Dona do Ozempic baixa previsões para o ano após lucrar mais 22% no primeiro semestre

  • Joana Abrantes Gomes
  • 6 Agosto 2025

Apesar da subida dos lucros face ao primeiro semestre do ano passado, a farmacêutica dinamarquesa confirmou a revisão em baixa das previsões para o restante ano fiscal de 2025.

A Novo Nordisk registou um lucro de 55,5 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 7,43 mil milhões de euros) no primeiro semestre, o que representa um aumento de 22% face ao mesmo período do ano passado.

As receitas da farmacêutica dinamarquesa subiram 18%, para 154,9 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 20,8 mil milhões de euros), enquanto o lucro operacional cresceu 29%, atingindo um total de 72,2 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 9,7 mil milhões de euros).

Na primeira metade do ano, as vendas dos medicamentos para diabetes da Novo Nordisk, incluindo o Ozempic, desaceleraram para um crescimento de 8%, uma queda acentuada em relação ao mesmo período de 2024.

Olhando apenas para o segundo trimestre, a empresa registou vendas de 76,86 mil milhões de coroas dinamarquesas (10,3 mil milhões de euros), mais 18% comparativamente ao período homólogo, mas abaixo das estimativas dos analistas. Os lucros antes de juros e impostos (EBIT) totalizaram 33,45 mil milhões de coroas dinamarquesas (4,5 mil milhões de euros), um aumento de 29% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Só as vendas do Wegovy, medicamento para perda de peso, aumentaram 67% entre abril e junho, para 19,53 mil milhões de coroas dinamarquesas (2,6 mil milhões de euros).

Esta quarta-feira, a empresa repetiu o alerta da semana passada sobre as contas para o ano fiscal de 2025, assinalando a revisão em baixa das previsões das vendas para um crescimento entre 8% e 14%, quando anteriormente era entre 13% e 21%. O lucro, por sua vez, deverá aumentar entre 10% e 16%, em vez de entre 16% e 24%.

As novas estimativas resultaram numa desvalorização de 25% da capitalização bolsista da Novo Nordisk numa única sessão na semana passada, o que reduziu o seu valor de mercado em cerca de 82 mil milhões de euros.

“Reduzimos as nossas previsões para o ano inteiro devido às expectativas de menor crescimento para os nossos tratamentos com GLP-1 Wegovy no segundo semestre de 2025“, disse Lars Fruergaard Jorgensen, CEO que está de saída da farmacêutica, citado em comunicado.

“Como resultado, estamos a tomar medidas para aprimorar ainda mais a nossa execução comercial e garantir eficiências na nossa base de custos, enquanto continuamos a investir no crescimento futuro”, acrescentou o gestor.

Maziar Mike Doustdar, que foi nomeado para substituir Jorgensen, assumindo a liderança da Novo Nordisk na quinta-feira, tem agora de preparar-se para responder às preocupações dos investidores sobre como a empresa pretende manter-se competitiva numa altura em que enfrenta a concorrência da norte-americana Eli Lilly, além de versões genéricas dos seus medicamentos.

“Com mais de mil milhões de pessoas a viver com obesidade em todo o mundo, incluindo mais de 100 milhões nos EUA, e apenas alguns milhões em tratamento, estou confiante de que, sob a liderança de Mike Doustdar, a Novo Nordisk maximizará as oportunidades de crescimento significativas, apoiada por um forte portefólio de produtos e um pipeline futuro”, afirmou ainda Jorgensen.

A farmacêutica dinamarquesa foi a empresa mais valiosa da Europa no ano passado, com um valor de mercado de cerca de 650 mil milhões de dólares (cerca de 561,6 mil milhões de euros), graças às vendas dos medicamentos de sucesso Wegovy e do Ozempic.

Após a apresentação dos resultados semestrais esta manhã, a Novo Nordisk está a negociar em baixa de 0,42%, com cada ação a valer 304,60 coroas dinamarquesas (40,82 euros).

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