INE vê “trajetória marcadamente ascendente” dos preços em maio

  • ECO e Lusa
  • 21 Junho 2022

Índice de preços na produção da indústria transformadora subiu 22,9% em maio face ao mesmo mês de 2021, registando o crescimento mais elevado da atual série.

Na síntese económica de conjuntura de maio divulgada esta terça-feira, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) dá destaque à “trajetória marcadamente ascendente” dos preços no produtor e no consumidor. O índice de preços na produção da indústria transformadora subiu 22,9% em maio face ao mesmo mês de 2021, registando o crescimento mais elevado da atual série.

Os dados conhecidos esta terça-feira indicam que, excluindo a componente energética, o índice de preços na produção da indústria transformadora aumentou 16,3% em maio face ao mesmo mês de 2021, apresentando também o crescimento mais elevado da atual série (contra 15,7% em abril).

Em relação à taxa de inflação, o INE recorda que a variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi de 8% em maio, o nível mais elevado desde fevereiro de 1993. O indicador de inflação subjacente (IPC total excluindo bens energéticos e alimentares não transformados) registou uma variação homóloga de 5,6% em maio, contra 5,0% em abril e a mais elevada desde outubro de 1994.

“Refletindo em grande medida a aceleração dos preços, os indicadores de curto prazo da atividade económica na perspetiva da produção, disponíveis até abril de 2022, continuaram a revelar crescimentos elevados em termos nominais, ainda que em desaceleração face ao mês anterior”, afirma o INE.

Na indústria, o índice de volume de negócios aumentou 19,7% em abril (contra 26,1% em março), crescimentos nominais indissociáveis do atual ciclo de aumento de preços na indústria (24,7% em abril), adianta o INE, sublinhando que os resultados obtidos podem ter sido influenciados pelo facto de abril ter tido 19 dias úteis, menos dois que em 2021 e menos três que em março de 2022.

Na vertente externa, o aumento mais expressivo dos preços implícitos das importações de bens comparativamente às exportações traduz perdas dos termos de troca, que se têm agravado nos últimos meses devido sobretudo aos preços dos bens energéticos, contribuindo para a deterioração do saldo externo de bens.

De acordo com as estimativas provisórias mensais do Inquérito ao Emprego, a taxa de desemprego (16 a 74 anos), ajustada de sazonalidade, foi 5,8% em abril, idêntica aos valores definitivos registados no mês anterior e há três meses (6,9% em abril de 2021). A taxa de subutilização do trabalho (16 a 74 anos) situou-se em 11,2%, mantendo-se inalterada face a março (13,0% em abril de 2021).

A população empregada (16 a 74 anos), também ajustada de sazonalidade, diminuiu 0,1% face ao mês anterior e aumentou 3,5% em termos homólogos (variação homóloga de 4,0% em março).

De acordo com a edição de maio de 2022 do Inquérito Rápido e Excecional às Empresas – COVID-19, 56% das empresas já tinham alcançado ou ultrapassado o nível de atividade pré-pandemia em maio. No Alojamento e restauração esta proporção era inferior (37%). Por outro lado, 54% das empresas perspetivam um aumento do volume de negócios face ao ano anterior e apenas 14% preveem uma redução. No Alojamento e restauração, esta percentagem de empresas sobe para 75%.

Considerando a informação disponível para junho, o preço do petróleo (Brent) manteve o movimento ascendente, registando um valor médio de 119,3 euros nos primeiros dezasseis dias, o que representa um aumento de 11,3% face ao valor médio de maio.

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