Lucros das seguradoras sobem 44% para 649 milhões de euros
Das 38 seguradoras controladas pela ASF apenas uma deu prejuízo em 2021 e os lucros de todas foram os maiores de sempre. Veja as conclusões da supervisora sobre a atividade do ano passado.
Os resultados líquidos provisórios das empresas de seguros sob supervisão prudencial da ASF ultrapassaram o valor de 649 milhões de euros em 2021 e das 38 empresas de seguros, 37 apresentam valores positivos, indica a ASF, entidade supervisora do setor segurador e dos fundos de pensões, no seu Relatório de Evolução da Atividade Seguradora relativo ao 4º trimestre de 2021, publicado esta quarta-feira e que resume a atividade de todo o ano passado. Os resultados definitivos por seguradora ainda não são conhecidos.

Ao aumento dos lucros também se associou um aumento da solidez financeira das companhias com o rácio provisório de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) do conjunto das empresas sob supervisão prudencial da ASF, no final de 2021, a ser de 206,6%, o que representa um aumento de 13,5 pontos percentuais face ao final de 2020. O rácio provisório de cobertura do Requisito de Capital Mínimo (MCR), do mesmo conjunto de empresas, registou um acréscimo de 40,6 pontos percentuais, situando-se em 577,3%.
Produção cresce mais que custos com sinistros
Em relação aos principais tópicos de atividade a ASF destaca:
- A produção de seguro direto relativa à atividade em Portugal apresentou, em termos globais, um crescimento de 34,2% face a 2020, para o qual foi determinante o acréscimo de 68,5% verificado no ramo Vida. Os ramos Não Vida registaram um acréscimo de 4,8%.
- Os custos com sinistros verificou-se um aumento de 9,1%. No ramo Vida, os custos com sinistros aumentaram 12%, e, nos ramos Não Vida, registaram um crescimento de 2,6%.
- No final de 2021, o valor das carteiras de investimento das empresas de seguros totalizou 51,4 mil milhões de euros, valor idêntico ao do ano anterior. Na mesma data o volume de provisões técnicas foi de cerca de 43 mil milhões de euros.
- Nas empresas sob supervisão prudencial da ASF (empresas nacionais), ambos os ramos Vida e Não Vida cresceram, aumentaram 74% e 5,5%, respetivamente. Nas sucursais de empresas da União Europeia a operar em Portugal (sucursais da UE) os valores da produção mantiveram-se praticamente inalterados.
- Os custos com sinistros de seguro direto apresentaram um acréscimo de 9,1% face ao ano anterior. No ramo Vida, os custos com sinistros aumentaram 12% e nos ramos Não Vida o crescimento foi de 2,6%.
Vida: saída de contratos por Vencimento representou 56% dos sinistros
- A produção de seguro direto do ramo Vida aumentou 68,5%, tendo sido relevante, para este acréscimo, o crescimento verificado nos seguros de vida ligados (144,1%).
- No total do mercado, os Planos Poupança Reforma (PPR) registaram um crescimento de 61,2% face a 2020, mantendo o seu peso na estrutura do ramo Vida, representando 24,7% da produção total.
- Os custos com sinistros de seguro direto do ramo Vida aumentaram 12% face a 2020.
- Embora os custos com sinistros tenham aumentado em todas as modalidades, o crescimento foi mais acentuado nos seguros de vida ligados. Esta evolução é explicada pela saída de contratos por vencimento, cujo peso no total de sinistros foi de cerca de 56%.
- Os resgates apresentaram um valor muito semelhante ao de 2020 (decréscimo de apenas 1,2%), tendo representado 33,4% dos custos com sinistros do período em análise.
- A taxa de resgate das empresas nacionais, medida em função do valor das provisões e passivos financeiros dos produtos resgatáveis, foi de 6,9%, valor semelhante ao verificado em dezembro de 2020.
