Instituições da UE estudam adotar trabalho híbrido no pós-pandemia

  • Joana Abrantes Gomes
  • 29 Julho 2021

A Comissão Europeia e o Parlamento Europeu estão a trabalhar em propostas para que os seus funcionários trabalharem ao abrigo de um refgime híbrido após a pandemia. As negociações prometem ser acesas.

Muito se tem discutido sobre o futuro do trabalho no pós-pandemia, depois de o trabalho remoto, vulgarmente denominado de teletrabalho, se ter tornado o “novo normal”. Várias empresas admitem adotar um modelo de trabalho híbrido, com alguns funcionários a trabalharem nas instalações da empresa, enquanto outros trabalham a partir de casa, alternando em alguns dias da semana. Agora, esta solução está a ser ponderada também pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu.

De acordo com um recente documento de negociação visto pelo Politico, a proposta do executivo comunitário é de que os seus funcionários passem pelo menos 40% da sua semana de trabalho (dois dias por semana) no escritório e pelo menos 20% (um dia por semana) a trabalhar a partir de casa, sendo o resto decidido em comum acordo com os seus chefes.

Os funcionários serão obrigados a permanecer “não muito distantes” do seu local de trabalho quando estiverem em teletrabalho, pois devem poder ir “fisicamente ao escritório no prazo de duas horas a partir do momento em que são instruídas para o fazer”. Caso surjam dificuldades técnicas em casa, terão de voltar ao escritório “sem demora”.

Cristiano Sebastiani, um funcionário da Comissão e presidente do Renouveau et Démocratie, um dos maiores sindicatos representativos dos funcionários públicos da União Europeia (UE), considera que as negociações sobre as alterações propostas serão “muito tensas”. Há uma “lacuna flagrante” entre os diretores-gerais do executivo “que se opõem ao teletrabalho porque significa perda de controlo e comando sobre o pessoal”, e outros, como o comissário europeu para o Orçamento e a Administração, Johannes Hahn, “que pregam uma cultura de confiança e de verificação de resultados em vez de controlar a presença”, disse Sebastiani.

O Parlamento Europeu também está a criar um sistema para gerir o trabalho remoto, que permitirá que quase todas as pessoas que trabalham para o secretariado, incluindo estagiários e peritos nacionais destacados, tenham o direito de trabalhar a partir de casa pelo menos um dia por semana, de acordo com o sumário de uma reunião da comissão de pessoal do Parlamento no final de junho com o chefe do departamento de pessoal do organismo, Kristian Knudsen.

Os funcionários poderão escolher um “Acordo de Teletrabalho Intermédio” para trabalhar dois dias por semana a partir de casa, enquanto o acordo “Máximo” permitirá três. Na sequência de acordo com um supervisor direto, “qualquer recusa tem de ser justificada”, refere o sumário da reunião. Os eurodeputados individuais e os grupos políticos também podem optar por este novo sistema.

Num documento intitulado “De volta ao novo normal”, os funcionários parlamentares consideram que um acordo de trabalho híbrido permitiria às pessoas irem aos seus gabinetes para “garantir os princípios fundadores do projeto europeu”, deixando claro que, se o teletrabalho se tornar a norma, não deverá haver “limite geográfico”, uma vez que as pessoas poderiam viver mais longe do seu local de trabalho e, assim, pagar rendas mais baratas.

O documento também apela ao “direito de desligar”, dado que “o teletrabalho aumenta a sensação de estar constantemente disponível”. Mas há parlamentares preocupados com a possibilidade de o teletrabalho minar a capacidade de funcionamento da instituição. “Pode significar o fim do parlamentarismo”, afirmou o eurodeputado alemão e vice-presidente do Parlamento Rainer Wieland.

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