O que nunca dizer ao perito do seguro após a tempestade

  • Diana Rodrigues
  • 17 Março 2025

Evite auditorias e atrasos no seguro. Saiba como comunicar com o perito, organizar provas e manter a consistência nos factos para garantir uma indemnização rápida e justa.

ECO Fast
  • As seguradoras estão a adotar inteligência artificial e análise de dados para detetar inconsistências nas reclamações de sinistros.
  • A boa-fé é fundamental no processo de reclamação, sendo essencial evitar mentiras e garantir que os danos reclamados correspondem à realidade.
  • A honestidade e a organização na apresentação dos danos podem influenciar positivamente o relatório do perito, evitando complicações futuras.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Uma das características essenciais do contrato de seguro é ser um contrato de boa-fé. Participar um sinistro também é, tecnicamente, um ato de boa-fé. No entanto, após uma tempestade avassaladora, a linha entre “reclamar o que perdi” e “tentar aproveitar para renovar a casa” pode tornar-se ténue. Mas, em 2026, as seguradoras utilizam inteligência artificial e análise de dados para detetar inconsistências.

1. A regra de ouro: “verdade acima de tudo”

A tentação de incluir aquele televisor que já estava avariado há meses na lista de danos elétricos é grande. Não o faça.

O risco: Se um perito detetar uma mentira (como um aparelho com pó acumulado nos circuitos internos que prova que não ligava há meses), ele pode perder a confiança em todo o seu processo. Uma mentira pode levar à anulação total da indemnização por “fraude no sinistro”. Lembre-se que a prestação da seguradora está limitada ao dano real e não serve para obter lucro. Reclamar valores acima do prejuízo real viola este princípio (princípio indemnizatório).

2. O que nunca dizer: “isto já estava assim” ou “já era velho”

A honestidade é vital, mas a precisão é o que ganha processos.

Evite o desabafo: Ao falar com o perito, não diga “aquilo já estava meio mal”. Isso dá-lhe o argumento necessário para aplicar o coeficiente de desgaste máximo ou alegar falta de manutenção. Diga antes: “O equipamento estava em pleno funcionamento até ao momento da tempestade/pico de tensão.”

3. “Não sei” é uma resposta válida

Muitas pessoas, sob stress, tentam adivinhar horas exatas ou causas técnicas.

A estratégia: se o perito perguntar “a que horas exatamente caiu o raio?”, e você não tem a certeza, diga apenas: “foi durante o período crítico da trovoada, entre as X e as Y horas”. Inventar uma hora exata que não coincida com os registos de raios do IPMA pode levantar suspeitas desnecessárias.

4. Gestão de emoções: firmeza, não agressividade

O perito é um profissional que vê desgraças todos os dias. Ele está habituado a gritos e desespero. Seja o “cliente exemplar”: receba-o com o dossiê de fotos já impresso, a lista de danos organizada e os orçamentos na mão. Quando facilita o trabalho do perito, ele tende a ser mais favorável no relatório. A agressividade gera resistência. A organização gera eficiência.

5. O mito da “ajuda” do perito

Alguns peritos podem dizer: “Vou pôr aqui que foi o vento para o ajudar”.

Cuidado: Se o perito o incentiva a mentir sobre a causa (ex: dizer que foi o vento quando foi uma inundação), ele pode estar a testar a sua integridade confirmando toda a factualidade. Mantenha-se fiel aos factos que documentou nas suas fotos.

Perguntas Frequentes: ética e procedimentos

  • Posso limpar a casa antes de o perito chegar?
    Deve limpar o que for necessário para a higiene e segurança. No entanto, não deite fora os bens destruídos (eletrodomésticos, pedaços de mobília, restos de telhas). Crie um “monte de salvados” num canto do quintal ou garagem para que o perito possa ver fisicamente os objetos. Se deitar fora, ele pode dizer que não viu objetos danificados.
  • E se o perito me pedir dinheiro para “acelerar” o processo?

Isto é crime. Denuncie imediatamente à seguradora e à Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). Nunca aceite “acordos por fora”.

  • Posso filmar a peritagem?
    Pode, desde que informe previamente o perito. No entanto, é mais útil tomar notas escritas de tudo o que ele diz e das medições que faz. No final, peça-lhe para confirmar o que anotou como “danos observados”.

Conclusão

  1. Factos: Só reclame o que foi efetivamente causado pela tempestade.
  2. Provas: Se não tem foto, tente encontrar testemunhas.
  3. Consistência: Garanta que o que diz ao telefone é o mesmo que escreveu no e-mail e o mesmo que diz ao perito.