Euro atinge paridade: já vale o mesmo que um dólar

A moeda única tocou 0,9999 dólares depois da divulgação da inflação nos EUA em junho: 9,1%, acima do que era previsto. Recuperou ligeiramente desde esse momento.

Sob pressão no último ano, o euro atingiu esta quarta-feira a paridade contra o dólar, ao tocar 0,9999 dólares por breves instantes, algo que já não acontecia há duas décadas. Esse marco foi alcançado depois de ter sido divulgado que a inflação nos EUA atingiu 9,1% em junho, em termos homólogos — mais do que previam os economistas.

Na prática, quer dizer que um euro vale praticamente o mesmo do que um dólar. Desde o início do ano que a moeda única acumula uma desvalorização de cerca de 12% perante o que os analistas já descreveram de “tempestade perfeita”.

Depois de descer a linha de água, o euro recuperou ligeiramente e, de acordo com dados da Refinitiv, negoceia em torno de 1,0014 dólares. Para comparação, no início do ano um euro valia 1,1368 dólares.

Euro já está abaixo do dólar

Fonte: Reuters

Vários fatores têm contribuído para a depreciação do euro nos últimos meses, que não deverá ficar por aqui, com os analistas a falarem numa “tempestade perfeita” que se abate neste momento sobre a moeda partilhada na Zona Euro.

Desde logo, os investidores estão a pesar a margem cada vez mais reduzida para o Banco Central Europeu (BCE) subir as taxas de juro de forma mais acentuada para controlar a inflação, tal como tem feito a Reserva Federal americana (Fed). Taxas mais altas dão força à moeda. Porém, com a ameaça de recessão a pairar na Europa, sobretudo num contexto de alta dos preços da energia, o banco central fica com espaço mais estreito para aumentar as suas taxas.

O BCE já anunciou que vai subir as taxas de juro em 25 pontos base na reunião marcada para 21 de julho, naquela que será a primeira subida em mais de uma década. Contudo, a Fed já iniciou o ciclo de subidas em março e, desde então, as taxas já aumentaram em 1,5 pontos percentuais, o que tem contribuído para a força do dólar – ou para o enfraquecimento do euro, visto do lado de cá.

Além da ameaça de recessão, o BCE tem de ponderar outro fator quando determinar mais subidas: o impacto nos juros da dívida dos governos da Zona Euro, nomeadamente, o risco de fragmentação. Quando anunciou há um mês que ia começar a aumentar os juros este mês, as taxas da dívida italiana dispararam para níveis que assustaram as autoridades. Para travar a desconfiança, o banco central anunciou que vai criar uma ferramenta anti-fragmentação para conter o disparo dos chamados spreads – diferenciais dos juros da dívida entre os países.

Esse escudo deverá conhecer desenvolvimentos na reunião do conselho de governadores do BCE da próxima semana, mas já se conhecem alguns pormenores. Por exemplo, deverá estar associado a algum condicionalismo, isto é, para os países beneficiarem da sua proteção terão de assumir compromissos económicos.

Também se sabe que não há consenso em torno deste mecanismo, com os países frugais entre aqueles que já colocaram reservas.

O valor da moeda tem impactos significativos na economia. O euro mais fraco torna “mais caras” as compras que fazemos ao exterior, como, por exemplo, matérias-primas como o petróleo, que são geralmente cotadas em dólares nos mercados internacionais. Com um euro compramos menos de determinado bem cotado em dólares. Por outro lado, torna as exportações nacionais mais competitivas, pois, com um dólar mais forte, o comprador internacional adquire mais de determinado bem cotado em euros.

Mas os efeitos vão muito mais além do comércio. Países da Zona Euro com elevadas dívidas ficam numa posição mais fragilizada com um euro fraco contra o dólar, por exemplo.

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