Exclusivo Banco de Fomento vai alargar rede de seguradoras para dinamizar seguros de crédito

“Vamos dar garantias para seguros de crédito, tal como damos garantias para crédito”, revelou ao ECO Gonçalo Regalado. BPF vai desafiar outras seguradoras a oferecer seguros de crédito às empresas.

A partir de janeiro do próximo ano, o Banco de Fomento vai passar a emitir garantias para seguros de crédito para uma rede alargada de seguradoras. A ideia é replicar nos seguros de crédito às empresas aquilo é hoje feito ao nível do crédito bancário e, assim, pôr fim à fragilidade que existe em Portugal neste capítulo.

Somos o único país da Europa que só tem uma empresa, uma agência de crédito à exportação, que tem uma dupla particularidade, uma dupla fragilidade. Só temos uma, é privada e é de estrangeiros. E isto não é suportável”, sublinhou o presidente do Banco de Fomento, em declarações ao ECO.

Há muito que o Executivo pretende criar “uma verdadeira agência de crédito à exportação, que integre o sistema de seguros de créditos com garantia do Estado”. A gestão deste tipo de seguros, com garantia do Estado, que está entregue à Cosec desde 1969, vai passar para o Banco de Fomento (BFP) em janeiro do próximo ano, como já avançou o ECO.

Estamos a trabalhar com a Cosec, em reuniões quinzenais, o processo de transição”, disse ao ECO o presidente do Banco de Fomento, elogiando a parceria da seguradora de crédito que agora pertence à Allianz, uma multinacional alemã. Anteriormente era detida em partes iguais pelo BPI e pela Euler-Hermes.

Mas, o plano é mais vasto. “O que vamos fazer é dar garantias para seguros de crédito, tal como hoje damos garantias para crédito e temos os bancos comerciais a fazer a distribuição”, revelou ao ECO Gonçalo Regalado. “Vamos ter seguradoras de crédito a fazer a distribuição”, explicou.

Com o objetivo de aumentar o peso das exportações no Produto Interno Bruto vai ser alargado o leque de seguradoras que oferecem seguros de crédito às empresas.

“O nosso trabalho é começar nas quatro empresas que têm seguros de crédito empresariais, desafiar outras seguradoras que não têm normalmente este tipo de seguros e poder trazê-los para termos entre meia dúzia a uma dezena de empresas seguradoras que façam distribuição de seguros de crédito a partir de 2026”, explica Gonçalo Regalado. “Estamos agora nessa credenciação”, acrescentou.

“Ficámos muito satisfeitos, porque nas primeiras abordagens as grandes seguradoras normais, que trabalham com empresas nas áreas dos seguros de saúde, dos seguros pessoais, dizem que estão disponíveis, com a garantia pública, a fazer seguros de crédito. Isso é ótimo, porque os empresários com capacidade de poder fazer exportações com maior segurança é melhor para todos”, acrescentou.

O nosso trabalho é começar nas quatro empresas que têm seguros de crédito empresariais, desafiar outras seguradoras que não têm normalmente este tipo de seguros e poder trazê-los para termos entre meia dúzia a uma dezena de empresas seguradoras que façam distribuição de seguros de crédito a partir de 2026.

Gonçalo Regalado

Presidente do BPF

O que estamos a fazer agora é construir o portfólio que nos permite darmos garantias para seguros de crédito”, sublinhou, fazendo questão de frisar que o Banco de Fomento “só pode conceder garantias para seguros de crédito. Não pode conceder seguros de crédito diretamente”.

“O BPF não vai ser uma seguradora de crédito, nem precisa de ter uma licença da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)”, acrescentou o presidente do BPF.

Gonçalo Regalado está confiante no sucesso da medida porque “essas seguradoras de crédito não vão ter muito desafio, porque é o BPF que vai dar o risco, tal como está a fazer com os bancos comerciais”.

“Somos nós que estamos a dizer aos bancos comerciais qual o nosso apetite risco. Dizemos aos empresários: têm aqui uma garantia que lhes permite levantar crédito de 300, 500, 800 ou um milhão de euros no seu banco. Escolham o banco. É o que vamos fazer nos seguros de crédito”, exemplificou.

“Claro que o processo é um bocadinho mais desafiante, porque quando temos de fazer uma transição operacional, de pessoas e recursos, de tecnologia e de carteira, é preciso fazer isto com muita, muita cautela”, afirmou o responsável.

Assim, ao longo deste ano, marcado pela guerra comercial dos Estados Unidos, os seguros de crédito à exportação vão continuar a ser emitidos pela Cosec, mas também pela Entidade de Tesouro e Finanças (antiga Direção Geral de Tesouro e Finanças), explicou Gonçalo Regalado. Presentemente, o modelo de agência de crédito à exportação que existe em Portugal é misto, sendo partilhado entre estas duas entidades. Só em 2026, o BPF se assumirá como agência de crédito à exportação.

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