Economia “longe” de crescer 2% este ano, diz Fórum para a Competitividade

PIB deverá ter crescido entre 0,2% e 0,5% no segundo trimestre, depois de queda de 0,5% nos primeiros três meses do ano, projeta o Fórum para a Competitividade.

O Fórum para a Competitividade estima que a economia cresça no segundo trimestre, depois da quebra nos primeiros três meses do ano. Uma evolução que deixará, ainda assim, a evolução do PIB longe dos 2,4% estimados pelo Governo.

Depois da quebra de 0,5% registada no primeiro trimestre, face aos três meses anteriores, o Fórum para a Competitividade estima que no segundo trimestre “o PIB em cadeia tenha uma recuperação entre 0,2% e 0,5%, o que corresponde a uma variação homóloga entre 1,4% e 1,7%“. No primeiro trimestre a evolução homóloga foi de 1,6%.

A Nota de Conjuntura, elaborada pelo diretor do Gabinete de Estudos, Pedro Braz Teixeira, estima que o consumo privado tenha voltado a crescer no segundo trimestre, embora menos do que os 0,8% registados no mesmo período do ano passado, resultando uma “nova desaceleração homóloga”.

“No investimento, terá prosseguido a dualidade entre queda do equipamento de transporte e o dinamismo da construção. Já as exportações começaram o trimestre em queda, não parecendo ter havido condições para uma melhoria ao longo do trimestre, dada a debilidade da conjuntura internacional”, refere ainda a Nota.

A sucessiva deterioração das perspetivas externas e o resultado fraco do 1º trimestre colocam o PIB longe de atingir os 2% em 2025, em linha com a generalidade das previsões que têm vindo a ser divulgadas.

Fórum para a Competitividade

Neste contexto, o Fórum para a Competitividade vê como muito improvável a possibilidade de a economia vir a crescer os 2,4% estimados pelo Governo no Orçamento do Estado para este ano. “A sucessiva deterioração das perspetivas externas e o resultado fraco do 1º trimestre colocam o PIB longe de atingir os 2% em 2025, em linha com a generalidade das previsões que têm vindo a ser divulgadas”, assinala a Nota.

O ministro da Economia e da Coesão admitiu na quinta-feira, pela primeira vez, que Portugal pode não crescer 2,4% este ano. Apesar do efeito das tarifas de Trump, da guerra na Ucrânia e da incerteza que assola a economia mundial, Manuel Castro Almeida considera que o país “crescerá mais de 2% este ano”.

No segundo trimestre vai haver uma normalização do crescimento. Pode não se cumprir o objetivo dos 2,4% que estava inicialmente traçado, mas será sempre acima dos dois pontos percentuais”, disse Castro Almeida quarta-feira no “Negócios da Semana”, na Sic Notícias.

O ministro das Finanças tem recusado admitir que Portugal poderá crescer menos, tendo em conta o contexto internacional. Um contexto que ditou a revisão em baixa das previsões por parte da maior parte das instituições.

A Comissão Europeia, nas previsões da Primavera, prevê que Portugal cresça apenas 1,8% este ano e acelere para 2,2% no seguinte; o Fundo Monetário Internacional antecipa que Portugal cresça 2% este ano e 1,7% no próximo, o Conselho das Finanças Públicas aponta para um crescimento de 2,2% e o Banco de Portugal é o que está mais próximo das previsões do Executivo com 2,3% de progressão do PIB.

Deverá ocorrer nova alteração das tabelas de retenção do IRS, que poderá estimular o consumo privado, mas com intensidade limitada.

Fórum para a Competitividade

O Fórum para a Competitividade antecipa que a nova alteração das tabelas de retenção de IRS “poderá estimular o consumo privado, mas com intensidade limitada”.

Refere também que “a proximidade das eleições autárquicas poderá constituir um impulso adicional à construção ainda no 3º trimestre, mas o mais provável é que não prossiga nos trimestres seguintes”.

A redução das taxas de juro “deverá ter um impacto restrito sobre o investimento, que está afetado quer pelas débeis expectativas de aumento da procura, interna e externa, quer pela elevada incerteza. Por outro lado, “as dificuldades de execução do PRR (e também do investimento público) também não estão a ajudar”.

O contexto internacional adverso deverá continuar a pesar sobre as exportações de bens, que poderão ser parcialmente compensadas pelo dinamismo das exportações de serviços, em particular do turismo, antecipa o Fórum para a Competitividade.

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