Venda da participação do Estado no Hospital da Cruz Vermelha volta à estaca zero

Parpública tinha um acordo com a Santa Casa para vender participação de 45% no Hospital da Cruz Vermelha, mas negócio não se concretizou. Holding do Estado mantém plano de venda.

A venda da participação do Estado na CVP – Sociedade de Gestão Hospitalar (CVPSGH), que explora o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, voltou à estaca zero. A Parpública tinha um acordo para vender os seus 45% no hospital à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) desde o final de 2020, mas o negócio não se concretizou. Ainda assim, a holding que gere as participações públicas mantém o plano de venda.

Quando adquiriu, em dezembro de 2020, uma posição de 55% na CVPSGH à Cruz Vermelha Portuguesa, a Santa Casa tinha um objetivo mais ambicioso: tornar-se acionista único do hospital agora liderado pelo ex-ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes e estava inclusivamente acordado, numa segunda fase, adquirir os restantes 45% do capital social à Parpública.

Porém, nunca chegou a avançar com essa operação, conforme explica a Parpública no relatório e contas de 2021 publicado recentemente. A situação pandémica e os investimentos da Santa Casa na reestruturação da atividade operacional do hospital terão atrasado a conclusão do negócio. A entidade liderada por Edmundo Martinho não faz comentários. E, ano e meio depois das mudanças na CVPSGH, a holding do Estado reitera ao ECO que mantém o interesse em vender a sua participação e, não tendo ainda encontrado um comprador, lembra que a Santa Casa terá sempre o direito de preferência.

Uma vez que o negócio caiu por terra, Parpública e Santa Casa tiveram de negociar um novo acordo parassocial na CVPSGH já este ano para “ajustar e equilibrar os poderes e deveres das partes, em função da percentagem de capital detido, do esforço financeiro efetivo de cada acionista e do nível de gestão exigível”. Sem prejuízo de, ainda assim, a Parpública manter o interesse em sair da estrutura acionista da sociedade.

“Continua a existir o empenho e compromisso da gestão com um plano de venda, [mas] não está ainda identificado um potencial comprador para essa participação”, refere a Parpública no mesmo relatório, avaliando essa posição em cerca de 4,4 milhões de euros.

Neste cenário de não venda, e sem perspetivas de conclusão de um negócio em 2022, a holding do Estado voltou a reclassificar a empresa como participação associada, deixando de estar classificada como “ativo detido para venda”.

Compra de 19% da Águas de Portugal à Caixa também por fechar

Outro dossiê que continua por fechar é o da Águas de Portugal. A Parpública detém 81% da empresa que gere as águas e quer comprar os restantes 19% que estão nas mãos da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Esperava que a transação pudesse ficar concluída no ano passado, “o que acabou por não ser realizada”, adianta a Parpública, que já estava a considerar receber os dividendos estimados em 28 milhões de euros no pressuposto de que já seria detentora de 100% do capital da Águas de Portugal.

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