Portugal “empurra” 1.376 milhões de euros em dívida para 2028 e 2029
Tesouro realizou esta quarta-feira uma operação de troca de obrigações do Tesouro. Recomprou títulos que atingiam a maturidade em 2021 e 2022 e emitiu, em alternativa, outros com prazo em 2028 e 2029.
Portugal aproveitou os juros em mínimos históricos para adiar o reembolso de 1.376 milhões de euros em dívida. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP conduziu esta quarta-feira uma operação de troca de obrigações do Tesouro (OT), na qual empurrou títulos que venciam nos próximos dois anos por cerca de sete anos.
Por um lado, o IGCP recomprou 692 milhões de euros em OT que venciam a 15 de abril de 2021 e mais 684 milhões em títulos com prazo em 17 outubro de 2022. Por outro, emitiu 592 milhões de euros em nova dívida que atinge a maturidade a 17 de outubro de 2028 e 784 milhões a 15 de junho de 2029.
Esta troca serve não só para prevenir a acumulação de reembolsos numa data, mas principalmente para o país aproveitar os juros cada vez mais baixos na dívida conseguidos graças à rede de segurança do Banco Central Europeu (BCE). A 26 de novembro, Portugal ultrapassou mesmo um marco histórico quando as obrigações benchmark (ou seja, a dez anos) caíram pela primeira vez para “terreno” negativo, ainda que apenas por breves instantes.
Atualmente, a yield desta dívida situa-se no mercado secundário em 0,073%, enquanto toda a curva até aos nove anos tem juros negativos. A perspetiva do ministério das Finanças é que estas taxas venham, em breve, a fazer-se sentir no custo total do stock da dívida, além de na nova dívida, segundo explicou o gabinete de João Leão em declarações ao ECO.
A pandemia agravou, no pico desta crise, o custo de financiamento do país, algo que rapidamente foi revertido. E apesar dos encargos com a nova dívida terem aumentado face ao momento anterior à chegada da Covid-19, para 0,6% até outubro, o custo total da dívida vai voltar a baixar este ano.
Além das emissões de dívida no mercado, também o dinheiro vindo da Europa tem baixos custos. Portugal recebeu, esta terça-feira, a primeira tranche do empréstimo no âmbito do SURE, programa europeu que apoia os Estados-membros no seu esforço de proteção dos trabalhadores e empresas, no valor de 3 mil milhões de euros. Segundo revelou o ministério ao ECO, este empréstimo terá maturidade em julho de 2035 e uma yield negativa de 0,102%.
Assim, “o custo médio da dívida (stock) em 2020 é de 2,2% (estimativa), que compara com 2,5% em 2019″, de acordo com as Finanças. Este é o valor mais baixo desde que há registos, ou seja, desde 2010, apesar do endividamento do país continuar a aumentar, batendo recordes tanto em termos absolutos como em função do PIB. A dívida portuguesa ascendeu a 267.114 milhões de euros em setembro, devendo chegar a 134,8% do PIB no final de 2020.
Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente
Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.
O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.
De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.
António Costa
Publisher do ECO
Comentários ({{ total }})
Portugal “empurra” 1.376 milhões de euros em dívida para 2028 e 2029
{{ noCommentsLabel }}