Calotes de clientes à EDP encolhem com a pandemia para 1,13 mil milhões

Enquanto empresas e famílias devem menos, as entidades estatais devem mais à elétrica portuguesa. No entanto, a dívida do Estado português à EDP Comercial reduziu-se em 2020.

A EDP ressentiu-se da pandemia, que fez cair o consumo de energia. Mas com a quebra no consumo, encolheu também o valor que os seus clientes deixaram por pagar. Os “calotes” ao maior comercializador de energia em Portugal reduziram-se para um valor que, ainda assim, ascende a 1,13 mil milhões de euros.

O valor que os clientes — sejam estatais, empresariais ou particulares — têm em dívida perante a empresa liderada por Miguel Stilwell d’Andrade chegou a 1,12 mil milhões no final de 2020. São menos 84 milhões de euros que no ano anterior, de acordo com os dados apresentados pela EDP no relatório e contas do último exercício.

“A quebra no consumo, em particular nos períodos de maior confinamento, traduz-se em valores mais reduzidos em pagamento e, potencialmente, em menor dívida”, diz a EDP, em resposta às questões colocadas pelo ECO relativamente à evolução dos valores que ficaram por pagar.

Esta evolução positiva dos “calotes” traduz, essencialmente, a redução dos montantes que ficaram por pagar por parte de empresas e particulares, que baixaram de 489 para 415 milhões de euros e de 403 para 326 milhões, respetivamente. No caso dos comercializadores houve igualmente uma redução, mas no caso dos outros clientes assistiu-se a um salto para quase 200 milhões.

"Desde o início que a EDP quis estar ao lado das empresas e das famílias, tendo apostado na comunicação e promoção proativa da possibilidade de os clientes aderirem a planos de pagamento com períodos de carência e prazos de pagamento mais longos.”

Relatório e contas

EDP

“No que respeita aos restantes valores a receber de clientes do setor empresarial e particular, resultantes da atividade corrente do Grupo EDP, o risco de crédito resulta, essencialmente, do incumprimento por parte de clientes, cuja exposição está limitada ao fornecimento a ocorrer até à data possível de interrupção de fornecimento”, nota a empresa no relatório e contas.

Mas o incumprimento baixou. E, por outro lado, “desde o início que a EDP quis estar ao lado das empresas e das famílias, tendo apostado na comunicação e promoção proativa da possibilidade de os clientes aderirem a planos de pagamento com períodos de carência e prazos de pagamento mais longos”, diz a EDP. Ou seja, houve uma postura mais proativa da elétrica no sentido de fazer baixar os “calotes”.

Dívida do Estado português à EDP encolheu

Enquanto empresas e famílias devem menos, as entidades estatais devem mais à elétrica portuguesa. Considerando tanto dívida protocolada (que apresenta um risco mais reduzido) como a não protocolada, os valores em falta por parte de clientes do setor público aumentou de 106 para 115 milhões de euros, invertendo a tendência registada nos últimos anos.

“Apesar de se ter registado um aumento da dívida de entidades estatais ao grupo EDP em 2020, face ao ano anterior, este valor vinha a reduzir-se de forma significativa nos anos anteriores”, nota a empresa ao ECO, salientando que estas dívidas se referem “a todas as geografias em que a EDP tem clientes”. Ou seja, Portugal, Espanha, Brasil e EUA. “Em Portugal, a dívida do Estado à EDP Comercial reduziu-se em 2020”, refere a elétrica.

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