BRANDS' ECO Quais os desafios da pandemia para as empresas portuguesas?

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  • 1 Março 2021

Muitas empresas saíram afetadas com as restrições que a pandemia obrigou a criar. A CCIP ajuda todo o tipo de organizações a superarem o desafio da Covid-19 e incentiva à internacionalização.

Tanto o pequeno como o grande comércio sofreram com a chegada da pandemia. O vírus fechou toda a gente em casa e, claro está, muitas empresas encerraram – algumas temporariamente, outras de forma permanente.

A imprevisibilidade da situação apanhou todos de surpresa e não permitiu que fosse feita uma preparação prévia para o período de crise que as empresas portuguesas e de todo o mundo atravessam atualmente.

A Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), que já promovia o desenvolvimento das empresas portuguesas a nível nacional e internacional desde 1834, tem agora acompanhado de perto as dificuldades e desafios das organizações e teve de se adaptar à nova realidade para conseguir ajudar os seus associados a ultrapassarem o momento pandémico.

Mas o que faz a CCIP?

A CCIP é uma associação empresarial privada, que conta com uma vasta rede de clientes e parceiros espalhados pelo país, em todos os diferentes setores de atividade e com variadas dimensões e índices de faturação.

Apoiar as empresas no crescimento nacional e internacional é o objetivo da CCIP, que se afirma como um parceiro para a internacionalização da economia nacional e promotor da ligação entre as PME e as grandes empresas.

João Pedro Guimarães, Secretário-Geral da CCIP, explica que a Câmara de Comércio tem um conjunto de serviços específicos de apoio às empresas – promoção empresarial, formação, networking, eventos e webinars, centro de arbitragem comercial, apoio jurídico e fiscal, escritórios virtuais, entre outros.

João Pedro Guimarães, Secretário-Geral da CCIPCCIP

“No que respeita à internacionalização, estamos muito focados em apoiar as empresas dentro destes seguintes vetores: documentos para a exportação; seminários presenciais e virtuais sobre mercados; missões empresariais presenciais e virtuais; consultoria individual de abordagem a novos mercados; procura de agentes comerciais a nível internacional e marcação de reuniões internacionais de forma virtual”, acrescentou João Pedro Guimarães.

Dificuldades para empresas exportadoras

“A pandemia trouxe consigo uma série de novos desafios, para nós e para as empresas exportadoras”, começou por dizer o Secretário-Geral da CCIP.

O principal objetivo da CCIP quando a pandemia eclodiu era que as empresas pudessem ter acesso aos serviços que, anteriormente, eram 100% presenciais, mas, agora, sem sair de casa.

"Não tenho dúvidas de que as nossas empresas, em termos gerais, deram uma excelente resposta, como tem vindo a ser hábito, e minimizaram os impactos terríveis que se avizinhavam no início da pandemia.”

João Pedro Guimarães

Secretário-Geral da CCIP

“Isso aconteceu mais rápido do que nós pensávamos que seria possível e com resultados muito positivos para as empresas. Neste momento temos um plano absolutamente flexível, com mais de 80 ações de apoio à internacionalização espalhadas ao longo do ano”, contou João Pedro Guimarães.

Ainda assim, o Secretário-Geral da CCIP admitiu que as dificuldades existiram e que ainda continuam a existir para muitas empresas: “As principais dificuldades que verificamos estão relacionadas com a falta de acesso a financiamento, estancamento de encomendas a nível internacional, dificuldade de acesso a matérias-primas e questões logísticas difíceis”.

Contudo, o contacto direto que a CCIP tem com os seus associados também lhe permitiu perceber vários tipos de resposta à pandemia. João Pedro Guimarães referiu casos negativos, mas também positivos. “Obtivemos diferentes tipos de feedback em relação a como correu o último ano, com algumas situações dramáticas, mas, também, muitas outras de resiliência e, inclusivamente, de incrementos na sua faturação. Não tenho dúvidas de que as nossas empresas, em termos gerais, deram uma excelente resposta, como tem vindo a ser hábito, e minimizaram os impactos terríveis que se avizinhavam no início da pandemia”.

Pontos positivos da pandemia: digitalização e inovação

“Em todas as crises é possível retirar aspetos positivos. Eu penso que o mais evidente se relaciona com o processo de transição digital. Muitas empresas foram forçadas a abraçar a digitalização, numa lógica de ‘sim ou sim’. Era uma questão de sobrevivência”, afirmou o Secretário-Geral da CCIP.

