Biden afasta conflito com China. “Mas vai haver concorrência extrema”

  • Lusa
  • 7 Fevereiro 2021

Em entrevista à CBS, o Presidente dos EUA afirmou que o seu homólogo chinês "não tem um grama de democracia em si". Biden adiantou que rivalidade com China se traduzirá em "concorrência extrema".

O Presidente dos EUA, Joe Biden, disse este domingo que a rivalidade com a China vai traduzir-se numa “concorrência extrema”, mas assegurou que quer evitar qualquer conflito entre as duas potências mundiais.

Numa entrevista à televisão norte-americana CBS, de que foram divulgados apenas excertos, Biden diz que ainda não falou com o homólogo chinês, Xi Jiping, mas frisou não ter “nenhuma razão para não lhe telefonar” e que “há muito para falar”.

“Ele é muito inteligente, é muito duro. Ele não tem – e não digo isto como uma crítica, é apenas a realidade -, ele não tem um grama de democracia em si”, acrescentou o Presidente norte-americano na entrevista, que será divulgada ainda este domingo.

“Sempre lhe disse que não precisamos de ter um conflito. Mas vai haver uma concorrência extrema. E não o vou fazer da maneira que ele sabe. E é por isso que ele também está a enviar sinais. Não o vou fazer da maneira que Trump o fez. Vamos concentrar-nos nas regras internacionais”, acrescentou.

A China é considerada por Washington como o seu principal adversário estratégico.

"Sempre lhe disse que não precisamos de ter um conflito. Mas vai haver uma concorrência extrema. E não o vou fazer da maneira que ele sabe. E é por isso que ele também está a enviar sinais.”

Joe Biden

Presidente dos EUA

Apesar disso, no seu primeiro discurso sobre política externa, na semana passada, Joe Biden foi relativamente vago quanto ao assunto, prometendo apenas estar disposto a enfrentar “o avanço do autoritarismo, em particular as ambições crescentes da China”.

Biden disse então também que se vai empenhar, sem precisar, em “contrariar os abusos económicos da China” e os seus “atos de agressão” e que vai defender os direitos humanos, embora esteja determinado a trabalhar com Pequim “quando isso for do interesse dos Estados Unidos”.

Sanções ao Irão se acordo nuclear não for cumprido

Na mesma entrevista, Joe Biden disse que os EUA manterão as sanções contra o Irão enquanto este país do Médio Oriente não respeitar os compromissos assumidos sobre o acordo nuclear.

Questionado sobre a possibilidade de suspender as sanções para convencer Teerão a voltar à mesa das negociações para salvar o acordo nuclear com o Irão, Joe Biden respondeu prontamente: “não”.

Segundo um trecho desta entrevista, a qual será transmitida integralmente esta tarde, a jornalista questionou Biden se os iranianos devem primeiro “deixar de fazer o enriquecimento do urânio” e o Presidente anuiu com um sinal de cabeça.

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