Retoma portuguesa no verão será a segunda maior da União Europeia

A economia portuguesa deverá crescer 3,6% no terceiro trimestre face ao segundo trimestre, prevê a Comissão Europeia. Apenas a Letónia irá crescer mais: 3,8%.

O terceiro trimestre já arrancou e, apesar do aumento dos novos casos, a expectativa é que este seja mais um verão de recuperação da economia portuguesa. De acordo com as previsões da Comissão Europeia, atualizadas esta quarta-feira, o PIB português irá crescer 3,6% em cadeia entre julho e setembro, o segundo maior crescimento da União Europeia nesse período. Apenas a Letónia (+3,8%) ultrapassa Portugal.

O crescimento em cadeia (face ao trimestre anterior) de 3,6% da economia portuguesa no terceiro trimestre, segue-se a uma expansão de 3,3% que a Comissão Europeia prevê para o segundo trimestre, o qual também é o segundo maior (apenas superado pela Áustria com 3,5%). É de notar que há quatro países entre os 27 Estados-membros da União Europeia para os quais os técnicos de Bruxelas não têm previsões trimestrais.

É esperada uma aceleração do crescimento no terceiro trimestre quando o turismo estrangeiro em Portugal deverá aumentar, ajudado pela campanha de vacinação na Europa e a implementação do certificado digital Covid-19 da UE”, escreveu a Comissão Europeia sobre a evolução da economia portuguesa no relatório das previsões de verão.

No terceiro trimestre, também a Alemanha e a Áustria vão crescer 3,6% face ao segundo trimestre, o mesmo valor de Portugal. Este ritmo de crescimento não significa que a economia portuguesa seja das mais rápidas a recuperar da pandemia. Pelo contrário, está entre os países com uma retoma mais lenta ao lado de Espanha e Itália, como mostra o gráfico da Comissão Europeia. A evolução trimestral está mais relacionada com o primeiro trimestre em que a economia portuguesa registou a pior queda de toda a UE por causa do segundo confinamento.

Fonte: Comissão Europeia. Previsões de verão. Níveis do PIB no quarto trimestre de 2022 e de 2021 em comparação com o quarto trimestre de 2019 em cada Estado-membro.

Mesmo com a aceleração da retoma em Portugal no segundo e terceiro trimestre deste ano, Portugal ainda chegará ao final de 2021 com um PIB inferior ao de 2019 enquanto a média europeia já terá recuperado nessa altura. Um ano depois, Portugal continuará na cauda da Europa na comparação com o pré-crise, apesar de já estar acima dos níveis então registados.

Contudo, as previsões da Comissão Europeia encontram-se neste momento condicionadas pela propagação da variante Delta que, dentro da UE, arrancou primeiro em Portugal mas que deverá alastrar-se a outros países. Esta situação epidemiológica mais complicada em Portugal vai “afetar” o ritmo da retoma dado que houve uma “reintrodução parcial e temporária das restrições em junho”, lê-se no relatório da Comissão Europeia.

Como o número de casos aumentou no final de junho e houve a reintrodução de restrições, em contraciclo com os outros Estados-membros, a Comissão Europeia optou por não rever em alta as previsões para a economia portuguesa, ao contrário do que fez para os outros países: reviu em alta o crescimento da Zona Euro, de 4,3% para 4,8% em 2021, e de 4,4% para 4,5% em 2022.

Na conferência de imprensa das previsões de verão, o comissário europeu para a economia, Paolo Gentiloni, deixou claro que a razão para não rever em alta o crescimento de Portugal passa pelo aumento de casos que já se observava antes do fecho destas previsões no final do mês passado, o que irá criar “dificuldades no turismo”. É uma visão “menos otimista” e “mais realista”, classificou Gentiloni, explicando que a diferença face às previsões do Banco de Portugal (que prevê um crescimento de 4,8% em 2021 em Portugal) está na situação epidemiológica diferente que se vivia quando foram divulgadas as respetivas previsões.

Fonte: Comissão Europeia. Previsões de verão.

Contudo, também não se pode afastar um cenário mais pessimista caso o país tenha de voltar a confinar com o recurso ao estado de emergência, o que colocaria em causa a retoma dos meses de julho, agosto e setembro. Essa hipótese está afastada, para já, mas não é totalmente excluída pela ministra da Saúde, Marta Temido, apesar de o Presidente da República não o querer.

Ainda esta quarta-feira os economistas da Católica pediam cautela face aos “sinais de maiores restrições” por causa do aumento dos novos casos. “O resto do ano deverá ser influenciado pelo efeito combinado da intensidade dessas restrições e da recuperação do turismo”, notavam, traçando um cenário pessimista em que o PIB crescia apenas 2% este ano.

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