Caixa consegue taxa “mais baixa de sempre” na emissão de dívida sustentável

Banco destaca que a operação abre a porta à recompra antecipada dos títulos Additional Tier 1 emitidos em 2017 no processo de recapitalização e pelos quais paga juro de 10,75%.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou o cupão “mais baixo de sempre” em emissões de dívida, depois de ter concluído esta terça-feira a colocação de 500 milhões de euros de dívida sustentável a uma taxa de 0,375%.

A operação abre a porta à recompra antecipada dos 500 milhões de euros em títulos Additional Tier 1 (AT1) emitidos em 2017 no âmbito do processo de recapitalização da Caixa e pelos quais paga um juro de 10,75%, adiantou o banco público em comunicado.

Em julho, o CEO da Caixa, Paulo Macedo, já tinha anunciado que pretendia recomprar os títulos AT1, por duas razões: não só o banco apresenta uma base de capital sólida, como estes títulos representam elevados encargos com juros na ordem dos 40 milhões de euros por ano.

Para avançar com esta operação de recompra faltam as autorizações das autoridades europeias, mas está dado mais um passo nesse sentido com esta emissão de dívida sustentável que se insere no plano de financiamento definido para o cumprimento dos requisitos de MREL (Minimum Requirements for own funds and Eligible Liabilities) fixados pelo Banco de Portugal.

“A obtenção das autorizações necessárias permitirá à CGD uma poupança anual em juros superior a 10%, considerando o diferencial de taxas entre a dívida agora emitida e o cupão do AT1 (10,75%), refletindo o caminho percorrido desde 2016 no reforço da solidez e posição competitiva da Caixa”, frisa Paulo Macedo.

"A obtenção das autorizações necessárias permitirá à CGD uma poupança anual em juros superior a 10%, considerando o diferencial de taxas entre a dívida agora emitida e o cupão do AT1 (10,75%), refletindo o caminho percorrido desde 2016 no reforço da solidez e posição competitiva da Caixa.”

Paulo Macedo

CEO da Caixa

Fundos compram 70% da emissão

O banco detalha que a emissão foi colocada exclusivamente junto de investidores institucionais, a maioria deles dos mercados de França (27%), Portugal (19%), Espanha (14%), Reino Unido (12%) e Alemanha (10%).

Embora tenham sido emitidos 500 milhões de euros em títulos, a operação recebeu perto de 130 ordens, ultrapassando os 1,5 mil milhões de euros – com a procura a superar em mais de três vezes a oferta, o que ajudou a fixar o preço mais baixo de sempre na história da Caixa.

Por tipo de investidores salienta-se os fundos de investimento, que tomaram mais de 70% do total da emissão. A Caixa sublinha que a característica sustentável da emissão permitiu atrair o interesse de vários novos investidores.

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