Renovações de janeiro: custos de resseguro sobem até 200%

  • ECO Seguros
  • 4 Janeiro 2023

Aumentos crescentes nas renovações cruciais de janeiro ameaçam aumentar os prémios e reduzir a cobertura da oferta.

De acordo com um novo relatório, cujos resultados foram publicados pelo Financial Times, nesta quarta-feira, a guerra na Ucrânia e os eventos climáticos extremos fizeram disparar os custos dos resseguros em até 200% nas renovações de janeiro, aumentando os prémios e reduzindo o que as seguradoras estão dispostas a cobrir.

A renegociação das apólices de resseguro deste ano tem sido o maior desafio em anos, uma vez que as resseguradoras respondem à pressão da inflação e às perdas avultadas resultantes de catástrofes naturais, bem como às consequências da guerra na Ucrânia.

James Kent, chefe executivo global do corretor de resseguros Gallagher Re, que publicou o relatório na terça-feira, descreveu a atividade do primeiro dia do ano como uma “renovação muito tardia, complexa e, em certos casos, frustrante”.

Os custos do resseguro aeroespacial aumentou entre 150 a 200%, à medida que os resseguradores ajustaram os preços, após reavaliação de perdas, e de pagamentos de aviões retidos, a par com uma batalha legal com empresas de leasing, na sequência da invasão russa da Ucrânia.

O resseguro de catástrofes imobiliárias, que se deve a perdas causadas por furacões e outras catástrofes naturais, também disparou, tendo as taxas nos E.U.A. aumentado entre 45% e 100% para apólices de perdas, de acordo com os números da Gallagher Re. O corretor atribuiu os resultados ao impacto do Furacão Ian e à ameaça da inflação, que impulsiona os pagamentos.

“Para a Propriedade, este é o ano em que o resseguro voltou a um lugar central e eles têm sido muito firmes”, disse ao Financial Times o presidente internacional da Gallagher Re, James Vickers. O líder referia-se às negociações de resseguro, destacando este como o “[mercado] mais duro desde o 11 de setembro

Noutro relatório, também publicado nesta terça-feira, a corretora Howden afirmou que o custo do resseguro de propriedade catastrófica tinha aumentado 37%, a nível mundial, nas renovações de janeiro, o maior aumento de dados comparáveis desde 1992. A Howden chamou-lhe “um dos mercados de resseguro mais duros de que há memória”.

Os preços de resseguro elevados e a reduzida disponibilidade das coberturas alimentam os preços que as seguradoras cobram e o que estão dispostas a oferecer. Existe ainda a opção de subscrever negócios “líquidos”, ou sem cobertura de resseguro. Espera-se que os aumentos de preços do resseguro fomentem ainda mais o que já é uma subida nos preços dos seguros para as empresas.

As conclusões sobre as negociações de 1 de janeiro, na perspetiva da Guy Carpenter, corretores de resseguro, – e publicadas pelo ECOseguros – apresentaram este como “um dos mercados de resseguro mais desafiantes que o setor tem experimentado”, incluindo pedidos de resseguradores para alterar as coberturas, “ameaçando corroer o valor central do produto de resseguro”.

Outro fator que influenciou o aumento de preços de resseguro tem sido a compressão da capacidade, à medida que os resseguradores se retiram de áreas como o resseguro de catástrofes imobiliárias. Os corretores relataram, no entanto, que o grau de subida de preços nas renovações de 1 de janeiro atraiu nova capacidade para o mercado por parte de subscritores que angariaram capital novo.

Os resseguradores também se esforçaram por restringir ou excluir a Rússia, Ucrânia e Bielorrússia de algumas áreas de cobertura, disse a Gallagher Re. A maior retração do resseguro de ativos já está a ter efeitos: no mês passado, as seguradoras marítimas ocidentais disseram que iriam excluir perdas provenientes do conflito, na sequência de uma mudança das suas resseguradoras para reduzir a exposição.

Também em dezembro, a Nikkei Asia, a publicação irmã da FT, relatou que o governo japonês tinha atuado após as seguradoras locais terem dito que já não podiam oferecer cobertura para danos de navios em águas russas – apontando também para a decisão das resseguradoras ocidentais de remover a cobertura.

 

 

 

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