A melhoria dos websites, da forma de interação com os clientes internos e externos, dos softwares de gestão, da segurança dos ficheiros, entre outras coisas, são agora uma realidade para muitas empresas que, anteriormente, não apostavam tanto nesta área.

João Pedro Guimarães referiu ainda que “atualmente se olha para o marketing digital e para a sua importância de uma forma completamente diferente de há um ano atrás”. Aquilo que “não eram considerados investimentos prioritários nesta área, passaram a ser fundamentais”.

Além da transição digital, o Secretário-Geral da CCIP destacou ainda a inovação das empresas durante o período pandémico: “Muitas empresas viram os seus negócios registar quebras de encomendas significativas, vendo-se forçados a inovar nos seus produtos ou serviços, adaptando-se a uma nova realidade”.

De acordo com João Pedro Guimarães, as empresas que mais rapidamente perceberam a necessidade de mudar e de se reinventarem, são aquelas que também vão superar as dificuldades que a pandemia trouxe com menores dificuldades.

Aumento da exportação e internacionalização

“As exportações nacionais têm vindo a registar uma subida muito interessante nos últimos 10 anos, com mais 10 mil empresas a exportarem, num total de 35 mil empresas exportadoras em 2019. Se, em 1996, as exportações tinham um peso no PIB de cerca de 26%, em 2006 tinham 30% e, em 2019, contaram com cerca de 45%”, descreveu o Secretário-Geral da CCIP.

"Estamos a ter, claramente, uma procura maior em todos os nossos serviços de apoio à internacionalização, nomeadamente pela transição para o digital – webinars, formação e agendamento de reuniões online/missões virtuais.”

João Pedro Guimarães

Secretário-Geral da CCIP

Para estes valores contribuíram muito os fundos europeus que, de acordo com João Guimarães, “permitiram a estas empresas uma modernização, capacitação e presença assídua nos mercados internacionais”.

No entanto, para que os valores continuem a crescer, vai ser necessário apostar mais a nível internacional. Quem o diz é o Secretário-Geral da CCIP, que ainda deu algumas sugestões do que se pode fazer.

“Deixo alguns exemplos: apostar na criação de uma marca Portugal de excelência; fazer lobby governamental forte em mercados estratégicos para o nosso país; utilizar dinheiro proveniente dos fundos (designadamente do Plano de Recuperação e Resiliência) para capitalizar as empresas, exigindo contrapartidas de resultados; reforçar a presença robusta de Portugal em certames internacionais e com deslocação de comitivas empresariais frequentes ao estrangeiro”, enumerou.

Quanto à internacionalização, João Pedro Guimarães sublinhou a grande procura por parte das empresas nesse sentido. “Estamos a ter, claramente, uma procura maior em todos os nossos serviços de apoio à internacionalização, nomeadamente pela transição para o digital – webinars, formação e agendamento de reuniões online/missões virtuais”, admitiu.

"Agora as feiras não se estão a realizar, as deslocações estão limitadas, mas a procura de bens e serviços continua e, por isso, as empresas mais dinâmicas continuarão sempre a procurar um caminho – aquele que lhes for possível fruto das circunstâncias – para manterem níveis de faturação que causem o menor impacto nos seus negócios.”

João Pedro Guimarães

Secretário-Geral da CCIP

Ainda assim, não deixou de ressalvar a importância das missões presenciais que, neste momento, não podem acontecer devido às restrições de entrada em alguns países onde pretendiam ir. “Nestes casos passamos a missão para virtual e asseguramos que as empresas têm as reuniões previstas. Mesmo assim, continuamos a acreditar que as missões presenciais não podem ser descartadas pois o contacto pessoal é sempre diferente”, assegurou.

Nas missões presenciais que fizeram durante a pandemia, o Secretário-Geral da CCIP garantiu que, em todas, foram bem recebidos: “Realizámos [em 2020] quatro missões presenciais, apesar da pandemia, num ambiente de total segurança e com algumas das empresas a conseguirem ordens de encomenda nas semanas que se seguiram à missão, o que é extraordinário nesta fase. Já em 2021, estivemos no Egipto com uma ação presencial, com várias empresas, e correu também muito bem”.

“Agora as feiras não se estão a realizar, as deslocações estão limitadas, mas a procura de bens e serviços continua e, por isso, as empresas mais dinâmicas continuarão sempre a procurar um caminho – aquele que lhes for possível fruto das circunstâncias – para manterem níveis de faturação que causem o menor impacto nos seus negócios”, disse João Pedro Guimarães.

