Fitch corta rating do banco polaco do BCP para “lixo”

Prejuízos e deterioração do rácio de capital devido às novas moratórias e às provisões para os créditos em francos suíços levam Fitch a baixar rating do Bank Millennium em dois níveis para "lixo".

A Fitch baixou a notação de risco do banco polaco do BCP em dois níveis, de “BBB-” para “BB”, um patamar considerado investimento especulativo ou, no jargão dos investidores, “lixo”, com um outlook – perspetiva de evolução – “estável”.

A agência de rating americana justifica a decisão de cortar o rating do Bank Millennium, detido em 50,1% pelo BCP, com a erosão do rácio common equity Tier 1 (CET1) para 12,1% no final de junho face aos 15,6% há um ano, devido aos prejuízos e outros resultados negativos. “Já tínhamos indicado anteriormente que a queda do rácio CET1 para um nível abaixo dos 13% poderia desencadear um downgrade”, assinalam os analistas da Fitch.

Além disso, é expectável uma “erosão significativa do capital no terceiro trimestre de 2022, que deverá levar ao incumprimento do requisito de reserva de capital combinado e ao lançamento do plano de recuperação do banco”, de acordo com a agência.

A Fitch explica que a erosão de capital (que se vai verificar em todo o setor financeiro polaco) tem a ver com o novo regime de moratórias de crédito que o Governo da Polónia anunciou há semanas. O Bank Millennium já avisou que espera um custo upfront até 330 milhões de euros com esta medida, que será reconhecido no terceiro trimestre, e está a preparar medidas para repor os rácios ao abrigo de um plano de recuperação a ser anunciado. E espera prejuízos neste trimestre.

A agência norte-americana diz ainda que a redução do rating tem por base o atual ambiente operacional no mercado polaco, falando numa “maior vontade das autoridades polacas de intervirem no setor bancário e impor grandes custos adicionais aos bancos”.

Em relação ao outlook “estável”, que deixa antever que não haverá mudanças nos próximos meses, a Fitch diz que reflete a expectativa de recuperação dos rácios de capital do banco polaco a partir do quarto trimestre. “O banco continua rentável e vai beneficiar das taxas de juro mais altas e maiores margens, enquanto o impacto negativo das provisões para os riscos legais com a carteira de crédito em francos suíços, que levou a perdas em 2021 e no primeiro semestre de 2022, deverá retroceder gradualmente”, afirma.

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