Governo quer lançar mais 15 concessões portuárias até 2035. 75% do investimento virá dos privados
Plano para os portos comerciais do continente para a próxima década prevê investimento total de 4.000 milhões de euros, atingindo 125 milhões de toneladas de carga e três milhões de passageiros.
O investimento nos portos portugueses rondará os 4.000 milhões de euros nos próximos dez anos. A maioria do valor previsto (75% ou 3.000 milhões de euros) virá dos privados através de mais concessões, segundo a estratégia para o setor portuário que foi apresentada esta quarta-feira.
O Governo pretende acelerar o crescimento das estruturas portuárias através do investimento das empresas e estima lançar 15 novas concessões até 2035, conforme consta na estratégia designada por “Porto 5+”. Como a lei mudou no final do ano passado, passando a permitir que os contratos de concessão tenham agora no máximo 75 anos, em vez dos anteriores 30, esta alteração é vista como uma oportunidade de atrair concessionárias.
Além do aumento das concessões, o plano é que haja mais movimentação de cargas nos principais portos comerciais do continente: atingir cerca de 125 milhões de toneladas, o que representaria uma subida de 50% em relação a 2023; os 6,5 milhões de TEU (Twenty-foot Equivalent Unit, unidade equivalente a 20 pés), isto é, mais 70%; e aproximadamente 3 milhões de passageiros (+30%).
“Um país de mar, um país que nasce e descobre o mundo, tem de colocar na prioridade máxima das suas políticas e infraestruturas os portos”, referiu o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, no âmbito da apresentação da Estratégia para os Portos Comerciais do Continente 2025-2035, em Lisboa.
Com esta visão a uma década para os portos, interrompe-se assim um ciclo de reduzido investimento na renovação e expansão dos equipamentos portuários.
Miguel Pinto Luz considera que a atividade portuária em Portugal tem “potencial para atrair novos investimentos”, tendo em conta que a sua “localização privilegiada” permite interligar o Oceano Atlântico ao Mar Mediterrâneo, ser uma porta de entrada para o mercado ibérico e fazer a ligação às redes transeuropeias de transporte.
Na vertente da sustentabilidade e digitalização, o objetivo é reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) em 80% e ter 100% dos portos com tecnologia incorporada. “Com esta visão a uma década para os portos, interrompe-se assim um ciclo de reduzido investimento na renovação e expansão dos equipamentos portuários, atualizando o regime jurídico aplicável ao setor, reforçando a modernização e adaptação face às exigências do contexto europeu e mundial”, resume a tutela.
Como será distribuído o investimento nos portos?
Investimento e crescimento: 3.000 milhões de euros
- Leixões: Novo terminal de contentores na zona Norte e expansão do terminal Ro-Ro (Roll on-Roll off) na zona Sul
- Aveiro: Expansão e modernização dos terminais atuais, novo terminal Ro-Ro (foco no cluster automóvel do Centro)
- Figueira da Foz: Modernização dos terminais atuais e melhoria das acessibilidades marítimas
- Lisboa: Reordenamento e requalificação dos terminais da zona oriental e concretização da estratégia para a Silotagus (ex-Silopor)
- Setúbal: Expansão do terrapleno com lançamento de novos terminais (Ro-Ro e carga geral) e reforço das capacidades da indústria naval (concurso para estaleiro da Mitrena)
- Sines: Concretização do processo de expansão do Terminal Sines XXI e lançamento do novo terminal Vasco da Gama (contentores)
Intermodalidade e conectividade: 300 milhões de euros
- Melhoria dos acessos ferroviários aos portos de Leixões, Aveiro e Setúbal
- Melhoria dos acessos ferroviários e rodoviários (A26) ao porto de Sines
- Exploração do Porto Seco da Guarda e reforço das plataformas intermodais
- Desenvolvimento da navigabilidade no Douro e Tejo
- Reforço da utilização dual use (civil e militar) das infraestruturas portuárias
Integração e segurança: 300 milhões de euros
- Reforço do processo de integração dos portos com zonas urbanas
- Revisão do regime jurídico do setor portuário (nomeadamente reboques)
- Reforço ao combate do comércio ilícito e maior proximidade com autoridades
- Transferência de competências para os municípios de Almada, Faro, Lagoa, Lisboa, Oeiras, Setúbal, Sines, Viana do Castelo e Vila Nova de Gaia
- Maior simbiose porto-cidade-natureza
Descarbonização e sustentabilidade: 250 milhões de euros
- Onshore Power Supply (OPS), um sistema que conecta os barcos à rede elétrica terrestre enquanto estão atracados, em todos os portos
- Comunidades energéticas nos portos
- Terminal de gás natural liquefeito (GNL) para abastecer navios em Sines
- Abastecimento GNL para navios nos portos
- Combustíveis verdes em Sines (metanol e amónia)
- Eletrificação de 100% novos equipamentos portuários
Digitalização e automação: 70 milhões de euros
- 100% portarias digitais nos terminais portuários
- 100% novos equipamentos portuários inteligentes
- Janela Única Logística (JUL) na cadeia intermodal
- Automação e Inteligência Artificial na operação
- Rastreabilidade na cadeia de abastecimento
- Automação de processos administrativos
O Governo aprovou esta Estratégia para os Portos Comerciais do Continente 2025-2035 no Conselho de Ministros da semana passada, no qual também deu ‘luz verde’ à indigitação de Álvaro Santos Pereira para governador do Banco de Portugal e de Gabriel Bernardino para presidente do conselho de administração da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões.
Nessa reunião, o Executivo deu o aval às orientações políticas para os portos com base em cinco objetivos: investimento e crescimento, descarbonização e sustentabilidade, intermodalidade e conectividade, digitalização e automação, e integração local, regional e setorial.
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