Lagarde assegura que não há retirada dos estímulos

Presidente do BCE assegura está apenas a recalibrar a bazuca de estímulos de emergência e que não está em curso uma retirada do programa. Mercados obrigacionistas tranquilos com decisão.

“The lady isn’t tappering”, afirmou a presidente do Banco Central Europeu (BCE) esta quinta-feira, isto para assegurar não está em curso uma retirada dos estímulos, como podia ser entendido pelos mercados depois de a instituição avançar com uma redução o ritmo de compras de emergência de dívida pública. Para Christine Lagarde, esta decisão representa apenas um “recalibrar” da bazuca.

A declaração da economista francesa fez lembrar as famosas palavras da antiga primeira-ministra britânica Margaret Tatcher “The lady’s not for turning”, quando discursou em 1980 numa conferência para assegurar que não ia voltar atrás com a política de liberalização da economia.

Desta vez, Lagarde pretendeu mesmo assegurar que o BCE não deu início ao fim dos estímulos, isto apesar de baixar “moderadamente” o ritmo de compras de dívida pública no próximo trimestre em relação aos 80 mil milhões de euros mensais dos últimos dois trimestres. Os analistas apontam para compras entre os 60 mil milhões e 70 mil milhões por mês.

“O que fizemos hoje… de forma unânime, foi calibrar o ritmo das nossas compras de modo a atingir o nosso objetivo de termos condições financeiras favoráveis. Não discutimos o que acontecerá a seguir”, frisou a líder da autoridade monetária.

Aparentemente, os mercados perceberam o sinal enviado por Lagarde. Os juros das obrigações dos Governos da periferia da Zona Euro estão em queda. A yield associada ao títulos a 10 anos de Portugal recuam para 0,214% na sessão desta quinta-feira, o mesmo acontecendo em relação às taxas de Espanha (cai para 0,319%) e de Itália (recuo para 0,677%).

O BCE manteve o envelope de 1,85 biliões de euros para investir até março do próximo ano, pelo menos. Apesar destes anúncios, a instituição deixou a porta aberta a reforçar novamente os estímulos se assim for necessário para assegurar a estabilidade financeira.

Ainda assim, tendo em conta as perspetivas económicas divulgadas esta quinta-feira pelo BCE, tal não deve ser preciso. Lagarde reviu em alta o outlook macroeconómico, a Zona Euro deverá crescer 5% este ano e atingir o nível pré-pandemia.

Já a inflação, apesar do pico observado este ano, deverá manter-se abaixo do objetivo de médio prazo de 2% em 2022 e 2023.

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