Economia continuará a crescer, mas vai travar por causa da guerra, diz Comissão Europeia

A Comissão Europeia reconhece que a guerra na Ucrânia terá impacto na economia europeia, mas relembrou que esta continuará a crescer, recuperando do impacto da crise pandémica.

A invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções impostas pela União Europeia terão um impacto negativo na economia europeia por diversos fatores, mas não irão interromper a recuperação económica pós-pandemia. Foi esta a mensagem deixada pelo vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, e o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, na conferência de imprensa desta quarta-feira sobre as orientações orçamentais para 2023.

Dombrovskis notou que é “difícil calcular os impactos económicos” desta situação neste momento por causa da incerteza sobre a escala e a duração do conflito, mas assumiu que haverá custos orçamentais e económicos das sanções impostas ao regime de Putin não só na Rússia mas também na UE. Porém, o letão garantiu que o crescimento do PIB europeu “vai continuar”. “Mas vai desacelerar”, reconheceu.

Na mesma linha, Gentiloni lembrou que a previsão de crescimento do PIB em 2022 da Comissão Europeia é de 4% e afirmou que a guerra irá “pesar significativamente” na recuperação, mas “não irá pará-la”. O italiano reconheceu o impacto negativo do conflito através da instabilidade dos mercados financeiros, das pressões nos preços da energia, na confiança das empresas e dos cidadãos e nas cadeias de valor internacionais, podendo provocar falhas no abastecimentos de determinados produtos.

Na semana passada, a Reuters divulgou previsões do economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, que apontavam para um corte na previsão de crescimento económico da Zona Euro entre 0,3% a 0,4% num cenário moderado e de cerca de 1% num cenário mais severo. Contudo, estas projeções são preliminares e será preciso esperar pela reunião do BCE de 10 de março para conhecer mais pormenores, nomeadamente o impacto da guerra na evolução da taxa de inflação.

Nas próximas semanas, segundo o comissário europeu da economia, a equipa da direção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros (ECFIN) da Comissão Europeia irá trabalhar na avaliação do impacto económico deste conflito. Será em maio que o executivo comunitário irá atualizar as suas previsões económicas para a Zona Euro.

Neste momento, nem Dombrovskis nem Gentiloni indicaram que esteja a ser pensada uma resposta orçamental ou económica específica para reagir ao impacto da guerra travada entre a Ucrânia e a Rússia. Ambos lembraram que os países têm de executar os respetivos Planos de Recuperação e Resiliência (PRR), o que já dará um impulso às suas economias, e que as regras orçamentais estão suspensas em 2022, o que dá margem orçamental para os países aumentarem a despesa pública.

Mas também não fecharam definitivamente a porta a essa possibilidade uma vez que ainda é incerta a duração e a escala deste conflito. Desde logo, foi sinalizado que em maio a Comissão Europeia e os 27 Estados-membros deverão reavaliar a reativação das regras orçamentais no próximo ano, tendo em conta o impacto da guerra.

Afastados estão, para já, os conhecidos processos por défices excessivos em que Portugal já esteve por duas ocasiões nos últimos 20 anos. A Comissão Europeia decidiu que não vai propor a abertura de nenhum processo, face à incerteza excecional que se vive, deixando essa avaliação para outono deste ano.

(Notícia atualizada às 13h50 com mais informação)

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