Não Vida: Saúde, Automóvel, Incêndio/multirriscos e Trabalho em ano saudável
- A produção dos ramos Não Vida do total do mercado ultrapassou 5.622 milhões de euros, cerca de mais 257 milhões que no ano anterior. De destacar o crescimento de 8,8% no ramo Doença/Saúde, cujo peso relativo na produção passou a ser de 18,4% no final do período.
- Os ramos Incêndio e Outros Danos e Automóvel assim como a modalidade Acidentes de Trabalho apresentaram igualmente acréscimos, de 5,8%, 1,3% e 6,6% respetivamente.
- A estrutura da carteira dos seguros dos ramos Não Vida não sofreu alterações significativas face ao ano anterior. De referir apenas o decréscimo de 1,2 pontos percentuais do ramo Automóvel.
- Os custos com sinistros de seguro direto do total do mercado apresentaram um crescimento de 2,6% face a 2020.
- O ramo Doença/Saúde foi o que mais contribuiu para este aumento de sinistros, com um crescimento de 18,5%, mas também o ramo Automóvel que apresentou um acréscimo de 3,5%, ao contrário do ramo Incêndio e Outros Danos cujos custos com sinistros diminuíram 3,3% no período em análise. A modalidade de Acidentes de Trabalho registou igualmente um decréscimo de 4% nos custos com sinistros.
- A estrutura dos custos com sinistros de seguro direto dos ramos Não Vida tem sido idêntica ao longo dos períodos homólogos. Saliente-se, contudo, que no período em análise, o ramo Doença/Saúde viu o seu peso aumentar 2,9 pontos percentuais.
- A produção de seguro direto de Acidentes de Trabalho apresentou, em dezembro de 2021, um crescimento de 6,6%, bastante superior ao verificado em 2020 (1,2%).
- O rácio “Custos com Sinistros / Prémios Brutos Emitidos” em acidentes de trabalho diminuiu oito pontos percentuais, situando-se em 73,1%.
- O rácio “Custos com Sinistros / Prémios Brutos Emitidos” em Doença/Saúde aumentou 5,9 pontos percentuais, situando-se em 72,1%.
- Em 2021, a produção de seguro direto do ramo Incêndio e Outros Danos registou uma variação positiva de 5,8% face ao ano anterior.
- A maioria das modalidades de Incêndios e Outros Danos apresentou um acréscimo nos prémios brutos emitidos, em particular as modalidades de Riscos Múltiplos Habitação, Industrial e Comerciantes (5,2%), que no conjunto detêm um peso no cômputo do ramo de 88%.
- O rácio “Custos com Sinistros / Prémios Brutos Emitidos” em Incêndios e Outros Danos registou um decréscimo face a 2020, situando-se em 47,8%.
- O ramo Automóvel apresentou um ligeiro acréscimo de 1,3% nos prémios brutos emitidos de seguro direto face a 2020. O rácio “Custos com Sinistros / Prémios Brutos Emitidos” do mesmo período cresceu, situando-se em 66,8%.
Provisões Técnicas e Investimentos em racionalização
- A ASF observou um decréscimo de 2,5% do valor total das provisões técnicas face ao final de 2020. As provisões técnicas afetas a seguros PPR ascendiam a cerca de 16,2 mil milhões de euros, o que se traduz numa redução de 7% face ao final de 2020.
- Na Carteira de Investimentos das seguradoras o valor total dos ativos diminuiu 0,1%. Esta evolução resultou essencialmente do decréscimo em obrigações de dívida pública e privada. Por outro lado, destaca-se o acréscimo dos fundos de investimento, que passa a representar 21,8% do total da carteira face aos 15,3% no final de 2020.
- No final de 2021, os instrumentos de dívida continuam a ser predominantes, apesar do decréscimo do peso em 7,5 pontos percentuais, representando 63,2% do total dos ativos. Estes instrumentos representavam 82,6% das carteiras de investimento dos seguros de Vida Não Ligados e 65,7% das carteiras de investimento dos ramos Não Vida.
O relatório completo será disponibilizado no site da ASF .
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