Bruxelas admite que empresas decidem quanto às importações de energia dos EUA
O compromisso de importar 750 mil milhões de dólares de energia norte-americana está nas mãos das empresas, embora a Comissão se assuma como "facilitador".
A Comissão Europeia vem esclarecer que, apesar do compromisso assumido de o bloco europeu comprar 750 mil milhões de dólares em energia aos Estados Unidos, a palavra final está do lado das empresas, sendo a Comissão apenas um “facilitador”. E frisa que o número acordado resultou de uma “análise robusta”.
“Apesar de a Comissão facilitar os contactos entre os compradores da União Europeia e os vendedores [dos Estados Unidos], as decisões comerciais estão do lado das empresas“, lê-se numa nota de esclarecimento sobre o acordo comercial entre Washington e Bruxelas, que tem a compra de energia por parte da Europa como uma das condições.
O número previsto, 750 mil milhões de dólares de importações energéticas em três anos, ou 250 mil milhões anuais, baseou-se numa “análise robusta”. Teve em conta três fatores: primeiro, os volumes importados atualmente de gás natural liquefeito, petróleo, combustíveis nucleares e serviços de combustíveis para a União Europeia, que esta estima situar-se em praticamente metade da estimativa: entre 90 a 100 mil milhões de dólares.
A isto somam-se os volumes adicionais de petróleo gás e combustíveis nucleares que a UE quererá ir buscar a outras fontes à medida que se afasta da Rússia. “Em 2024, a UE ainda importou 22 mil milhões de euros de combustíveis fósseis da Rússia e cerca de 700 milhões de combustíveis nucleares”.
Por fim, a União Europeia conta beneficiar de “investimentos tecnológicos chave nos EUA“, em particular no setor nuclear, como é o caso dos Reatores Modulares Pequenos (SMR, na sigla em inglês), que são reatores nucleares de menor dimensão.
Em declarações ao ECO/Capital Verde, vários especialistas na área de energia consideraram irrealista o volume de importações ao qual a UE se comprometeu, dada a falta de poder por parte da Comissão para ditar que empresas comprem mais energia aos Estados Unidos, tal como limitações em termos de oferta e procura.
Apesar deste acordo a Comissão Europeia assegura que está “totalmente comprometida” em atingir a neutralidade carbónica até 2050, não abandonando a política de diversificar as fontes de energia no médio a longo prazo.
Portugal entre os 13 recetores de mais gás liquefeito
“Atualmente, 13 Estados membros possuem a infraestrutura necessária para importar GNL. A UE tem uma capacidade adicional alargada de acomodar mais importações de GNL, inclusivamente com origem nos Estados Unidos, para substituir as importações russas”, refere a mesma nota.
Os treze Estados membros com esta capacidade são enumerados. Entre eles está Portugal. Além das terras lusas, são referenciados como potenciais recetores de mais gás natural liquefeito norte-americano a Bélgica, Alemanha, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Croácia, Itália, Lituânia, Malta, Países Baixos e Polónia.
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