PSD e BE querem saber se Governo deu aval a aumentos nos salários da TAP

A Comissão de Vencimentos da TAP decidiu em outubro atualizar os salários de três administradores face a novas funções assumidas aquando da reorganização acionista. Partidos pedem reversão da decisão.

O PSD e o Bloco de Esquerda querem saber se o Governo deu aval aos aumentos salariais da TAP. Como o ECO avançou esta segunda-feira, três administradores viram as remunerações serem revistas em alta dias antes da entrega do plano de reestruturação da empresa em Bruxelas, incluindo o CEO interino Ramiro Sequeira que duplicou os rendimentos. Os dois partidos pedem ao Governo se confirma os valores e se vai reverter a decisão.

“O país acordou ontem perplexo com a notícia de que vários administradores da TAP foram aumentados nos últimos meses. Entre eles, avulta o aumento do CEO interino, Ramiro Sequeira, o qual, segundo as informações divulgadas, beneficia de um aumento superior a 100%, auferindo perto de 500 mil euros por ano. É deplorável que tal suceda quando se está na iminência de verificar na TAP o maior despedimento coletivo público de que há memória e a impor perdas significativas nos salários dos seus colaboradores”, começa por dizer o PSD, em comunicado.

A Comissão de Vencimentos da TAP decidiu em outubro atualizar os salários de três administradores face a novas funções assumidas aquando da reorganização acionista. Com a passagem a CEO interino da TAP, o salário de Ramiro Sequeira passou para 35 mil euros brutos por mês (dos anteriores 17 mil que ganhava enquanto chief operating officer).

“Mais ainda, quando o beneficiário em causa é CEO a título interino, e se arrasta irresponsavelmente a escolha do novo CEO — o que é incompreensível quando a empresa está a renegociar a sua reestruturação”, continua o PSD. “Não será deste modo que se encontra a paz social na empresa e se criam as condições para que qualquer plano seja coroado de êxito. Não será deste modo, manchando a reputação da empresa e descredibilizando-a perante Bruxelas, decidindo em sentido oposto ao que está inscrito no plano de reestruturação para os demais trabalhadores, que se negoceia com a Comissão Europeia em condições adequadas”.

O CEO interino não foi o único a ver o salário revisto face às novas funções. Miguel Frasquilho, presidente do conselho de administração da TAP SA e da TAP SGPS, passou a ganhar 13,5 mil euros brutos por mês (14 vezes ao ano) face aos anteriores 12 mil euros. Neste caso, a revisão estará relacionada com novas funções assumidas na Portugália e na TAP SGPS, devido à saída de Humberto Pedrosa. Alexandra Vieira Reis, que já era diretora da TAP e ganhava 14 mil euros mensais (12 mil euros fixos a que acresce um complemento salarial de dois mil euros), entrou na comissão executiva e passou a ganhar 25 mil euros por mês.

“Este é mais um episódio do modo opaco, errático como se conduz os destinos da empresa, lesivo do interesse público que o Governo tem por missão defender. Esta decisão mina a confiança dos cidadãos num Governo que decidiu colocar 3,7 mil milhões de euros dos seus impostos, mas que persiste em se recusar a dar a conhecer ao parlamento o plano de reestruturação que será objeto de negociação em Bruxelas, privando os representantes dos portugueses de exercerem qualquer escrutínio”, critica o partido liderado por Rui Rio. O líder do partido tinha já recorrido às redes sociais para criticar o caso.

O PSD questiona, por isso, o Governo se confirma os valores que forma tornados públicos e se já deu ou vai dar orientações para que esta decisão seja revertida com caráter imediato e efeitos retroativos, se for o caso. Da mesma forma, o Bloco de Esquerda pergunta se “está o Governo disponível para rever esta decisão?”, lembrando que o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, “referiu, no Parlamento, que iriam verificar possíveis ‘mordomias’ na administração e que os cortes salariais seriam transversais à empresa”. Face a essas perguntas, o BE pergunta a Pedro Nuno Santos “como explica esta decisão”.

Numa questão enviada para o Ministério das Infraestruturas e Habitação, através do Parlamento, os bloquistas consideram que “não é compreensível ou aceitável que se esteja a prever cerca de 2.000 despedimentos e reduções salariais de 25% aos trabalhadores e, ao mesmo tempo, se decidam subidas salariais na administração”.

Não se podem pedir todos os sacrifícios aos trabalhadores, enquanto os elementos da administração, que auferem salários muito acima da média da empresa, veem o seu rendimento aumentado de forma substancial”, argumenta o Bloco de Esquerda.

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