TAP corta ainda mais voos em fevereiro e março perante novas restrições da Covid-19

No próximo mês, a TAP vai operar apenas 19% a 22% do que no mesmo mês de 2020. No seguinte, a quebra deverá ser para 25% a 28%. Em ambos os casos são revisões em baixa face à anterior estimativa.

As novas estirpes do coronavírus e as restrições recentemente impostas pelos vários países, incluindo Portugal, levaram a TAP a cortar ainda mais os planos de voos para os próximos meses. Em fevereiro e março, a companhia aérea vai operar entre 19% e 28% do que voou nos mesmos meses do ano passado, de acordo com uma comunicação interna do CEO Ramiro Sequeira, a que o ECO teve acesso.

“Vivemos numa incerteza persistente, assistimos a uma queda imediata tanto nas reservas de entrada como nas de saída. Esta queda não só afeta as nossas receitas nestes mercados, mas também em vários mercados de ligação”, diz Sequeira na carta aos trabalhadores. “Deste modo, embora prossigam os esforços diplomáticos com os governos destes países, teremos de reduzir significativamente a operação prevista para fevereiro e março“.

O agravamento do número de casos (em especial relacionados com duas novas estirpes de coronavírus no Reino Unido e Brasil) causou a imposição de restrições e quarentenas em mercados chave para a TAP como é o caso da Europa, Brasil, Canadá e EUA. Em simultâneo, foram suspensas as ligações aéreas entre Portugal e o Reino Unido, bem como entre Portugal e Angola, o traz “elevados constrangimentos” à atividade, “contrariando as projeções já de si pouco animadoras”.

“Face às recentes evoluções, prevemos voar em fevereiro entre 19% e 22% dos níveis voados em fevereiro de 2020, pré-pandemia. Em março estimamos, agora, uma oferta de voos entre os 25% e os 28% face a março de 2020, primeiro mês em que sentimos o impacto da pandemia, durante o qual cortamos a nossa capacidade (ASK) em 34%. Tratam-se de revisões em baixa, face à nossa última previsão, menos 30% para fevereiro e menos 15% em março“, explica Sequeira.

Natal e passagem de ano piores que o previsto

As revisões em baixa dos voos para os próximos dois meses seguem-se a um período de Natal e passagem de ano pior que o esperado pela empresa. “No mês de dezembro não se verificou o esperado aumento de procura do período das festas, em virtude do agravamento, que persistiu, das medidas restritivas por toda a Europa”. No último mês de 2020, a TAP reduziu em 67% a capacidade face a dezembro de 2019, e em 70% o número de voos no mesmo período de análise.

“Ainda que os dados reportados se refiram a dezembro de 2020, o que gostaríamos de destacar é o impacto operacional da denominada 3º vaga da pandemia e da descoberta de uma nova estirpe do vírus no Brasil, imediatamente a seguir ao drama sanitário que assola todo o mundo e particularmente Portugal, que entrou na passada sexta-feira num novo período de confinamento para combater a evolução da pandemia no nosso país”, destaca Sequeira. Apesar do cenário, o CEO diz ver com bons olhos a adoção, por cada vez mais países, do teste PCR negativo para viajar, o que confere “confiança e previsibilidade” à atividade.

A par do contexto operacional, Ramiro Sequeira diz ter presente as muitas questões relacionadas com o detalhe e com o calendário da implementação das medidas constantes do plano de reestruturação da empresa.

“Continuamos a dialogar com todas as entidades representativas dos trabalhadores e estamos a envolver progressivamente todas as áreas. De novo asseguramos que assim tenhamos todos os detalhes definidos, os mesmos serão comunicados a toda a organização. Permanecemos convictos que o Plano de Reestruturação do Grupo TAP apresentado, que agora carece de definição e implementação concreta, permitirá o seu gradual e progressivo reequilíbrio económico-financeiro e, dessa forma, assegurará a sua sobrevivência sustentável”, acrescenta.

(Notícia atualizada às 12h30)

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