Depois de Israel, há mais países a dar reforço da vacina contra a Covid

O aumento de casos de infeção à escala global acentua o debate em torno de uma eventual reforço das vacinas contra a Covid. De Espanha a Israel, o que estão a decidir os países sobre este tema?

Com o aumento de infeções a nível global, associado em larga medida à variante Delta, o debate sobre eventuais injeções de reforço tem vindo a ganhar força. Se Israel deu o “tiro de partida” e começou a administrar doses de reforço, há também alguns países que já anunciaram que vão seguir-lhe os “passos” a curto prazo, isto apesar de o regulador europeu ainda estar a avaliar esta eventual necessidade. De Espanha a Israel, os que estão a fazer os países sobre este tema?

Esta discussão começou ganhar tração há cerca de três meses, depois de vários CEO das gigantes farmacêuticas, como da Pfizer e da Johnson & Johnson, terem vindo sugerir que os cidadãos vão precisar de uma injeção de reforço da vacina contra a Covid-19. Os especialistas ouvidos pelo ECO, em maio, não descartaram essa necessidade de reforço, mas sublinharam que é ainda “muito prematuro” avançar com certezas, dado que ainda não se sabe ao certo a duração da imunidade das vacinas, bem como se vão surgir outras variantes que vão obrigar a que sejam feitos alguns ajustes às vacinas que estão já a ser administradas.

Em Portugal, no final de julho, o regulador do medicamento afastou, para já, essa possibilidade, referindo que a “informação disponível até à data não permite concluir sobre a necessidade” de uma eventual dose de reforço. No entanto, no mesmo comunicado, o Infarmed informou que para essa possibilidade, bem como “o desenvolvimento de vacinas adaptadas a novas variantes”, Portugal assinou dois contratos com a Pfizer/BioNTech e com a Moderna, tendo em vista o fornecimento de mais de 14 milhões de vacinas contra a Covid-19. Além disso, está ainda previsto um outro contrato para 2023 com mais de 10 milhões de vacinas da Pfizer.

Também o regulador europeu já veio esclarecer que está “em contacto” com todos os produtores de vacinas para avaliar um eventual reforço, avisando que, neste momento, não há evidências suficientes para garantir que este seja necessário. Por seu turno, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera “desnecessário” este reforço, deixando duras críticas à “ganância” dos países mais ricos em relação ao processo de vacinação, dado que a escassez de vacinas continua a imperar nos países mais pobres.

Certo é que, apesar dos apelos das instituições de saúde mundiais, há já alguns países a sinalizarem que vão administrar doses de reforço. É o caso de Espanha, que anunciou a 23 de julho, que vai avançar com a administração de uma “terceira dose de reforço” das vacinas da Biontech/Pfizer e da Moderna. Também a Alemanha, revelou na segunda-feira, que aprovou a administração de uma dose de reforço da vacina para cidadãos de risco e idosos, medida que terá início a 1 setembro.

Ainda pela Europa, em França alguns cidadãos com comorbilidades de risco, como é o caso dos imunodeprimidos, doentes transplantados ou que estejam a fazer diálise, estão já a receber uma dose de reforço, sendo que as autoridades de saúde francesas aconselham a que haja um intervalo de quatro semanas, entre a segunda e terceira doses, de acordo com o Les Echos (acesso livre, conteúdo em francês).

A par com França e Alemanha, também o Reino Unido vai dar um reforço da vacina da Covid-19 a 32 milhões de cidadãos de risco com mais de 50 anos, a partir do início do próximo mês. Também a Hungria dá a partir deste mês a possibilidade de os cidadãos receberem uma terceira dose da vacina, segundo revelou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, aquando do anúncio de que a vacina seria obrigatória para os profissionais de saúde, citado pela Reuters (acesso livre, conteúdo em inglês). Mais cautelosas, Bélgica e Itália asseguram ter tudo preparado para um eventual reforço, mas ainda não tomaram nenhuma decisão definitiva.

Israel começou, no domingo, a administrar uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 aos maiores de 60 anos. Considerado um dos países pioneiros da vacinação e com 57% da população totalmente vacinada, o país liderado por Naftali Bennett volta a ser um modelo de teste para o reforço da vacinação contra a doença, e com o intuito de travar a disseminação da variante Delta.

Israel é, portanto, o primeiro país a começar a administrar uma dose de reforço a larga escala e esta medida, surge pouco tempo antes de a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos da América (EUA) aprovar a terceira dose do fármaco. Em declarações à CNBC (acesso livre, conteúdo em inglês), Scott Gottlieb, antigo presidente da FDA, disse acreditar que as vacinas de reforço serão dadas a pessoas mais velhas e imunodeprimidas já em setembro ou outubro e assegurou que os EUA compraram vacinas suficientes para administrarem um reforço a toda a sua população.

Pela Ásia, a Indonésia está também a ponderar administrar uma dose de reforço aos profissionais de saúde que foram vacinados com duas doses da vacina da Sinovac, dados que os estudos apontam que os anticorpos desenvolvidos contra a doença, após a administração das duas doses da vacina chinesa vão decaindo com o tempo. Também a Tailândia já admitiu seguir os passos da Indonésia.

À semelhança de Portugal, o Japão também já acautelou a eventual necessidade de uma dose de reforço. No final de julho, o Ministério da Saúde nipónico anunciou que comprou 50 milhões de doses adicionais da Moderna, com entrega para 2020, segundo a Reuters (acesso livre, conteúdo em inglês).

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