Portugal empurra 793 milhões de dívida para 2028 e 2035

O IGCP recomprou 793 milhões de euros em dívida que vencia em 2023 e 2024, trocando-a por obrigações com maturidade em 2028 e 2035. Alivia as necessidades de reembolso nos próximos anos.

Portugal conseguiu recomprar 793 milhões de euros em obrigações do Tesouro que venciam nos próximos dois anos, trocando por dívida com prazos de seis anos e de 13 anos. Com esta operação, o IGCP “empurra” os reembolsos de dívida para mais tarde, aliviando as necessidades financeiras entre 2023 e 2024.

Como contrapartida para adquirir estes títulos, a agência que gere a dívida pública emitiu junto dos investidores um total de 763 milhões de euros em obrigações com maturidade em 2028 e 2035. A diferença de 30 milhões entre o montante recomprado e emitido resultará de ajustamentos nos preços de recompra de antigos títulos e de venda dos novos.

De acordo com o IGCP, foram recomprados antecipadamente 538 milhões de euros em obrigações com maturidade em outubro de 2023 e 255 milhões de euros em obrigações com maturidade em fevereiro de 2024.

Em troca, os investidores aceitaram 531 milhões de euros em títulos com maturidade em 2028 e 232 milhões de euros em títulos com maturidade em 2035.

Portugal enfrenta um calendário de reembolsos desafiante nos próximos anos, também tendo em conta a pressão que o país já está a sentir com o aumento dos custos de financiamento. Já em outubro terá de devolver cerca de 8,4 mil milhões de euros aos investidores, sendo que Cristina Casalinho já disse ao ECO que o país “beneficia de uma posição confortável” para fazer esse pagamento daqui a três meses.

Em relação a 2023 e 2024, os reembolsos atingirão os 11,1 mil milhões de euros e os 10,7 mil milhões. Faz parte da estratégia do IGCP “alisar” as necessidades financeiras ao longo dos anos através de operações de troca de dívida como esta ou de recompra antecipada de títulos.

Esta operação surge numa altura em que os juros da dívida da periferia da Zona Euro têm acelerado com a perspetiva de subida das taxas do Banco Central Europeu (BCE). O banco central vai aumentar as taxas em 25 pontos na reunião de 21 deste mês e a subida prevista para a reunião de setembro poderá ser maior se as pressões inflacionistas persistirem, segundo admitiu Christine Lagarde na semana passada em Sintra.

Face ao agravamento dos juros da dívida de países como Itália e Portugal, o BCE anunciou um novo instrumento para “controlar” os diferenciais em relação à Alemanha. Os detalhes deste escudo anti-crise serão divulgados daqui a duas semanas.

(Notícia atualizada às 11h15)

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