Presidente do BCE admite subida de juros no verão

Christine Lagarde sinaliza que o início da subida das taxas de juro deve começar "semanas" depois do fim do programa de compra de ativos, no início do próximo trimestre.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) admitiu que a subida das taxas de juro na Zona Euro pode ter início “semanas” depois do fim do programa de compra de ativos, sinalizando, assim, que o primeiro aumento em mais de uma década pode acontecer já na reunião de política monetária de 21 de julho.

“O primeiro aumento das taxas (…) acontecerá algum tempo após o fim das compras líquidas de ativos”, disse Christine Lagarde esta quarta-feira, citada pela Bloomberg (acesso pago). “Ainda não definimos ao certo a noção de ‘algum tempo’, mas deixei muito claro que isso pode significar um período de apenas algumas semanas“, acrescentou, defendendo uma normalização “gradual” da política monetária.

A expressão “apenas algumas semanas” sinaliza que a presidente do BCE admite uma subida dos juros na reunião de política monetária de 21 de julho. Caso não aproveite essa oportunidade, o conselho de governadores do BCE — que reúne a comissão executiva e os 19 governadores dos bancos centrais dos países da Zona Euro — só poderá subir os juros a 8 de setembro, data da próxima reunião de política monetária, de acordo com o calendário do banco central.

Perante uma taxa de inflação recorde — quase quatro vezes superior à meta de 2% do BCE — os ‘colegas’ de Lagarde no banco central estão a pressionar cada vez mais para um aumento dos juros na próxima reunião, a 21 de julho. Embora os bancos centrais dos Estados Unidos e Inglaterra estejam mais avançados no aperto das suas políticas monetárias, o BCE não aumenta os custos dos empréstimos desde 2011, diz a agência de notícias.

Porém, também há quem argumente que uma subida neste período de incerteza seja contraproducente, levando a economia europeia para uma recessão indesejável. É o caso de Fabio Panetta, membro da comissão executiva do BCE, que defende uma subida de juros depois de julho, quando já conhecer a evolução do PIB no segundo trimestre, tendo em conta o impacto da guerra. O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, também recomendou “calma e ponderação”. Centeno concretizou que “é desejável” que o BCE suba os juros para normalizar a política monetária, mas advertiu que tal “só” deve acontecer “quando for seguro fazê-lo”.

Neste momento, os mercados financeiros antecipam aumentos de 25 pontos base nos juros nas decisões de julho e setembro e um novo aumento até ao final do ano. As estimativas apontam ainda para um pico de 1,5% nas taxas de depósito daqui a cerca de dois anos.

As bolsas europeias aceleraram com a notícia. O PSI soma 0,51%, mas os ganhos nas principais praças europeias chegam a superar 2% no caso da bolsa francesa.

(Notícia atualizada às 10h21 com mais informação)

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