EPAL aposta 5 milhões em central hídrica nas condutas de água e 1,2 milhões em centrais solares em Lisboa

Esta quarta-feira, a empresa vai revelar novo investimento de 1,2 milhões de euros em centrais fotovoltaicas em Telheiras e no Parque das Nações. Até 2025 vai investir 70 milhões no EPAL 0% Energia.

A EPAL, empresa do Grupo Águas de Portugal, anuncia esta quarta-feira um novo investimento de 1,2 milhões de euros no projeto de centrais fotovoltaicas que a empresa tem em curso, desta feita em plena cidade de Lisboa, na Estação Elevatória de Telheiras (500 kW) e no Parque das Nações (650 kW).

A EPAL tem em curso o programa EPAL 0% Energia cujo objetivo é atingir, até 2025, a neutralidade energética e de emissões poluentes através da produção própria de toda a eletricidade que a empresa consome, potenciando assim a sustentabilidade das operações.

O desenvolvimento deste programa tem previsto um investimento total na ordem dos 70 milhões de euros para a construção de centrais de produção de energia hidroelétrica nas condutas de água, mas também centrais eólicas e fotovoltaicas, tendo já sido apresentado a 16 de abril o projeto da primeira central hidroelétrica para aproveitar a energia gerada pela água tratada na Estação de Tratamento de Água da Asseiceira, que se tornará na maior ETA do país 100% autossustentável em energia.

Com um investimento de cinco milhões de euros, esta central hidroelétrica que será instalada na ETA da Asseiceira terá uma capacidade de 1,5 MW e produzirá energia elétrica turbinando a água nas condutas que transportam água para Lisboa. Isto vai fazer com que esta seja a primeira ETA de Portugal a atingir a neutralidade energética, assim como a Estação Elevatória de Castelo do Bode. Além dos benefícios ambientais e económicos, este projeto de energia renovável “aumenta a resiliência do sistema de abastecimento face a tempestades e outras calamidades, dado que a alimentação energética à ETA e à estação elevatória será feita através de linha privativa instalada no subsolo”, frisa a EPAL.

A empresa do Grupo Águas de Portugal revela que “há mais investimentos para a eficiência energética e produção de eletricidade limpa em outras instalações e infraestruturas da empresa que estão em curso”. Durante o primeiro semestre de 2021 serão lançados os seguintes investimentos:

  • Central fotovoltaica da ETA de Vale da Pedra (650 kW)
  • Central fotovoltaica da Captação de Valada Tejo (850 kW)
  • Central fotovoltaica da Captação da Estação Elevatória de Amadora (1,5 MW)
  • Central fotovoltaica da Estação Elevatória de Vila Franca de Xira (2 MW)
  • Central fotovoltaica da ETA de Asseiceira (1 MW)

O projeto EPAL 0% deu origem ao Programa de Neutralidade Energética ZERO do Grupo Águas de Portugal, apresentado em 2020, e que tem como objetivo ser neutro em carbono e energeticamente autossustentável através de energia 100% renovável até 2030. Para isso, vai investir 370 milhões de euros num projeto a 10 anos que visa não só reduzir os consumos energéticos como também aumentar a produção própria de energia a partir de fontes limpas: biogás, eólica, hídrica e solar fotovoltaico, incluindo solar flutuante.

Além disso, permitirá passar de uma fatura de eletricidade atual de cerca de 65 milhões de euros por ano, para apenas 25 milhões de euros, graças à produção própria de energia e redução dos consumos. Este mega projeto não deixa de lado a aposta do momento e inclui também planos para produzir hidrogénio ver a partir da significativa capacidade renovável que vai acrescentar ao seu portfólio: dos atuais 30,4 GWh para 708 GWh por ano, ou seja cerca de “25 vezes mais”.

Com gastos energéticos superiores a 725,1 GWh por ano, em 2019 — mais de 1,4% do consumo de energia elétrica no país –, o Grupo AdP é hoje o maior consumidor público de energia elétrica em Portugal. Através do Programa de Neutralidade Energética ZERO, a empresa espera neutralizar o equivalente a 746 GWh — consumo energético estimado para 2030 –, o que representa uma neutralidade energética de 105,3%, bem como uma neutralidade carbónica equivalente.

Estacionamento com coberturas fotovoltaicas no Parque das Nações, 1MW de solar em Telheiras

Esta quarta feira, a EPAL dá assim mais um passo na direção da neutralidade energética com a sessão de apresentação pública do Projeto Centrais fotovoltaicas – Telheiras e Parque das Nações, no Laboratório Central da EPAL, com a presença do ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes.

As primeiras centrais fotovoltaicas no recinto do Parque das Nações, incluem um parque de estacionamento com coberturas fotovoltaicas, onde se localizam os carregadores elétricos para a frota elétrica da EPAL num total de 650 kW, e um investimento de 744.000 euros financiado pelo POSEUR. A energia renovável produzida será utilizada no carregamento de viaturas elétricas e para suprir as necessidades energéticas do complexo EPAL no Parque das Nações.

Está também em fase de preparação um novo concurso para instalar ainda mais 500 kW no Parque das Nações, num investimento de 700.000 euros, que tem como objetivo fornecer energia renovável à Estação Elevatória dos Olivais.

A Estação Elevatória de Telheiras terá uma central fotovoltaica de 500 kW, prevendo-se a médio prazo a ampliação para 1 MW. Um dos reservatórios será coberto, instalando, para já, cerca de 500 kW, com um investimento de 463.000 euros. Posteriormente, tudo ficará preparado para um segundo investimento para instalar mais 500 kW, na segunda célula, após alterações no modelo de exploração para a nova realidade fotovoltaica.

Ambos os projetos ficarão a cargo da Jayme da Costa, empresa portuguesa focada em soluções na área da energia. “A Jayme da Costa está presente no setor das energias renováveis no segmento das grandes centrais (>100MW), pelo que estes projetos de autoconsumo (UPAC) têm uma importância especial. Acreditamos que a produção de energia descentralizada e mais próxima do ponto de consumo, tirando partido de áreas de telhado sem outra utilização prevista, é muito competitiva do ponto de vista de eficiência energética e do aumento da resiliência da rede”, refere Vitorino Rocha, membro do Conselho Executivo da empresa.

Ainda em fase de concurso está o Centro de Controlo de Energia e Emissões da EPAL, que representa um investimento de cerca de três milhões de euros permitindo reforçar a monitorização do desempenho energético das instalações consumidoras de energia, num projeto de digitalização das operações e dos ativos consumidores de energia, mas igualmente das centrais de produção, possibilitando a avaliação em tempo real das respetivas performances e potenciar a utilização dos reservatórios de água como armazenamento de energia.

O programa EPAL 0% Energia permitirá ainda a coprodução de hidrogénio, cuja valorização se prevê tendencialmente na cadeia de valor da atividade da EPAL e na conversão de toda a energia renovável produzida em produtos de valor acrescentado, sem necessidade de injeção do excedente na rede elétrica.

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