"Nos últimos cinco anos ajudámos mais de 500 empresas, com taxas de 90% de satisfação em relação aos contactos conseguidos, com contentores enviados e serviços prestados para os cinco continentes, nos mais variados setores.”

João Pedro Guimarães

Secretário-Geral da CCIP

A ajuda da CCIP na internacionalização das empresas portuguesas

A CCIP tem consultores em mais de 90 países e é procurada para a preparação de agendas de reuniões na quase totalidade dos mercados em que trabalha. Por isso, enquanto intermediária no apoio à internacionalização, a CCIP é responsável por garantir que as empresas portuguesas exportadoras estejam frente a frente com potenciais clientes, importadores ou distribuidores nesses mais de 90 países.

“Nos últimos cinco anos ajudámos mais de 500 empresas, com taxas de 90% de satisfação em relação aos contactos conseguidos, com contentores enviados e serviços prestados para os cinco continentes, nos mais variados setores”, afirmou o Secretário-Geral da CCIP.

A mais-valia da intermediação da CCIP está, sobretudo, em poupar tempo, dinheiro e recursos às empresas no processo de desenvolvimento do negócio inicial, sendo que mais de 85% das empresas fecham negócios no curto prazo.

Por essa razão, a procura de oportunidades em novos mercados tem sido uma realidade. As empresas veem nesta opção o fator de diversificação e de minimização do risco.

“A CCIP tem vindo, desde 2015, a concentrar os seus planos de ações de apoio à internacionalização em geografias maioritariamente fora da UE (para onde estão concentradas cerca de 70% das nossas exportações)”, disse João Pedro Guimarães. Nos últimos cinco anos muitas das missões presenciais da CCIP passaram pelo México, Rússia, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Irão e Coreia do Sul, que são alguns exemplos de mercados de destino fora do eixo tradicional de exportação portuguesa (UE e PALOP), o que ajuda a minimizar a concentração das empresas.

Neste momento, a procura tem sido maior para países africanos, América Latina, Médio Oriente e Sudoeste Asiático.

"O Governo tem de disponibilizar de forma rápida linhas de apoio mais robustas, priorizar o destino dos fundos europeus e injetar esse dinheiro em projetos capazes e que permitam a Portugal alavancar as suas exportações de forma exponencial. Temos muitas empresas que continuam a aguardar por decisões de projetos de internacionalização submetidos há mais de 1 ano.”

João Pedro Guimarães

Secretário-Geral da CCIP

Retoma das empresas num futuro pós-pandemia

“Temos apoiado inúmeras empresas durante este período, para que possam continuar a abordar os mercados internacionais, mesmo com as limitações e constrangimentos pelos quais estamos a passar. Acreditamos que aquelas empresas que continuem a investir na formação, na inovação e no desenvolvimento comercial dos seus negócios, terão maior capacidade de resistir e de crescer durante e após este período”, referiu o Secretário-Geral da CCIP.

Ainda assim, João Pedro Guimarães pensa que é possível acelerar o processo e preparar uma abertura dos mercados internacionais de uma forma mais sustentada, com um híbrido de soluções entre capacitação interna e apoio governamental.

“O Governo tem de disponibilizar de forma rápida linhas de apoio mais robustas, priorizar o destino dos fundos europeus e injetar esse dinheiro em projetos capazes e que permitam a Portugal alavancar as suas exportações de forma exponencial. Temos muitas empresas que continuam a aguardar por decisões de projetos de internacionalização submetidos há mais de 1 ano”, contou.

De acordo com João Pedro Guimarães, as empresas necessitam de ter acesso ao dinheiro, precisam de mais fundos para continuarem os seus planos de internacionalização e abordagem a novos mercados, precisam de qualificar os seus RH e as suas unidades produtivas, “para apostarem cada vez mais na inovação, na digitalização e na flexibilidade e eficiência dos seus produtos e serviços”.

O Secretário-Geral da CCIP chamou ainda a atenção para a necessidade de aumentar a capacidade de lobby internacional, fora do âmbito do turismo: “Temos feito campanhas muito positivas neste setor, mas precisamos de alastrar para o lado empresarial, produzindo um trabalho que faça com que a marca Portugal seja consistente em várias frentes, tornando-a ainda mais credível no panorama internacional”.

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