Trump ameaça indústria farmacêutica com tarifas de 250%. Exportações portuguesas valem mais de 1,16 mil milhões
Presidente dos EUA ameaça ainda que caso a Europa não cumpra os investimentos de 600 mil milhões de dólares, tarifas vão subir até 35%. Bruxelas suspendeu medidas de retaliação por seis meses.
Pouco mais de uma semana depois de ter anunciado um acordo comercial com a União Europeia, o Presidente dos EUA volta a dar um passo atrás nas negociações, colocando agora a indústria farmacêutica no centro dos seus ataques. No mesmo dia em que Bruxelas oficializou a suspensão da aplicação de medidas de retaliação contra as tarifas norte-americanas por um período de seis meses, anunciada esta segunda-feira, Donald Trump avisou que as taxas aduaneiras sobre os produtos farmacêuticos podem subir até 250%, ameaçando exportações portuguesas do setor avaliadas em 1,17 mil milhões de euros.
Depois de ter chegado a ameaçar aplicar tarifas de 200% ao vinho, Donald Trump vira-se agora para as farmacêuticas. Numa entrevista no programa “Squawk Box”, da CNBC, o republicano admitiu que vai começar por impor uma “pequena tarifa” sobre os produtos farmacêuticos, mas depois, dentro de um ano a um ano e meio, no “máximo”, aumentará essa taxa para 150% e depois para 250%.
O setor farmacêutico português lidera as exportações para os EUA. Em 2024, Portugal exportou 5,3 mil milhões de euros para os EUA, o que representa 6,7% das exportações nacionais. Os produtos farmacêuticos representaram 22% do total das vendas para terras de “Tio Sam”, com as exportações a atingirem cerca de 1,17 mil milhões de euros.
Esta nova ameaça às vendas do setor da saúde surge depois de em julho já ter ameaçado taxas os produtos farmacêuticos com uma tarifa de 200%, colocando pressão adicional sobre a União Europeia, num momento em que ainda seguiam as negociações para um acordo comercial entre os dois blocos económicos. Contudo, entretanto, Washington e Bruxelas já fecharam um acordo que prevê a imposição de tarifas aduaneiras de 15% sobre os produtos europeus.
Uma fonte do Executivo comunitário adiantou esta manhã aos jornalistas que os EUA e a Comissão Europeia estão a trabalhar no texto final do acordo, isto no mesmo dia em que Bruxelas tomou a decisão de suspender a retaliação às tarifas dos EUA durante seis meses.
“A Comissão adotou hoje [terça-feira] os procedimentos legais necessários para suspender a implementação das nossas contramedidas da UE, que deveriam entrar em vigor em 7 de agosto”, disse o porta-voz da UE, Olof Gill.
Já Donald Trump voltou em força ao ataque, com as suas declarações a confirmarem que o que é hoje pode não o ser amanhã.
A política de tarifas sobre as farmacêuticas tem sido a estratégia usada por Trump para atrair investimentos do setor para o país. Nos últimos seis meses, empresas como Eli Lilly e a Johnson & Johnson anunciaram novos investimentos nos EUA para construir uma relação de confiança com o Presidente. “Queremos que os produtos farmacêuticos sejam feitos no nosso país“, atirou o republicano.
Atualmente os produtos farmacêuticos têm uma taxa de 0% nas vendas para os EUA, mas apenas quando for divulgado o texto final do acordo será possível perceber a taxa que a indústria vai suportar.
Sobre o acordo, Donald Trump vangloriou-se que a União Europeia vai pagar 600 mil milhões de dólares, um valor de investimentos nos EUA com o qual Bruxelas se comprometeu. “E, por isso, reduzi a tarifa de 30% para 15%”. “É um presente, não um empréstimo”, acrescentou na mesma entrevista à CNBC. “Os detalhes são 600 mil milhões para investir no que eu quiser”, atirou, reforçando que a Europa tem agora que “pagar.”
Além destes investimentos de 600 mil milhões de dólares, a União Europeia vai ainda comprar 750 mil milhões de dólares em energia aos EUA. Caso Bruxelas não cumpra estes investimentos, Trump avisa que as tarifas sobre as importações europeias podem subir até 35%.
O Presidente dos EUA disse ainda que vai anunciar novas tarifas sobre semicondutores e chips já na próxima semana, sem dar detalhes sobre o plano. “Faremos o anúncio sobre semicondutores e chips, que são uma categoria separada, porque queremos que sejam fabricados nos Estados Unidos“, adiantou Trump.
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