistas já injetaram 26,2 milhões de euros no banco. Ou seja, após o novo reforço, o BPG verá o seu capital reforçado em mais de 30 milhões de euros em apenas três anos, passando dos 53 milhões de euros para os 84,7 milhões.

Estas operações devem-se sobretudo ao esforço de limpeza do balanço que tem sido feito nos últimos. O BPG havia fechado 2018 com um rácio de NPL de 65,4%. O nível de empréstimos problemáticos baixou, entretanto, para 37,5% do total de crédito. Esta limpeza tem um custo e daí que o banco tenha acumulado prejuízos de 23 milhões de euros entre 2018 e 2019. Não são conhecidos resultados de 2020.

Acionistas do BPG já injetaram 31 milhões desde 2018

Fonte: BPG

A limpeza do balanço era condição essencial para a venda da instituição aos árabes da IBB Bahrein Holdings. Cerca de ano e meio depois de o ECO ter revelado o negócio, “o processo de venda continua em curso”, diz fonte oficial da Fundação Oriente. Este é o mesmo grupo árabe que se prepara para comprar o Banco Efisa, um dos despojos do BPN que estava nas mãos da Parvalorem, por 27 milhões de euros.

Conforme revelou o ECO, a IBB Bahrein Holdings já criou a sociedade em Portugal para “albergar” os dois bancos. A IIB Holding Portugal foi formalmente constituída no dia 4 de junho, apresentando um administrador único (Sohail Sultan Ahmad) e um capital social de 50 mil euros.

Na assembleia geral da próxima quarta-feira, dia 9, os acionistas do BPG vão votar ainda os novos órgãos sociais e o conselho estratégico do banco para o mandato 2020-2023.

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