EasyJet espera que ajuda à TAP não seja usada para fazer concorrência

  • Lusa
  • 21 Setembro 2021

O diretor da easyJet para Portugal espera que o plano de reestruturação da TAP tenha como objetivo tornar a empresa lucrativa, mas que as ajudas não sirvam para fazer concorrência e baixar tarifas.

O diretor da easyJet para Portugal disse esta terça-feira esperar que o plano de reestruturação da TAP, que aguarda aprovação de Bruxelas, tenha como objetivo tornar a empresa lucrativa, mas que as ajudas não sirvam para fazer concorrência e baixar tarifas.

O plano de reestruturação [da TAP], que ainda não foi aprovado, esperemos que seja em breve para que possamos conhecer em detalhe todas as suas vertentes, [esperemos] que seja um plano que realmente tem como objetivo sanear a empresa, para que ela possa no futuro ser lucrativa e que esses valores [de ajuda] não sejam usados para fazer concorrência, por exemplo, baixando tarifas”, defendeu José Lopes, em declarações à agência Lusa.

Sublinhando que a easyJet não se opõe, por princípio, a ajudas de Estado, o responsável apontou, no entanto, que a ajuda de Estado à TAP é superior à que foi dada a outras companhias europeias, que não estavam em situação financeira difícil antes da pandemia de Covid-19.

“Se nós olharmos para o montante que se tem vindo a falar publicamente, o total de ajudas de Estado a ser dadas à TAP, se compararmos com as ajudas estatais que foram dadas a outras empresas europeias que não estavam em situação deficitária antes da pandemia, o valor que está a ser dado à TAP é superior por unidade, portanto por número de avião, […] é maior do que foi dado a essas empresas e a reestruturação que está anunciada é inferior percentualmente à reestruturação que foi feita em praticamente todas as grandes empresas na Europa”, destacou José Lopes.

A easyJet afirmou ainda que vai continuar a acompanhar o “dossiê” TAP. “O importante é que se criem remédios para que estas ajudas de Estado que estão a ser dadas e que serão dadas não distorçam demasiado a concorrência”, reiterou.

Portela tem capacidade para crescer até nova solução estar pronta

O diretor da easyJet para Portugal defendeu também esta terça-feira que o aeroporto da Portela, em Lisboa, tem capacidade para crescer, por forma a acautelar o tempo necessário até que a nova solução aeroportuária para a região esteja pronta a usar.

“Achamos que deverá ser acautelado esse período de tempo que demorará a implementar uma solução definitiva, [permitindo] que a Portela continue a crescer, porque existe possibilidade na infraestrutura para o fazer, até que a nova solução esteja pronta para usar. Não devemos ficar com a Portela bloqueada até haver Alcochete, se for essa a solução”, defendeu José Lopes, em declarações à agência Lusa.

Já no caso de o Estado optar por uma solução dual com Portela e Montijo a funcionar simultaneamente, José Lopes foi perentório: “nós queremos continuar a operar na Portela”.

“Em todos os sítios na Europa em que existe uma solução de dois aeroportos, o tráfego de curto e médio curso é aquele que fica no aeroporto mais próximo da cidade, uma vez que é o tráfego que é mais sensível ao tempo [de deslocação]”, explicou.

“Aquilo que nós sempre defendemos foi que, numa solução de dois aeroportos a trabalhar em conjunto, deverá o hub passar para o aeroporto mais longínquo”, acrescentou, dando o exemplo do que se passa com os aeroportos de Paris, ou Milão.

O responsável frisou a urgência de se desenvolver o aeroporto Humberto Delgado, na Portela, uma vez que a decisão quando à solução definitiva “parece que irá demorar ainda bastante tempo”.

“É importante que até lá seja feito tudo o que está ao nosso alcance para que se permita haver mais tráfego na Portela e haver mais tráfego não é só haver mais slots, mais movimentos, é haver também soluções que permitam que exista mais pontualidade quando o tráfego retomar os seus níveis normais, por exemplo”, apontou, lembrando que as saídas rápidas de pista já foram implementadas no aeroporto de Lisboa, mas ainda não estão a ser utilizadas.

Para José Lopes, “Lisboa não pode voltar a ser conhecido como um dos aeroportos piores da Europa a nível de atrasos, quando existem na infraestrutura possibilidades de implementar soluções para minimizar os impactos”.

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