Recebeu o IRS? Há formas de rentabilizar o seu dinheiro

  • Filipe Maria
  • 17 Abril 2022

Do investimento em ações aos PPR, passando pelos fundos multi-ativos, o ECO falou com dois investidores sobre como rentabilizar o reembolso do IRS.

No primeiro dia de abril arrancou o período de entrega das declarações de IRS, que se prolongará até 30 de junho. Para muitos portugueses, é também sinónimo de reembolso do imposto retido a mais no ano anterior.

Este dinheiro extra é um importante balão de oxigénio que ajuda nas despesas familiares, principalmente neste período de elevada inflação. Mas também há quem consiga pô-lo a render. Quais as melhores opções na altura de investir?

Rui Castro Pacheco, head of investments do Banco Best, sublinha, em primeiro lugar, a importância de se olhar para o prazo de investimento e para o perfil de risco do investidor. “Se o investidor sabe que vai necessitar do capital no curto prazo, não deve efetuar investimentos arriscados”, aconselha.

Um investimento de risco, onde o capital não é garantido, tão facilmente pode valorizar como o oposto (ainda que, a longo prazo, a perspetiva seja de que cresça em valor). Rui Castro Pacheco explica que, no caso de uma desvalorização pouco depois de ter sido feito o investimento, “o investidor pode não ter tempo de recuperar e ter que liquidar as suas posições com uma perda”. Neste sentido, o especialista destaca o princípio da diversificação no investimento a médio e longo prazo.

Para o responsável do Banco Best, as taxas de juro ainda se encontram em valores relativamente baixos, razão pela qual defende que os depósitos não representam uma boa alternativa onde investir o reembolso — com a inflação atual, aliás, facilmente acaba por perder poder de compra.

Rui Castro Pacheco dá também outras ideias: o investimento em crowdfunding (financiamento colaborativo), os fundos imobiliários e fundos multi-ativos, por exemplo.

Por sua vez, Nuno Sousa Pereira, head of investments da Sixty Degrees, sugere estratégias de investimento flexíveis, especialmente as que podem evitar a exposição a obrigações. O motivo, garante o responsável, reside no atual contexto de inflação elevada, possível subida das taxas de juro, retirada dos estímulos aos mercados financeiros e corrida aos recursos e matérias-primas.

Os retornos dos investimentos deverão ser mais voláteis e a classe de obrigações poderá ser aquela que irá surpreender mais negativamente os investidores, em especial pelas expectativas iniciais de baixo risco.

Nuno Sousa Pereira

Head of Investments da Sixty Degrees

Nuno Sousa Pereira enfatiza ainda a importância de seguir uma estratégia que se adapte às condições de mercado, sendo que esta deverá permitir maximizar as hipóteses de atingir um “bom binómio retorno/risco”.

Para os perfis mais dinâmicos

Como o nome indica, os fundos multi-ativos investem em vários tipos de ativos, desde liquidez, obrigações, ações e outros instrumentos. Estes fundos podem adotar perfis mais ou menos agressivos, podendo encontrar alguns com “preocupação pela proteção do capital investido”, ou seja, com um risco “muito controlado”.

No entanto, os fundos multi-ativos também podem ter um perfil mais agressivo de modo a refletir um investimento mais dinâmico (e também mais volátil), sendo que, neste caso, deve ter um “horizonte temporal alargado”, defende Rui Castro Pacheco.

Um fundo multi-ativos pode representar um investimento genérico em ações, ou mesmo um investimento temático (tecnologia, indústria, etc.), podendo gerar “um retorno interessante e acima dos mercados acionistas mais genéricos”, diz o investidor.

À semelhança dos fundos multi-ativos focados na proteção do capital, existem outras opções com o objetivo inverso, ou seja, com uma equipa de gestão ativa focada no crescimento dos investimentos e não tanto na proteção dos mesmos. Ao preço de um risco adicional face a outros fundos multi-ativos mais conservadores, estes podem ter um potencial de crescimento superior aos fundos mais modestos (mas também de perdas). Preste atenção às comissões — em fundos com gestão ativa, estas podem ser mais elevadas do que gostaria.

O investimento genérico em ações também pode representar uma boa opção de investimento a longo prazo, defende Rui Castro Pacheco. Se for global e diversificado, este tipo de investimento pode representar uma mais-valia, mas para os investidores com preocupações ou gosto por áreas em particular, há também a opção de um investimento temático, menos genérico e mais específico, avança o responsável do Banco Best.

Nuno Sousa Pereira também faz menciona o investimento em ações de empresas cíclicas, com equipa de gestão experiente, implantação no mercado e geração de cash flow. O responsável da Sixty Degrees confessa mesmo que “estas deverão ser as empresas mais beneficiadas durante o início do novo ciclo macroeconómico”. Em função de um ambiente marcado pela disrupção logística, custos elevados de energia e competição pela mão-de-obra especializada, as empresas já estabelecidas no mercado têm uma vantagem competitiva elevada, garante Pereira.

Precisamente pelos motivos invocados, o responsável considera que as características anteriormente mencionadas se integram nas empresas que compõem o índice PSI da bolsa portuguesa, daí o seu “bom retorno face aos índices europeus”.

Planos Poupança Reforma

Se só planeia resgatar na reforma, os PPR representam uma opção versátil e variada, desde os mais conservadores aos mais dinâmicos, passando também pelos chamados “todo-o-terreno”, avança Rui Castro Pacheco.

Também Nuno Sousa Pereira recomenda o investimento em PPR, especialmente se o investidor for capaz de capitalizar os benefícios à entrada”, visto obter desta forma um elevado retorno no ano da realização.

O responsável da Sixty Degrees recorda ainda que existe um benefício fiscal para quem poupa via PPR. Se tem menos de 34 anos e investir 2.000 euros no ano, tem direito a deduzir 400 euros no IRS do ano seguinte, valor que vai descendo consoante a idade do investidor. Mas tenha sempre em conta que se resgatar o investimento fora das condições previstas na lei, tem de devolver ao Estado o benefício fiscal, acrescido de juros.

Como regra de ouro, nunca deve investir em produtos que não conhece. É recomendável esclarecer todas as dúvidas antes de avançar.

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