Seguro não paga danos da tempestade? Como contestar

  • Diana Rodrigues
  • 17 Março 2025

Após a depressão Kristin, milhares de processos de seguros enfrentam atrasos ou recusas. Saiba como utilizar técnicas eficazes para acelerar a indemnização e como contestar.

ECO Fast
  • O artigo orienta os segurados a reivindicarem os seus direitos de forma assertiva após um sinistro, utilizando expressões que reforçam a sua posição.
  • Os segurados devem estar cientes de que podem contestar a avaliação do perito da seguradora e até contratar um perito próprio para garantir uma avaliação justa.
  • Reclamações estratégicas, como o uso do Livro de Reclamações Eletrónico, podem acelerar a resolução de processos, obrigando a seguradora a responder em prazos definidos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Depois de uma tempestade, é comum o segurado sentir-se num beco sem saída. De um lado, tem os estragos em casa, do outro, uma companhia de seguros que comunica por frases feitas e peritos que parecem ter pressa em ir embora. Mas há algo que nunca deve esquecer: o seguro é um contrato e você é o cliente. Saiba como deixar de ser um “número de processo” e passar a ser um segurado que conhece os seus direitos.

1. As “palavras mágicas”

Existem expressões que, quando usadas pelo segurado, mudam imediatamente o tom da conversa. Ao escrever ou falar com a sua companhia, utilize estes conceitos:

  1. “Dever de Boa Fé”: Por lei, as seguradoras são obrigadas a agir com honestidade e rapidez. Se sentir que estão a empatar, use esta frase: “A vossa demora viola o dever de boa-fé contratual a que estão obrigados”.
  2. “Indemnização Justa e Equitativa”: Se o valor proposto for ridículo, escreva: “Esta proposta não garante uma indemnização justa que permita repor o imóvel no estado em que se encontrava antes do sinistro”.
  3. “Dever de Informação”: A seguradora é obrigada a explicar-lhe, ponto por ponto, porque é que não paga ou porque é que paga menos. Se não entender a explicação, exija: “Solicito o fundamento técnico e legal detalhado desta decisão”.

2. O seu perito

Muitos afetados pensam que a avaliação do perito da seguradora é definitiva. Não é. E pode ser contestada. O perito da companhia é pago por ela.

Se não concordar com o relatório dele, saiba que:

  • Pode contratar o seu próprio perito ou pedir ao seu empreiteiro de confiança que faça um orçamento técnico detalhado.
    Se os dois peritos não se entenderem, em muitos contratos está previsto que um terceiro perito (neutro) decida.

3. Crie o seu “Diário do Sinistro” 📖

O conhecimento é poder. Para não se perder nas chamadas telefónicas, tenha um caderno à mão onde aponta:

  • Dia e Hora de cada contacto.
  • Nome da pessoa com quem falou.
  • O que foi prometido. Se, daqui a duas semanas, lhe disserem algo diferente, você terá o registo: “No dia 10, às 14h, a funcionária Maria garantiu-me que o perito viria em 48 horas”. Isto retira margem de manobra à seguradora para desculpas.

4. A força da reclamação estratégica

Não reclame apenas por reclamar. Reclame para queimar etapas. Se a seguradora for inflexível, utilize o Livro de Reclamações Eletrónico. Estas reclamações são do conhecimento da ASF (o regulador). Muitas vezes, um processo que estava “parado” há semanas resolve-se rapidamente após uma reclamação no livro, porque a seguradora é obrigada a responder no prazo de 15 dias úteis.

O que dizem vs. O que você deve responder

  • O que o Seguro diz: “Isso é falta de manutenção.”
    O que o Segurado pode responder: “Onde está a prova técnica de que o dano ocorreria sem ventos de 100km/h?”
  • O que o Seguro diz: “O valor é este e não podemos subir.”
    O que o Segurado pode responder: “Não aceito. Apresento aqui um orçamento de mercado que prova que o custo real é superior.”
  • O que o Seguro diz: “Temos muitos casos, tem de esperar.”
    O que o Segurado pode responder: “Vou fazer uma reclamação e nesse caso estão obrigados por lei a responder no prazo máximo de 15 dias úteis. “

Perguntas Frequentes

  • Sou obrigado a aceitar o cheque que o seguro me enviou?

Não. Se o valor for insuficiente, pode aceitar o dinheiro como adiantamento da indemnização (uma parte do total), mas escreva sempre: “Recebo este valor, sem prejuízo de continuar a reclamar o remanescente necessário para a reparação total”. Nunca assine um documento que diga “valor total” se não estiver satisfeito.

  • O meu mediador está do meu lado ou do lado do seguro?

Um bom mediador está do seu lado. Ele é o seu advogado dentro da companhia. Se sentir que o seu mediador não o está a defender, diga-lhe: “Se este processo não for resolvido com justiça, terei de mudar a minha carteira de seguros para outra agência”. Isto costuma focar a atenção do mediador.

  • A seguradora pode denunciar o meu contrato se eu reclamar muito?

A seguradora pode denunciar o contrato na data da renovação anual (com aviso prévio), mas não o pode fazer “em retaliação” a uma reclamação justa. Não tenha medo de exigir o que é seu por direito.

Lidar com as consequências de uma tempestade já é um fardo suficiente. Não permita que a burocracia do seu seguro o torne ainda mais pesado. Ao utilizar as ferramentas certas e manter o seu Diário do Sinistro 📖 atualizado, está a transformar uma posição de vulnerabilidade numa de negociação equitativa. Lembre-se de que a clareza e o rigor são os seus melhores aliados: quando comunica com fundamento técnico e legal, deixa de ser um número de processo e passa a ser um cliente que exige o cumprimento do contrato. Mantenha-se firme, exija transparência e não aceite menos do que a proteção pela qual pagou.