Consultora portuguesa Winning entra na Austrália, quase três anos após venda a franceses
Empresa de Lisboa que faz assessoria de gestão e tecnológica investiu mais de meio milhão de euros para chegar ao mercado australiano e prepara a abertura de uma subsidiária em Singapura e América.
A assessoria lisboeta atravessou o globo até Sidney e tem voos (ainda) mais ambiciosos. A consultora portuguesa Winning, que foi comprada pelos franceses da Alan Allman Associates, entrou na Austrália com um investimento de cerca de um milhão de dólares australianos (mais de meio milhão de euros), avançou ao ECO o fundador.
A internacionalização para o mercado australiano dá-se com a abertura de um escritório em Sidney, a cidade mais populosa do país, e quase três anos depois de a consultora de Lisboa ter sido vendida à Alan Allman Associates, que negoceia na bolsa de Paris e e está presente nos principais continentes (Europa, Oceânia, Ásia e América) à exceção de África.
“A Austrália tem imensas oportunidades. É maior do que a Europa do ponto de vista de dimensão territorial, mas tem rácio de pessoas por quilómetro quadrado inferior à Europa, portanto está tudo por fazer. A abertura do escritório aconteceu formalmente em julho, mas vamos iniciar atividade a partir de setembro”, afirmou o empresário Leandro Ferreira Pereira ao ECO.
A operação vai ser liderada por um ex-executivo da Mastercard, que deixou o cargo de diretor de dados na empresa de pagamentos para se dedicar a este novo desafio profissional. Bruno Sousa, que também foi responsável de Estratégia e Insights no grupo Best & Less Group Holdings Limited, tem em mãos a missão desenvolver o negócio local, recrutar e apresentar resultados a partir do catálogo de serviços que já tem em Portugal e Espanha.
Segundo o fundador da Winning, as empresas na Austrália têm uma mentalidade mais aberta, “totalmente diferente do mercado português, que é muito conservador” e tem “falta de ambição” além das (típicas) fronteiras. E lembra que as exportações portuguesas para com a Austrália têm aumentado a dois dígitos por ano e em 2023 o excedente foi de 246 milhões de euros.
Singapura, América do Norte e mais 200 consultores até 2030
Antes de falar inglês com pronúncia australiana, a Winning começou a hablar castelhano e catalão, em 2017, ano em que ganhou a visão expansionista. A partir de agora, o plano é chegar aos 500 consultores e abrir subsidiária em Singapura, “a Suíça da Europa, onde há negociações a decorrer”, e na América do Norte até 2030. “Queremos ter uma expansão global. Ainda não estamos em África, mas havemos de lá chegar”, garante o fundador da Winning.
Fundada em 2012 na cidade de Lisboa, a Winning tem aproximadamente 300 trabalhadores espalhados por Portugal, Madrid, Barcelona e Málaga. Em 2024, atingiu um volume de negócio recorde de 21,5 milhões de euros, o que significa quase o triplo dos 8,3 milhões de euros registados em 2023.
Além do impulso de capital dos novos donos, a Winning optou por um crescimento inorgânico em 2018 e comprou a Alfagest, uma empresa de Aveiro de contabilidade, fiscalidade e controlo de gestão, que lhe permitiu diversificar o negócio tanto para a área do digital como de incentivos e benefícios (incentive grants) para apoiar em processos de angariação de financiamento.
“A PME de Aveiro foi um pequeno embrião com uma base tecnológica forte, também ligada à academia, que complementava e sustentava as nossas soluções de gestão, que hoje em dia precisam sempre de ter uma base tecnológica”, conta Leandro Ferreira Pereira.
No que diz respeito à área de incentivos, consiste na busca de fundos, nomeadamente comunitários (Plano de Recuperação e Resiliência, Portugal 2020, Portugal 2030…) e tem tido particular relevância para clientes na área da saúde, cujas inovações requerem elevada disponibilidade económica e prolongam-se (tipicamente, durante anos) no calendário. No ano passado, a Winning levantou mais de 30 milhões de euros em financiamento para empresas com projetos de investimento em curso.

"Desde o primeiro momento, dedicámo-nos à consultoria de gestão com base científica. Que princípio é este? Como temos uma fortíssima relação com o mundo académico, enquanto professores universitários e doutorados, temos uma forma de trabalhar baseada nos factos. Perante um problema de gestão ou de negócio, recolhemos dados, evidências, fazemos um diagnóstico e, em função disso, prescrevemos uma solução. Não temos uma abordagem de copy-paste”
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Consultora portuguesa Winning entra na Austrália, quase três anos após venda a franceses
{{ noCommentsLabel }}