Embora mais qualificadas, mulheres continuam com taxas de emprego e salários mais baixos

Em Portugal, há mais mulheres graduadas do que homens. Mas os seus rendimentos correspondem a apenas 73%-78% dos salários dos seus pares masculinos, revela o mais recente relatório da OCDE.

É um traço transversal nos países da OCDE. As mulheres possuem níveis mais altos de escolaridade, mas continuam a receber salários mais baixos, comparativamente aos seus colegas do sexo masculino. Em Portugal, os seus rendimentos correspondem a apenas 73%-78% dos salários dos seus pares masculinos, revela o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) “Education at a Glance 2021”, divulgado esta quinta-feira.

“O ensino superior tem vindo a expandir-se ao longo das últimas décadas e, em 2020, as mulheres entre os 25 e os 34 anos eram mais propensas do que os homens a frequentar uma carreira universitária em todos os países da OCDE”, pode ler-se no documento. Em Portugal, 49% das mulheres nesta faixa etária tinham um diploma universitário, em comparação com 35% dos seus pares masculinos. Já a média dos países da OCDE, embora também distante, é um pouco mais elevada, na ordem dos 52% e 39%, respetivamente.

Apesar de as mulheres serem mais propensas a concluir a formação universitária, têm as taxas de empregabilidade mais baixas, bem como salários. As mulheres jovens têm menos probabilidades de serem contratadas, comparativamente aos homens jovens, sobretudo as que têm níveis de escolaridade mais baixos.

Apenas 65% das mulheres entre os 25 e os 34 anos, com qualificações inferiores ao 12.º ano, estavam empregados em 2020, em comparação com 80% dos homens em Portugal. Esta diferença de género é, contudo, ainda menor do que a média apurada nos países da OCDE, onde 43% das mulheres e 69% dos homens com o mesmo nível de escolaridade estão empregados.

No que diz respeito aos salários, as desigualdades mantêm-se. Em quase todos os países da OCDE, e em todos os níveis de escolaridade, as mulheres entre os 25 e os 64 anos ganham menos do que os homens. A nível global, os seus ganhos correspondem a apenas 76%-78% dos rendimentos dos seus pares masculinos.

Apenas ao nível da formação ao longo da vida, os homens possuem um valor um pouco mais elevado de participação, 48% versus 45%. “Foram relatados motivos familiares como as principais barreiras à participação na educação e formação formal e/ou não formal por 40% das mulheres, em comparação com 23% dos homens”, revela a OCDE.

17% dos alunos de TIC são mulheres. Em educação são 77%

Mais expressivo do que a distribuição de género no ensino superior é, contudo, a distribuição dos participantes pelas diferentes áreas de formação. “As mulheres tendem a estar sub-representadas em certos campos das STEM [science, technology, engineering and mathematics] na maioria dos países da OCDE”, pode ler-se no relatório “Education at a Glance 2021”.

Em Portugal confirma-se este cenário: as mulheres representam apenas 29% dos novos alunos de programas de engenharia, indústria e construção e 17% dos novos estudantes de tecnologias de informação e comunicação (TIC). Os valores estão próximos dos dados apurados nos restantes países da OCDE, que dão conta que 26% dos novos estudantes de engenharia, indústria e construção e 20% dos novos alunos de tecnologias da informação e comunicação eram mulheres.

Em contrapartida, o setor da educação continua a ser tradicionalmente dominado por mulheres: em Portugal, as alunas do sexo feminino representam 77% dos novos participantes dos cursos de educação.

Os homens, por sua vez, em minoria neste campo, representam 29% dos professores em todos os níveis de educação, um valor em linha com a média registada na OCDE (30%).

Também ao nível da nacionalidade há desigualdades na formação e consequente entrada no mercado de trabalho. Regra geral, os adultos nascidos no estrangeiro têm maior dificuldade em encontrar um emprego, comparativamente aos seus pares nativos. Reconhecimento de diplomas académicos e barreiras ao nível do idioma são alguns dos obstáculos que encontram pelo caminho.

Desta forma, os trabalhadores estrangeiros terão muito provavelmente “salários mais baixos” e “perspetivas de emprego inferiores” às dos seus colegas nativos.

Jovens adultos menos qualificados preocupam OCDE

O relatório da OCDE contempla, ainda, um capítulo dedicado ao impacto da Covid-19 na formação. “A pandemia tem suscitado preocupações sobre as perspetivas dos jovens adultos, especialmente os que abandonam o ensino mais cedo do que os outros”, alerta a organização no documento.

No caso português, a taxa de desemprego dos jovens adultos (entre os 25 e 34 anos) com um nível de escolaridade inferior ao secundário era, em 2020, de 10,9%, representando um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em comparação, a taxa média de desemprego dos jovens nos países da OCDE era de 15,1%, em 2020, também dois pontos percentuais mais elevada do que em 2019.

Ao mesmo tempo, o número de adultos que participam no ensino formal e/ou não formal diminuiu 19% entre o segundo trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2020, período que abrange o pico da primeira vaga da Covid-19 em muitos dos países que fazem parte da OCDE, onde a queda foi ainda mais acentuada (27%).

Apesar do impacto da crise no emprego, a percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que nem estudam, nem trabalham — os chamados jovens “nem-nem” — não registou um crescimento muito significativo na maioria dos países da OCDE, durante o primeiro ano de pandemia. Em média, essa percentagem passou de 14,4%, em 2019, para 16,1%, em 2020. Já em Portugal, o valor subiu de 12,9% para 14,5%.

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