Paulo Azevedo vê escola “desadequada à sociedade e expectativa dos jovens”

Presidente da Fundação Belmiro de Azevedo frisa que falta de capacidade financeira “condiciona os jovens” nos estudos e “acaba por espartilhar as suas escolhas logo nos níveis mais baixos do ensino”.

A Fundação Belmiro de Azevedo (FBA) ambiciona promover a mudança e a transformação nos percursos sociais e educativos dos jovens mais excluídos em Portugal, “adotando abordagens que influenciem positivamente e os motivem pela definição de expectativas em relação ao futuro”.

Na abertura da conferência internacional “Teacher Education – Building an Agenda for the 21st Century”, na Fundação de Serralves, no Porto, o presidente da FBA, Paulo Azevedo, salientou que a falta de capacidade financeira “condiciona os jovens” no acesso às melhores condições de ensino e no apoio aos estudos, e “acaba por espartilhar as suas escolhas logo nos níveis mais baixos do ensino”.

“Sabemos que o baixo nível sociocultural das famílias, a ausência de modelos e a priorização de necessidades básicas secundarizam, por vezes, a educação em determinados contextos. E sabemos também que a escola está desadequada à dinâmica da evolução da sociedade e às expectativas dos próprios jovens”, sublinhou o ex-presidente executivo da Sonae.

A FBA apoia várias entidades e projetos que estão no terreno ao nível do desenho de programas de formação para educadores e professores, e no estudo de percursos educativos alternativos, com o presidente a dar o exemplo do ensino profissional orientado para o mercado de trabalho. “Queremos intervir por antecipação, enquanto os jovens estão na sua formação base, combatendo a desigualdade educativa e gerando impacto sistemático e sustentável”, frisou Paulo Azevedo.

O meu pai não perdia uma oportunidade para relembrar o papel determinante que o professor de instrução primaria teve na sua vida: pelo que lhe ensinou, porque o obrigou a pensar sobre as expectativas de futuro e por ter convencido os pais que valia a pena apostar na sua educação.

Paulo Azevedo

Presidente executivo da Fundação Belmiro de Azevedo

Criada em 1991, esta fundação tem-se destacado pelo think tank Edulog, que integra vários especialistas nesta área e tem como missão divulgar conhecimento científico sobre a educação, promover o debate e estimular a mudança nas políticas públicas. E que criou o Edustat – Observatório da Educação, apresentado como a maior plataforma de recolha e disponibilização “transparente” de dados no setor, incluindo mais de 50 indicadores quantitativos para a formulação de políticas públicas.

“A promoção da educação é o propósito central da Fundação. Quem conheceu a vida do meu pai não esperaria outra coisa. Acreditava que é o melhor recurso que uma sociedade moderna tem para oferecer. Um dos combates da sua vida foi participar no desenvolvimento de um modelo educativo de excelência e estável — e também pugnar para que todos tivessem acesso a esse recurso fundamental”, frisou Paulo Azevedo.

No arranque deste evento subordinado ao tema da formação de professores”, organizado em parceria com a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), o líder da FBA recordou ainda como o pai “colocava o papel do professor no mesmo patamar de importância do acesso de todos a um modelo educacional de excelência”.

“Não perdia uma oportunidade para relembrar o papel determinante que o professor de instrução primaria teve na sua vida: pelo que lhe ensinou, porque o obrigou a pensar sobre as expectativas de futuro e por ter convencido os pais que valia a pena apostar na sua educação”, concluiu o gestor durante esta intervenção na Fundação de Serralves, no Porto.

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