Grupo de jornalistas da Visão pondera criar associação para ficar com a revista

A revista Visão chegou novamente às bancas esta quinta-feira. Grupo de jornalistas do título da Trust in News pondera criar uma associação ou cooperativa, estando já a "fazer contactos".

Um grupo de jornalistas da Visão, composto em grande parte por elementos da direção, editores e grandes repórteres, está a ponderar avançar com a criação de uma associação para ficar com o título.

“É uma ideia, uma das hipóteses. Pode ser uma associação de jornalistas ou uma cooperativa de jornalistas. São ideias, estamos a ponderar essas hipóteses e estamos a averiguar as várias possibilidades“, diz ao +M o diretor da publicação que, contra as adversidades, voltou a chegar às bancas esta quinta-feira, estando já a ser preparada a próxima edição.

A Visão faz parte do grupo Trust in News (TiN), dono de outros títulos como Exame, Caras ou Jornal de Letras e que viu o tribunal não homologar o plano de insolvência apresentado por Luís Delgado, acionista único da empresa, e decretar o encerramento da sua atividade.

A hipótese da criação de uma associação está a ser equacionada por um grupo de 12 pessoas, constituído maioritariamente por membros da direção, editores e grandes repórteres. É em reuniões deste “núcleo duro”, responsável em larga escala pelas últimas edições da revista, que “têm surgido estas ideias e que estamos a avançar, a fazer contactos e a falar com pessoas para perceber como é que isto pode ser feito“, diz Rui Tavares Guedes.

“Ainda não está muito estruturado, mas estamos a fazer contactos. E estamos a aconselharmo-nos com quem sabe destas coisas para saber se isto é uma possibilidade. Até porque é também uma forma de manter a independência editorial da revista“, observa o responsável, uma vez que não se sabe quem poderá eventualmente comprar a revista num processo deste género onde, após a insolvência, se avança para a liquidação da empresa, com a venda dos seus ativos.

Foi também este grupo de jornalistas que pediu a convocação de uma nova assembleia de credores e que a revista seja mantida em funcionamento, para que os títulos não percam valor numa possível venda. “E foi nesse sentido que este grupo começou a pensar ‘porque é que não compramos nós’? Se temos dinheiro para isso? Não. Precisamos de ir procurar financiamento“, avança Rui Tavares Guedes.

Segundo o diretor da Visão, tem também sido notória uma vontade por parte da comunidade em contribuir e apoiar a sobrevivência da Visão, título que já chega às bancas portuguesas há mais de trinta anos. “No meio disto tudo temos recebido contactos de pessoas a perguntar o que podem fazer. No fim, quem decide é a assembleia de credores, mas nós podemos ter uma atitude ativa e não apenas passiva nesta situação, e começámos a pensar nisto e a ouvir de que maneira as pessoas que manifestam interesse em apoiar querem fazê-lo“.

Está também a ser registado um crescimento nas vendas em banca nas últimas semanas, com a revista a esgotar em alguns pontos de venda. De janeiro a junho, as vendas da Visão encontram-se em linha com as do ano passado mas, nas últimas três ou quatro semanas, as mesmas têm subido — também por efeito de sazonalidade, concede o responsável — apresentando mesmo “valores superiores ao período homólogo”.

“Nesta última revista, as percentagens de sobras que temos nas previsões da Vasp [responsável pela distribuição] rondam os 20%, que é quase esgotada. Está esgotada numa série de pontos de venda”, refere Rui Tavares Guedes.

Até as entrevistas estão a ser mais fáceis de marcar, nota-se que as pessoas estão mais disponíveis, como forma de contribuírem”, diz.

Perante a sentença que determina o encerramento da TiN, Luís Delgado entregou esta segunda-feira um recurso no Tribunal da Relação de Lisboa, com o objetivo de reverter a decisão do tribunal de que fosse “comunicado oficiosamente às Finanças o encerramento da atividade da devedora”, o que poria de imediato fim à atividade da empresa, uma vez que deixaria de poder faturar.

Por outro lado, pretende-se contestar a não-homologação do plano de insolvência. O plano de insolvência apresentado não foi homologado pela justiça, de acordo com a decisão do tribunal de 18 de julho, que determinou também o encerramento da atividade da TiN. Esta decisão de não-homologação do plano de insolvência ainda não transitou em julgado. Luís Delgado avançou logo ao +M no próprio dia que iria recorrer da decisão.

O plano, recorde-se, tinha sido aprovado a 27 de maio, com 77% dos credores a votar favoravelmente e 23% contra. Segundo o documento, a TiN propõe aos credores um “compromisso de aporte de até 1,5 milhões de euros, faseadamente, e em função das necessidades da empresa para reforçar a tesouraria”, por parte do acionista único, Luís Delgado. A juíza, no entanto, entendeu que o plano não era equilibrado para os credores.

Entretanto, o administrador de insolvência da TiN, André Correia Pais, dirigiu também na semana passada um requerimento ao tribunal, no qual pediu que a cessação de atividade da empresa seja adiada até outubro, data no qual termina o pré-aviso do despedimento coletivo, comunicado aos trabalhadores na semana anterior.

André Correia Pais reforçou também junto do tribunal o pedido feito pela direção e editores da Visão, para que seja realizada nova assembleia geral de credores. Os 11 jornalistas pedem que a juíza convoque nova assembleia de credores, de forma a ratificar o plano de insolvência, retirando-lhe a cláusula que foi considerada ilegal e, dessa forma, viabilizando o plano.

Rui Tavares Guedes e os restantes subscritores do requerimento acreditam que alguns dos títulos do grupo “mantêm projetos sustentáveis, que podem sobreviver, porque têm receitas suficientes para singrarem com uma estrutura de custos reconfigurada”, pelo que é do interesse dos credores que a venda dos títulos se faça com a melhor contrapartida financeira possível.

Na quinta-feira passada o Taguspark decidiu fechar a porta da redação dos títulos da Trust in News (TiN). No entanto, o Taguspark acedeu ao pedido de que a eletricidade fosse mantida, de forma a garantir o funcionamento dos servidores e, com isso, permitir que as receitas das vendas em banca possam ser faturadas.

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